07/06/2011
 

 
 

DITADURA GAY

Pedro Israel Novaes de Almeida

 

            Somos forçados à revisão dos conceitos que nutríamos, em relação à constituição de bancadas religiosas, no Congresso Nacional.

            Foi graças à atuação de tais bancadas que a Presidente determinou a suspensão do tristemente famoso Kit Anti-homofobia, que seria distribuído a estudantes e professores do segundo grau de escolas públicas. O Kit oficial simplesmente apresentava como vantajosas as relações homossexuais, quando comparadas às heterossexuais.

            As reações contrárias a tal Kit, partidas de setores da sociedade e até de alguns parlamentares isolados, não haviam sensibilizado a Presidente, até que as bancadas religiosas ameaçaram apoio aos pedidos de convocação do ministro Palocci, às voltas com acusações envolvendo seu crescimento patrimonial. Esta, a versão mais acreditada, para o fenômeno.

            O Supremo Tribunal Federal reconheceu os efeitos civis da união estável homossexual, aí incluídas as pensões, heranças e dependências para efeito de planos de saúde e pagamento de impostos. A união lícita, partida da livre vontade de pessoas capazes, tem valor contratual que deve, de fato, ser reconhecido e respeitado em todos os âmbitos.

            Os homossexuais sempre existiram, desde a pré-história, independentes da aprovação ou consentimento da sociedade. Sempre minoritários, eram perseguidos como bruxas, vítimas de preconceitos e repulsas que ainda existem, nos meios humanos menos ilustrados.

            O simples fato de serem seres humanos deveria bastar para que fossem respeitados, mas ainda é necessária muita educação, para que tal ocorra, em todos os ambientes.

            A conscientização coletiva, contudo, merece tato e medida, para que a homossexualidade não pareça atraente ou vantajosa. A homossexualidade deve ser vista como um fato social a ser respeitado. Só.

            Os homossexuais devem entender que manifestações públicas de carinho geram indisposições e desagradam a maioria das pessoas, cultural e tradicionalmente desacostumadas à cena de João beijando Antonio, ou Maria amassando Benedita. Tradições e culturas não são apagadas por decreto ou enfadonhas palestras. Sequer as trocas públicas de carinho heteroafetivas são bem vistas.    

            As ações oficiais voltadas ao combate à violência e ao desrespeito devem ser objeto de cuidadosa elaboração e análise, para que não repitam a tragédia do Kit suspenso. A onda civilizatória em prol do respeito e educação não deve, contudo, ensejar a ditadura gay, com manifestações acintosas e até provocantes de frescura explícita, capazes de retardar o progresso social e acirrar resistências.

            Estudantes devem ser orientados ao respeito e convivência, sem no entanto serem atraídos ao mundo gay. Cidadãos e cidadãs nascem gays, e não são transformados em gays. Assim deve continuar.

            Apesar das opiniões divergentes, inclusive religiosas, a homofobia deverá ser tipificada como crime, e como tal punida.

                                                                                   pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.