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GERAÇÕES
Pedro Israel Novaes
de Almeida
O
incremento das comunicações e a
longevidade humana tornaram mais
intenso o convívio entre diferentes
gerações.
Não é
fácil a coexistência entre pessoas
criadas e formadas em ambientes de
costumes e valores tão
diferenciados, com idades que chegam
à diferença de oitenta anos.
Um pai,
nascido nos anos cinqüenta, fica
inconsolável quando a filha
telefona, avisando que vai pernoitar
na casa do namorado, cujos pais
viajaram. Se o telefonema fosse do
filho, ficaria orgulhoso.
Os de
média ou adiantada idade sentem
calafrios perante piercings, e têm a
incômoda sensação de marginalidade,
perante qualquer tatuagem.
Civilizadamente, não manifestam
qualquer estranheza, só comentada no
ambiente familiar.
Aos
idosos é estranho o fato de pessoas
passarem horas e horas perante o
computador, conversando à distância
ou por códigos indecifráveis. Também
lhes parece estranho o silêncio
familiar, durante as novelas ou
noticiários da TV.
Os
idosos, que passaram a infância e
juventude jantando, sentem saudades
das sopas, agora substituídas por
lanches. Também estranham as praças,
hoje meros atalhos, sem crianças,
rodas de conversa e coreto.
Aos
jovens, a vida de antigamente mais
parecia uma aventura, sem qualquer
protetor solar, alimentos sem data
de validade e tênis sem solados
especiais. A TV era um festival de
chuviscos e chiados, e o rádio
repercutia raios e trovões.
A
inovação que os veteranos aplaudem é
a emancipação feminina, embora não
vejam com bons olhos o marido
cozinhando e lavando roupas,
enquanto a mulher provê o orçamento
familiar.
Os idosos
parecem acreditar na enganosa
sensação de que suas gerações liam
mais, e haviam mais poetas e
literatos. Na verdade, as novas
gerações são mais informadas e
cultas, e, em outro estilo,
igualmente românticas.
Pouco
mudou, ao longo dos anos, o
desinteresse pela política e a
aversão aos políticos. Gerações
intermediárias, hoje na faixa dos 50
aos 70 anos, experimentaram momentos
de grandes manifestações populares,
quando das lutas pela liberdade de
expressão e democracia.
As novas
gerações contam com as redes
sociais, que rompem quaisquer
barreiras geográficas ou políticas,
eliminando censuras e criando um
poder que ultrapassa mídias e
governos, movendo massas e
distribuindo idéias. As gerações
anteriores padeciam de comunicações
lentas, truncadas, e, não raro,
pouco ilustradas.
As
inovações tecnológicas não geram
conflitos entre gerações. Os pontos
de discórdia, que dificultam o
entendimento, resultam de
desrespeitos a valores culturais e
morais, que resistem ao passar do
tempo e aos progressos sociais
materiais.
As
gerações de outrora não conseguem
conviver com o avanço das drogas, a
banalização do sexo, a violência que
restringe a liberdade de ir e vir, a
superficialidade dos
relacionamentos, a selvageria das
concorrências e a supremacia das
minorias. Estão certas.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |