Não é preciso ser
patriota ou estudioso para notar que o
Brasil será uma das mais prósperas e ricas
nações do mundo.
Temos invejável
tamanho, além de variados climas e solos,
capazes de verterem alimentos em quantidades
que superam em muito nosso consumo interno.
Não nos faltam recursos hídricos, e contamos
com expressivas reservas minerais e fósseis,
em vias de adentrarmos o seleto clube dos
grandes produtores de petróleo.
Somos um celeiro
de pesquisadores, atletas, artistas,
empreendedores e livres pensadores,
reconhecidos em todo o mundo. Nosso
potencial turístico atrai interessados nos
mais diversos ambientes e paisagens.
Somos um
amontoado de etnias, das mais diversas
origens, e não temos um tipo padrão, motivo
pelo qual nossos passaportes são campeões
mundiais de falsificação. Podem ser
brasileiros tanto o negro escuro quanto o
branco albino, tanto o que fala com sotaque
chinês como o que usa vestes árabes.
Conseguimos
domesticar a inflação, disseminadora de
misérias e incertezas, e hoje os governos
são mais responsáveis, mantendo-a sob
cuidado e vigilância. As novas gerações
tiveram a felicidade de não conviver com
preços diariamente reajustados, mas ainda
não demos o devido crédito e valor aos
brasileiros que edificaram tal milagre.
Prestes ao
crescimento, esbarramos agora na falta de
mão-de-obra qualificada e desqualificada
condição político-administrativa. Não
conseguimos virar a página da má educação e
ainda somos escravos de conduções públicas
ineficientes, corruptas e perdulárias.
Temos, ainda, o
desafio de operar a inclusão social, sem a
adoção de políticas racistas ou
preconceituosas. A melhor inclusão é aquela
que não exclui, e só o crescimento, com
educação e renda, pode gerar tal milagre.
Incluir uns, excluindo outros, é trocar seis
por meia dúzia, desestimulando e punindo o
mérito.
Nossa aparente
paz social ainda é um silencioso festival de
horrores, que impera na imprevidência da
saúde pública, nos entulhados pontos de
ônibus, na barbárie dos cárceres, na
irresponsável falta de saneamento das
periferias, na impune e contínua
disseminação do crack e na insegurança que
todos experimentamos. Apesar de vigoroso e
promissor, o Brasil ainda é conhecido como o
país do jeitinho, não muito sério.
Nossos problemas
são tão grandiosos quanto nossas virtudes e
potencial, mas ainda cabe muito orgulho e
patriotismo, pois conseguimos atravessar
cinco séculos, pontuados por desmandos, e
ainda temos muita cultura a preservar,
muitos valores a cultuar, e muita esperança,
a nutrir.
São muitos os
encantos dos capitais externos que buscam
portos seguros, para pernoites especulativos
ou investimentos apátridas. Devemos impedir
que nosso solo seja controlado por
interesses estranhos, e nossas instituições
corrompidas, a pretexto de atrair e manter
poupanças externas. Devemos negociar os
anéis, não os dedos.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.