08/04/2011
 

 
 
PEQUENO GIGANTE
Pedro Israel Novaes de Almeida
 

            Não é preciso ser patriota ou estudioso para notar que o Brasil será uma das mais prósperas e ricas nações do mundo.

            Temos invejável tamanho, além de variados climas e solos, capazes de verterem alimentos em quantidades que superam em muito nosso consumo interno. Não nos faltam recursos hídricos, e contamos com expressivas reservas minerais e fósseis, em vias de adentrarmos o seleto clube dos grandes produtores de petróleo.

            Somos um celeiro de pesquisadores, atletas, artistas, empreendedores e livres pensadores, reconhecidos em todo o mundo. Nosso potencial turístico atrai interessados nos mais diversos ambientes e paisagens.

            Somos um amontoado de etnias, das mais diversas origens, e não temos um tipo padrão, motivo pelo qual nossos passaportes são campeões mundiais de falsificação. Podem ser brasileiros tanto o negro escuro quanto o branco albino, tanto o que fala com sotaque chinês como o que usa vestes árabes.

            Conseguimos domesticar a inflação, disseminadora de misérias e incertezas, e hoje os governos são mais responsáveis, mantendo-a sob cuidado e vigilância. As novas gerações tiveram a felicidade de não conviver com preços diariamente reajustados, mas ainda não demos o devido crédito e valor aos brasileiros que edificaram tal milagre.

            Prestes ao crescimento, esbarramos agora na falta de mão-de-obra qualificada e desqualificada condição político-administrativa. Não conseguimos virar a página da má educação e ainda somos escravos de conduções públicas ineficientes, corruptas e perdulárias.

            Temos, ainda, o desafio de operar a inclusão social, sem a adoção de políticas racistas ou preconceituosas. A melhor inclusão é aquela que não exclui, e só o crescimento, com educação e renda, pode gerar tal milagre. Incluir uns, excluindo outros, é trocar seis por meia dúzia, desestimulando e punindo o mérito.

            Nossa aparente paz social ainda é um silencioso festival de horrores, que impera na imprevidência da saúde pública, nos entulhados pontos de ônibus, na barbárie dos cárceres, na irresponsável falta de saneamento das periferias, na impune e contínua disseminação do crack e na insegurança que todos experimentamos. Apesar de vigoroso e promissor, o Brasil ainda é conhecido como o país do jeitinho, não muito sério.

            Nossos problemas são tão grandiosos quanto nossas virtudes e potencial, mas ainda cabe muito orgulho e patriotismo, pois conseguimos atravessar cinco séculos, pontuados por desmandos, e ainda temos muita cultura a preservar, muitos valores a cultuar, e muita esperança, a nutrir.

            São muitos os encantos dos capitais externos que buscam portos seguros, para pernoites especulativos ou investimentos apátridas. Devemos impedir que nosso solo seja controlado por interesses estranhos, e nossas instituições corrompidas, a pretexto de atrair e manter poupanças externas. Devemos negociar os anéis, não os dedos.

                                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.