10/06/2011
 

 
 
     
 

RIQUEZA E FELICIDADE

Pedro Israel Novaes de Almeida

 

            Dizem, pobres e ricos, que riqueza não traz felicidade.

            Na verdade, a riqueza traz comodidade. Ricos não precisam de descida para o funcionamento dos carros, nem estão submetidos aos apertos do transporte público.

            Ricos possuem mais acesso aos tratamentos de saúde, à cultura educação e até mesmo ao embelezamento. Ricos, embora mais assediados, vivem em ambientes mais seguros.

            Muitos problemas dos ricos são simplesmente encaminhados à assessoria, mormente jurídica, enquanto o pobre fica batendo boca, à busca de uma solução.

            Invejamos, nos ricos, a mobilidade, propiciando viagens e estadias as mais diversas. Ricos podem passar o inverno no nordeste e o verão os estados do sul.

            A riqueza repentina costuma ser catastrófica, aos despreparados. Não é raro, em novos ricos, a descaracterização da personalidade, gerando repentes de mando e quereres, como se fossem o centro do universo. Adquirem facilmente novos vícios ou tentam trocar a mulher, de 50, por duas de 25.

            A riqueza não gera distorções, quando acumulada ao longo do tempo, de maneira lícita e trabalhosa. A riqueza é bela e cativante, e jamais constitui crime, quando produto de trabalho acumulado ou virtude premiada, própria ou de gerações.

            A riqueza deve ser uma conseqüência, jamais um objetivo de vida. A sociedade está repleta de ricos infelizes, por atuarem em profissões escolhidas pela rentabilidade, não pelo prazer ou pendor pessoal. As reais vocações dos ricos costumam aparecer na terceira idade, sob a forma de hobbies.

            A riqueza não traz felicidade, mas a pobreza pode trazer infelicidade, na medida em que a dependência da vontade e ânimo alheios chega ao extremo de comprometer a própria liberdade. É difícil, e parece irreal, dizer ao pobre que não consegue curar ou estudar o filho, que a riqueza é uma ilusória quimera.

            Em países menos excludentes, e ambientes mais humanizados, a pobreza não infelicita, e a riqueza não se sobrepõe. Aos poucos, estamos construindo legiões cada vez maiores de remediados, que não experimentam as agruras da pobreza nem sentem falta dos luxos da riqueza.

            São os remediados que estabilizam o meio social, amparando a pobreza e dando segurança à riqueza. É a chamada classe média quem recolhe mais impostos de consumo e renda, embora pouco referida nos discursos e homenagens.

            A pobreza não será extirpada liquidando-se a riqueza, mas a riqueza não é estável, em ambiente de alastramento da pobreza. Existe um parâmetro ético que deve nortear a fruição das riquezas.

            Findo o artigo, abreviado pelo frio que quase congela os dedos, resta reafirmar o óbvio, de que é melhor ser rico, com saúde, que pobre doente.

                                                                       pedroinovaes@uol.com.br

            O autor, remediado, é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.