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RIQUEZA E FELICIDADE
Pedro Israel Novaes
de Almeida
Dizem,
pobres e ricos, que riqueza não traz
felicidade.
Na
verdade, a riqueza traz comodidade.
Ricos não precisam de descida para o
funcionamento dos carros, nem estão
submetidos aos apertos do transporte
público.
Ricos
possuem mais acesso aos tratamentos
de saúde, à cultura educação e até
mesmo ao embelezamento. Ricos,
embora mais assediados, vivem em
ambientes mais seguros.
Muitos
problemas dos ricos são simplesmente
encaminhados à assessoria, mormente
jurídica, enquanto o pobre fica
batendo boca, à busca de uma
solução.
Invejamos, nos ricos, a mobilidade,
propiciando viagens e estadias as
mais diversas. Ricos podem passar o
inverno no nordeste e o verão os
estados do sul.
A riqueza
repentina costuma ser catastrófica,
aos despreparados. Não é raro, em
novos ricos, a descaracterização da
personalidade, gerando repentes de
mando e quereres, como se fossem o
centro do universo. Adquirem
facilmente novos vícios ou tentam
trocar a mulher, de 50, por duas de
25.
A riqueza
não gera distorções, quando
acumulada ao longo do tempo, de
maneira lícita e trabalhosa. A
riqueza é bela e cativante, e jamais
constitui crime, quando produto de
trabalho acumulado ou virtude
premiada, própria ou de gerações.
A riqueza
deve ser uma conseqüência, jamais um
objetivo de vida. A sociedade está
repleta de ricos infelizes, por
atuarem em profissões escolhidas
pela rentabilidade, não pelo prazer
ou pendor pessoal. As reais vocações
dos ricos costumam aparecer na
terceira idade, sob a forma de
hobbies.
A riqueza
não traz felicidade, mas a pobreza
pode trazer infelicidade, na medida
em que a dependência da vontade e
ânimo alheios chega ao extremo de
comprometer a própria liberdade. É
difícil, e parece irreal, dizer ao
pobre que não consegue curar ou
estudar o filho, que a riqueza é uma
ilusória quimera.
Em países
menos excludentes, e ambientes mais
humanizados, a pobreza não
infelicita, e a riqueza não se
sobrepõe. Aos poucos, estamos
construindo legiões cada vez maiores
de remediados, que não experimentam
as agruras da pobreza nem sentem
falta dos luxos da riqueza.
São os
remediados que estabilizam o meio
social, amparando a pobreza e dando
segurança à riqueza. É a chamada
classe média quem recolhe mais
impostos de consumo e renda, embora
pouco referida nos discursos e
homenagens.
A pobreza
não será extirpada liquidando-se a
riqueza, mas a riqueza não é
estável, em ambiente de alastramento
da pobreza. Existe um parâmetro
ético que deve nortear a fruição das
riquezas.
Findo o
artigo, abreviado pelo frio que
quase congela os dedos, resta
reafirmar o óbvio, de que é melhor
ser rico, com saúde, que pobre
doente.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor,
remediado, é engenheiro agrônomo e
advogado, aposentado. |