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Reação às investigações do CNJ
Pedro Cardoso da Costa
Venha de onde vier,
torna-se preocupante toda vez que
uma reação se torna exagerada e
descabida com relação ao ato ou ação
contra o qual se insurja. Está neste
patamar a revolta de alguns
ministros da mais alta corte de
Justiça do Brasil, apoiada pelas
várias associações representativas
da categoria, contra a ministra
Eliana Calmon, corregedora do
Conselho Nacional de Justiça.
Começou quando a
ministra afirmou a existência de
bandidos de toga. Caberia a
indagação desnecessária se alguém
tem dúvida sobre a existência deles.
Já há muito tempo surgiram acusações
de que magistrados vendiam habeas
corpus; não é de agora que se
“castigam” magistrados, inclusive
ministros, com aposentadorias
compulsórias com salários integrais.
E todos têm conhecimento de que no
Brasil ainda vige o faz de conta nas
investigações envolvendo pares.
Tem diferença de
tratamento pela Justiça brasileira
no julgamento conforme os envolvidos
sejam ricos ou pobres. É fato, pelo
menos até aqui, que rico nunca foi
nem tem sido punido pelos seus
crimes no Brasil. O mensalão é a
maior prova disso.
Mesmo com a vigência
do princípio constitucional da
publicidade na administração pública
(CF, art.37), nas investigações de
magistrados, logo no início se
manifesta a proteção com uma tarja
preta trazendo a inscrição “segrede
de justiça”. Em consequência, a
sociedade não conhecerá o porquê,
como, e se as etapas desenvolvidas
estão dentro do prazo nessas
investigações. Esse segredo só
protege a quem tem necessidade de se
esconder atrás dele. A partir daí,
tudo pode acontecer na mais perfeita
normalidade e legalidade, sustentado
pelo mais absoluto desconhecimento
da sociedade.
Lula tinha razão
quando se pronunciou, mas nada fez,
pela abertura da caixa-preta do
Poder Judiciário brasileiro. Eliana
Calmon nem a este ponto chega.
Apenas faz o seu dever como as
normas exigem. Mas parece que o
Conselho Nacional de Justiça fora
criado para integrar os demais
órgãos de investigação que não
trazem nenhum resultado. Chegou lá a
ministra que faz as coisas como
devem ser feitas. Chegou uma
corregedora que não se deixa, ou
tenta, não se intimidar pelos
fervorosos defensores dos
investigados. Pessoa certa; cargo
certo; órgão certo; não dá certo
para uma missão errada.
Com pedido ao
procurador-geral de Justiça para
investigar a investigadora, as
associações dos Magistrados
Brasileiros (AMB), dos Juízes
Federais do Brasil (Ajufe) e
Nacional dos Magistrados (Anamatra)
têm o propósito claro de amedrontar
à corregedora, sem nenhuma clareza,
ao menos explícita, de qual seja o
verdadeiro objeto defendido.
Na área de atuação
das várias polícias e justiças, o
pecado capital é o patrimônio, sem
dúvida. Na Justiça ainda impera uma
morosidade vergonhosa. Além das
muitas dúvidas sobre o que gera essa
demora infinita, no mínimo, deveria
causar estranheza a quantidade de
soltura de gente rica por meio de
habeas corpus concedidos por
instâncias superiores. É um prende e
solta impressionante. Às vezes são
até preventivos, como o concedido ao
tal Helinho. Numa contradição
criminosa, milhares de pobres são
esquecidos nas cadeias sem
julgamento. Essa equação é, no
mínimo, atípica, como são as 150
transações apontadas pelo Conselho
de Controle de Atividades
Financeiras (COAF), que, mesmo
diante de um tsunami de resistência,
a ministra tenta investigá-las. A
sociedade brasileira precisa
proteger a ministra enquanto há
tempo para que não seja fritada por
essa gente poderosa e assombrada com
os resultados da investigação.
Pedro Cardoso da
Costa – Interlagos/SP
Bacharel em
direito |
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