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Desde que me entendo por gente que a má qualidade da
educação é tema recorrente. Mudam-se ministros,
secretários estaduais e municipais; muda-se a
nomeclatura do ensino; muda-se tudo que é superficial,
só não muda a qualidade. Que vai de mal a pior.
Todos os profissionais alegam que falta estrutura
material. Não raro a televisão mostra alunos estudando
em currais de gado. As promessas são repetidas de dois
em dois anos, no período eleitoral. Aí a solução está na
ponta da língua e com a promessa de que “agora pra
valer.”
Com a imparcialidade da mídia a custo de suas verbas
publicitárias, os governos alardeiam feitos na educação,
que só os papéis e as estatísticas próprias vêem, e as
pessoas, mesmo sem acreditar numa vírgula, não dispõem
de espaço para contestação imediata.
As escolas mais parecem verdadeiros depósitos de lixo a
céu aberto, com abrangência nacional. Não existem
bibliotecas e quando há algumas raras, a gestão é
desvinculada da escola, sem inteiração ensino e
literatura. Hoje, quase na sua unanimidade, alunos de
ensino fundamental completo não conseguem escrever dez
palavras simplórias sem errar cinco, no mínimo.
Cada pai, ou responsável precisaria arraigar a
convicção que só com sua participação haverá melhoria de
qualidade de fato. Alunos não recebem estímulos de que o
aprendizado não atrapalha a brincadeira, a prática de
esporte, nem o lazer. Acrescenta valores. E seria o
passo inicial determinante para qualquer caminho que
siga na vida.
Todos precisam colaborar um pouco mais. A
disponibilidade de dicionário na internet facilita a
consulta para evitar erros de palavras simples. Anotar
algumas mais complexas no caderno para consulta
posterior, seria outra medida positiva individual.
Educadores, governantes, empresários poderiam fazer um
levante contra essa inércia generalizada, com medidas as
mais diversas possíveis, para colocar a educação nas
novelas, documentários, comerciais, nos painéis de
terminais rodoviários e até nos centros populares de
todas as capitais. Nas sacolas de mercado, nos sacos de
pães, nos copos, chaveiros, calendários, tal como se faz
com a seleção em Copa do Mundo. Os jornais, os saites e
as revistas poderiam criar um caderno de educação, ou
seções específicas. Rádios e televisões poderiam debater
mais a educação, como colocar jingles, como algumas
fazem na prestação de serviço. E as prefeituras, estados
e União fiscalizarem mensagens em placas, faixas e
avisos fontes campeãs de erros.
Todos concordam que a educação pública é péssima, a
particular é fraca, e que tem piorado a cada ano. Todos
os governos garantem o gasto necessário, mas a realidade
é que o Brasil vive na zona do rebaixamento nas
avaliações internacionais. E não seria necessário ir tão
longe, mas precisa ação urgente, com objetivo bem claro,
e que as avaliações visem demonstrar o aprendizado e não
se passa ou não de série. É preciso “calçar a sandália
da humildade” para reconhecer o desastre que é a
educação hoje no Brasil, e partir para o ataque em busca
de melhoria permanente e de forma crescente de um ano
para outro. Ao contrário do que escreveu Lya Luft na
Veja de 03 de fevereiro de 2010, “o Brasil tem uma
educação de quarto mundo”. Ficar atrás de países como
Bolívia e Equador causa certa “depressão” educacional, e
talvez seja o principal motivo de não sair da cantilena
e atingir qualidade no ensino.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP |