Somos forçados à revisão dos
conceitos que nutríamos, em relação à
constituição de bancadas religiosas, no
Congresso Nacional.
Foi graças à atuação de tais
bancadas que a Presidente determinou a
suspensão do tristemente famoso Kit
Anti-homofobia, que seria distribuído a
estudantes e professores do segundo grau de
escolas públicas. O Kit oficial simplesmente
apresentava como vantajosas as relações
homossexuais, quando comparadas às
heterossexuais.
As reações contrárias a tal Kit,
partidas de setores da sociedade e até de
alguns parlamentares isolados, não haviam
sensibilizado a Presidente, até que as
bancadas religiosas ameaçaram apoio aos
pedidos de convocação do ministro Palocci,
às voltas com acusações envolvendo seu
crescimento patrimonial. Esta, a versão mais
acreditada, para o fenômeno.
O Supremo Tribunal Federal
reconheceu os efeitos civis da união estável
homossexual, aí incluídas as pensões,
heranças e dependências para efeito de
planos de saúde e pagamento de impostos. A
união lícita, partida da livre vontade de
pessoas capazes, tem valor contratual que
deve, de fato, ser reconhecido e respeitado
em todos os âmbitos.
Os homossexuais sempre
existiram, desde a pré-história,
independentes da aprovação ou consentimento
da sociedade. Sempre minoritários, eram
perseguidos como bruxas, vítimas de
preconceitos e repulsas que ainda existem,
nos meios humanos menos ilustrados.
O simples fato de serem seres
humanos deveria bastar para que fossem
respeitados, mas ainda é necessária muita
educação, para que tal ocorra, em todos os
ambientes.
A conscientização coletiva,
contudo, merece tato e medida, para que a
homossexualidade não pareça atraente ou
vantajosa. A homossexualidade deve ser vista
como um fato social a ser respeitado. Só.
Os homossexuais devem entender
que manifestações públicas de carinho geram
indisposições e desagradam a maioria das
pessoas, cultural e tradicionalmente
desacostumadas à cena de João beijando
Antonio, ou Maria amassando Benedita.
Tradições e culturas não são apagadas por
decreto ou enfadonhas palestras. Sequer as
trocas públicas de carinho heteroafetivas
são bem vistas.
As ações oficiais voltadas ao
combate à violência e ao desrespeito devem
ser objeto de cuidadosa elaboração e
análise, para que não repitam a tragédia do
Kit suspenso. A onda civilizatória em prol
do respeito e educação não deve, contudo,
ensejar a ditadura gay, com manifestações
acintosas e até provocantes de frescura
explícita, capazes de retardar o progresso
social e acirrar resistências.
Estudantes devem ser orientados
ao respeito e convivência, sem no entanto
serem atraídos ao mundo gay. Cidadãos e
cidadãs nascem gays, e não são transformados
em gays. Assim deve continuar.
Apesar das opiniões divergentes,
inclusive religiosas, a homofobia deverá ser
tipificada como crime, e como tal punida.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é engenheiro agrônomo e
advogado, aposentado.