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ESTUDANTES DA PEDRA LASCADA
Pedro
Israel Novaes de Almeida
A
democratização do país esvaziou a
pauta de reivindicações do movimento
estudantil.
Houve um
tempo em que os estudantes gritavam
por liberdade de manifestação,
eleições diretas e impedimento
presidencial, além do fim da
submissão do Brasil a interesses
internacionais. À época, era
marcante a atuação de diversos
partidos e tendências políticas,
dentre os estudantes.
Com a
democratização, muitos dos que
lideravam os movimentos estudantis
acabaram eleitos ou nomeados para
cargos os mais diversos,
legislativos e executivos, e grande
parte não colocou em prática os
refrões e pleitos que entoavam. O
estreitamento de laços entre
entidades estudantis e órgãos
públicos conduziu à apatia do
movimento.
Hoje,
multidões saem às ruas, exigindo o
fim da corrupção e a instauração da
ética e probidade na vida pública
nacional. As multidões já não são
enunciadas por partidos políticos,
sindicatos ou entidades estudantis,
e são compostas por cidadãos de
todos os estratos e idades.
A pouca
credibilidade das representações
políticas e classistas acabou por
excluí-las das manifestações
populares em prol de anseios
unânimes e urgentes da população. De
fato, o fim da corrupção é bandeira
que extrapola os estreitos limites
dos partidos e grupamentos humanos
sectários.
Continua,
contudo, a inquietude própria dos
estudantes, que pode desaguar em
movimentos edificantes ou em
manifestações grotescas de pouca
civilidade e truculência. No campus
da USP, em São Paulo, um grupo
minoritário de estudantes não admite
a presença da Polícia Militar,
ocupando prédios e partindo para o
confronto, pelo simples fato de
haver, a polícia, reprimido o
consumo de drogas.
A
ocorrência continuada de crimes, no
campus, intranqüilizava a vida de
estudantes, funcionários e
professores, obrigando a
universidade a providenciar o
auxílio da PM, para a manutenção da
segurança. A repressão ao consumo de
drogas integra a competência
policial.
O campus
universitário não é terra de
ninguém,e está abrangido pelo
ordenamento jurídico que a todos
obriga. Ademais, já é tempo de dar
um basta ao trauma gerado pela época
em que a polícia era meramente
política e repressiva.
Os
revoltosos, contudo, são minoria, e
a maior parcela dos que freqüentam o
campus da USP aplaude a presença da
Polícia Militar. O grupo
minoritário, contudo, tenta impor a
ferro e fogo sua vontade, ocupando
prédios, tumultuando a vida
universitária e ignorando os novos
tempos.
Podem
manifestar o desejo de
descriminalização de uma ou outra
droga, mas estão sujeitos ao
cumprimento da lei, enquanto não
conseguem tal objetivo. Não podem,
de maneira ditatorial e
desrespeitosa, impor vontades à
sociedade e criar ambientes não
abrangidos pelo ordenamento legal.
Enquanto
a sociedade trabalha para
oferecer-lhes, gratuitamente, cursos
de excelência, internacionalmente
reconhecidos, um grupelho trata de
proteger, de maneira primitiva e
desrespeitosa, o consumo de drogas,
no campus universitário. De quebra,
não admitem a presença da polícia.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |