03 / 11 /2011
 

 
 
     

 

ESTUDANTES DA PEDRA LASCADA
Pedro Israel Novaes de Almeida

 

            A democratização do país esvaziou a pauta de reivindicações do movimento estudantil.

            Houve um tempo em que os estudantes gritavam por liberdade de manifestação, eleições diretas e impedimento presidencial, além do fim da submissão do Brasil a interesses internacionais. À época, era marcante a atuação de diversos partidos e tendências políticas, dentre os estudantes.

            Com a democratização, muitos dos que lideravam os movimentos estudantis acabaram eleitos ou nomeados para cargos os mais diversos, legislativos e executivos, e grande parte não colocou em prática os refrões e pleitos que entoavam. O estreitamento de laços entre entidades estudantis e órgãos públicos conduziu à apatia do movimento.

            Hoje, multidões saem às ruas, exigindo o fim da corrupção e a instauração da ética e probidade na vida pública nacional. As multidões já não são enunciadas por partidos políticos, sindicatos ou entidades estudantis, e são compostas por cidadãos de todos os estratos e idades.

            A pouca credibilidade das representações políticas e classistas acabou por excluí-las das manifestações populares em prol de anseios unânimes e urgentes da população. De fato, o fim da corrupção é bandeira que extrapola os estreitos limites dos partidos e grupamentos humanos sectários.

            Continua, contudo, a inquietude própria dos estudantes, que pode desaguar em movimentos edificantes ou em manifestações grotescas de pouca civilidade e truculência. No campus da USP, em São Paulo, um grupo minoritário de estudantes não admite a presença da Polícia Militar, ocupando prédios e partindo para o confronto, pelo simples fato de haver, a polícia, reprimido o consumo de drogas.

            A ocorrência continuada de crimes, no campus, intranqüilizava a vida de estudantes, funcionários e professores, obrigando a universidade a providenciar o auxílio da PM, para a manutenção da segurança. A repressão ao consumo de drogas integra a competência policial.

            O campus universitário não é terra de ninguém,e está abrangido pelo ordenamento jurídico que a todos obriga. Ademais, já é tempo de dar um basta ao trauma gerado pela época em que a polícia era meramente política e repressiva.

            Os revoltosos, contudo, são minoria, e a maior parcela dos que freqüentam o campus da USP aplaude a presença da Polícia Militar. O grupo minoritário, contudo, tenta impor a ferro e fogo sua vontade, ocupando prédios, tumultuando a vida universitária e ignorando os novos tempos.

            Podem manifestar o desejo de descriminalização de uma ou outra droga, mas estão sujeitos ao cumprimento da lei, enquanto não conseguem tal objetivo. Não podem, de maneira ditatorial e desrespeitosa, impor vontades à sociedade e criar ambientes não abrangidos pelo ordenamento legal.

            Enquanto a sociedade trabalha para oferecer-lhes, gratuitamente, cursos de excelência, internacionalmente reconhecidos, um grupelho trata de proteger, de maneira primitiva e desrespeitosa, o consumo de drogas, no campus universitário. De quebra, não admitem a presença da polícia.

                                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.