Dez de Dezembro, Dia
Internacional dos Direitos
Humanos
A Carta das
Nações Unidas, que criou a ONU,
estabeleceu como um dos
propósitos desse organismo
internacional promover e
estimular o respeito aos
Direitos Humanos.
Em atendimento a
esse objetivo, o Conselho
Econômico e Social, órgão
responsável por esta matéria no
seio da ONU, criou a Comissão de
Direitos Humanos.
A Comissão de
Direitos Humanos, como sua
primeira empreitada, discutiu e
votou a Declaração Universal dos
Direitos Humanos, submetida
depois à Assembléia Geral.
A Assembléia
Geral da ONU aprovou e proclamou
solenemente a Declaração no dia
10 de dezembro de 1948.
A cada passagem
do 10 de Dezembro, em todo o
mundo, a Declaração é celebrada
ou, o que é ainda melhor, a
Declaração é discutida.
A passagem do
aniversário da Declaração
Universal dos Direitos Humanos,
de uma forma ou de outra, tem
provocado sempre um sadio debate
mundial em torno da Declaração.
No Brasil o clima
de interesse pela questão dos
Direitos Humanos tem crescido
muito. Tanto a discussão teórica
e geral, sempre importante,
quanto a discussão concreta,
dirigida à realidade de Estados,
Municípios, regiões.
As Comissões de
Direitos Humanos e órgãos
similares multiplicam-se por
todo o território nacional:
comissões ligadas às OABs, às
Igrejas, a Assembléias
Legislativas, a Câmaras
Municipais, Comissões de origem
popular que testemunham o grito
da sociedade no sentido da
construção de um Brasil mais
justo e digno para todos.
Em muitos Estados
da Federação (São Paulo,
Pernambuco, Espírito Santo e
outros), a partir das Comissões
“Justiça e Paz”, que surgiram em
plena ditadura militar, por
inspiração da Igreja Católica
(mas numa abertura ecumênica),
quantos frutos e sementes
advieram.
O trabalho da
ONU, em favor dos Direitos
Humanos, não tem sido realizado
pelo Conselho de Segurança, um
esdrúxulo organismo no qual as
nações poderosas têm “poder de
veto”, em radical oposição ao
princípio da igualdade jurídica
das Nações. A igualdade
jurídica das nações, postulado
da mais profunda radicação
ética, foi defendida por Rui
Barbosa, na Conferência de Haia,
em 1907.
A luta da ONU
pelos Direitos Humanos deve ser
creditada a suas agências
especializadas e à Assembléia
Geral, um organismo democrático
onde se assentam, com igualdade,
todas as nações.
Temos muitas
reservas a recentes decisões da
ONU, autorizando e decretando
intervenções militares em
diversos países.
Não obscurecemos
as falhas e impropriedades que
marcam certas posições adotadas
por esse organismo
internacional, ao aprovar a
geografia do poder presentemente
reinante e o instrumento bélico
de sua imposição a todos os
povos do mundo.
Essa política
injusta, sob a chancela da ONU,
tem sido adotada por pressão das
potências que detêm a hegemonia
econômica, política e militar no
mundo de hoje, mas não tem
respaldo na opinião pública
mundial. Muitas críticas têm
sido feitas à face militarista
de uma organização que nasceu
sob o signo da Paz.
Se a voz da ONU
não tem efetividade, em muitas
situações, porque nações
poderosas recusam obediência a
suas determinações, a força
moral de suas deliberações
pacifistas é muito grande.
Exaltamos os
esforços da ONU, em prol dos
Direitos Humanos, no decorrer de
sua existência.
João Baptista Herkenhoff, 75
anos, magistrado (aposentado),
professor (em atividade) na
Faculdade Estácio de Sá do
Espírito Santo, palestrante e
escritor.