Direitos Humanos: podem ser
celebrados?
24 de Outubro,
Dia das Nações Unidas. A data é
oportuna para tratar do tema
deste artigo, pois um dos
objetivos perseguidos na criação
da ONU foi a pregação dos
Direitos Humanos.
Apesar de todas
as negações de Humanismo, na
sociedade brasileira e no mundo,
podemos celebrar os Direitos
Humanos?
Isto porque os
Direitos Humanos constituem uma
conquista na longa e muitas
vezes penosa caminhada da
Humanidade.
A Declaração
Universal dos Direitos Humanos é
documento fundamental, como
expressão desta caminhada. Mas
não foi uma obra instantânea,
nem foi produto de um círculo
reduzido de pensadores europeus
e norte-americanos. Filósofos,
profetas, líderes religiosos,
gente anônima do povo, de todos
os Continentes, de épocas as
mais recuadas contribuíram para
a formação deste patrimônio da
cultura humana, que a Declaração
tentou corporificar.
Além disso, os
Direitos Humanos não se
estabilizaram na Declaração
formulada em 1946. Acréscimos e
enriquecimentos posteriores
foram feitos.
Por outro lado,
expressões anteriores de
Humanismo não foram plenamente
ouvidas pelo documento que a ONU
aprovou.
De tudo isto se
conclui que a Declaração
Universal dos Direitos Humanos é
um texto da mais alta
relevância. Entretanto, essa
Proclamação não monopoliza os
ideais de Direitos Humanos
presentes na História e no grito
de Justiça dos homens e
mulheres, sobretudo daqueles
que, por qualquer circunstância,
se encontrem numa situação de
opressão.
A ideia de
Direitos Humanos é fundamental
para a vida brasileira de hoje.
Negações de humanismo estão
presentes no nosso cotidiano:
desde as grandes negações, como
aquelas que marginalizam parcela
ponderável do povo, até negações
a varejo como, por exemplo,
fazer olho cego à cena de uma
pessoa atropelada numa estrada.
Entendemos que
sejam princípios cardeais de
Direitos Humanos aqueles
estatuídos pela Declaração
Universal aprovada pela ONU e
aqueles que constam de
proclamações complementares.
Dentre estas devem ser citadas a
Carta Universal dos Direitos dos
Povos, a Carta Africana dos
Direitos Humanos e dos Povos, a
Carta Americana de Direitos e
Deveres do Homem, a Declaração
Islâmica Universal dos Direitos
do Homem, a Declaração Solene
dos Povos Indígenas do Mundo.
Essa enumeração não exclui
outros documentos que buscaram,
nas mais diferentes situações e
lugares, afirmar o princípio
fundamental da dignidade da
pessoa humana.
Se crianças que
perambulam por nossas ruas, sem
pão e sem teto, são
assassinadas, essas mesmas
crianças são capazes de lutar
por sua própria Humanidade nesta
bela afirmação de "Direitos
Humanos" que é o Movimento
Nacional de Meninos e Meninas de
Rua.
Por isto creio
que os Direitos Humanos devem
ser celebrados, cotidianamente.
Seja essa celebração o pão nosso
de cada dia.
João Baptista
Herkenhoff, 75 anos, magistrado
(aposentado), professor (em
atividade) na Faculdade Estácio
de Sá do Espírito Santo,
palestrante Brasil afora,
escritor. Acaba de publicar:
Curso de Direitos Humanos
(Editora Santuário, Aparecida,
SP).
P. S. – É livre a
divulgação deste texto, por
qualquer meio ou veículo.
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