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| 10/10/2011 |
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Não há qualquer
incompatibilidade entre Ciência
e Religiosidade, nem também
entre Religiosidade e
Democracia.
Sobre a coerência
entre o pensamento científico e
as concepções religiosas, já
Einstein dava o seu testemunho
afirmando que a Religião e a
Ciência eram complementares: “a
Ciência sem a Religião é manca;
a Religião sem a Ciência é
cega.”
Max Jammer, que
foi colega de Albert Einstein em
Princeton, testemunha que este
entendia pudesse um cientista
ser um homem religioso. A visão
de Einstein era de uma
perspectiva cósmica, não
antropomórfica, de Deus. O
caminho científico, diversamente
do caminho religioso, é mais
abstrato e menos sincrético. No
final da trajetória, entretanto,
ambos os caminhantes podem
ver-se irmanados à face do
divino.
Ieda Assumpção
Tillmann, Cristina Lopes Horta,
Paulo Sousa e Flávio M. de
Oliveira, pesquisadores da
Universidade Católica de
Pelotas, observam que o exame
mais detalhado das relações
entre religiosidade e condições
físicas, psíquicas e sociais do
indivíduo só pôde ocorrer depois
que a cultura conseguiu
desatrelar-se do pensamento
positivista, dominante até o
século XX. Nas últimas décadas,
o processo de emergência de um
novo paradigma é que deu
sustentação para que, em lugar
de distanciamento e
desconfiança, surgisse
proximidade e interesse
recíproco entre religiosos e
cientistas.
Andrew Newberg,
professor da Universidade da
Pensilvânia, evidenciou aumento
significativo da atividade
cerebral, na região do córtex
pré-frontal, durante a
meditação, o que é consistente
com o processo de atenção
focalizada.
Wolfgang Maass,
pesquisador de Neurobiologia do
Instituto Salk (Estados Unidos),
constatou que orações podem
ajudar a curar doentes. Preces
rezadas, antes das intervenções
médicas em pacientes que se
submeteriam a angioplastias,
trouxeram resultados positivos,
formando, assim, um elo entre
espiritualidade e saúde.
Quanto à
coerência entre Religiosidade e
Democracia, só não existe essa
coerência dentro de uma visão
fundamentalista de Fé.
O
Fundamentalismo, ou seja, a
pretensão de deter toda a
verdade, a intolerância para com
o divergente, o carimbo de
herege aposto aos que discordam
não é monopólio do Islã, como
tantas vezes se propala. Também
entre os cristãos existem
fundamentalistas.
A Religiosidade
não é fundamentalista. O
Fundamentalismo é, a meu ver,
uma corrupção da Religiosidade.
A Religiosidade coere
perfeitamente com uma concepção
democrática de vida e de
sociedade.
João Baptista
Herkenhoff é Professor
pesquisador da Faculdade Estácio
de Sá do Espírito Santo,
palestrante Brasil afora e
escritor. Acaba de lançar Curso
de Direitos Humanos, seu
quadragésimo segundo livro, que
saiu pela Editora Santuário, de
Aparecida, SP. E-mail:
jbherkenhoff@uol.com.br
Homepage:
www.jbherkenhoff.com.br
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