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O jornalista Boris
Casoy, sem perceber que o microfone estava aberto,
arriscou um gracejo a respeito dos garis, direcionado
aos colegas de emissora. Percebendo que sua fala havia
sido transmitida a todo o país, imediata e acertadamente
desculpou-se.
As gafes televisadas não constituem
episódios raros, e já atingiram personalidades e
artistas os mais diversos. Geralmente, acabam causando
risos e compreensão. O presidente Lula e Pedro Bial com
certeza não sofrem de homofobia, nem o ex-presidente FHC
julga que os aposentados são vagabundos, como deixaram
transparecer frases soltas, absolutamente fora de
contexto.
O caso de Boris Casoy, contudo, vem tomando
estranhos rumos, e o jornalista vem sendo vítima de
linchamento público, com evidente motivação política.
Foram ao fundo do baú à procura de indícios de que
Boris, ainda jovem, era profundamente anti-comunista, a
ponto de, supostamente, haver colaborado com o
estapafúrdio CCC, Comando de Caça aos Comunistas.
Sem havermos pertencido ao CCC e sem
havermos sido comunistas, estamos plenamente à vontade,
para lamentar o policiamento político, com ares de
vingança, que tem varrido a internet, contra a honra e o
próprio emprego de Boris Casoy.
É explicável que muitos jovens, à época do
regime de exceção, tenham posições políticas as mais
diversas, produto também da guerra de informações e
contra-informações, entre duas ditaduras: a instalada,
de direita, e a que se pretendia instalar, de esquerda,
no estilo proletariado. Na época, sofriam os jovens que
negavam apoio a ambos os lados, sonhando com a liberdade
e democracia plenas.
O tempo passa e as pessoas evoluem, não sendo justo
marca-las, qual gado, para a vida inteira. Boris, com
seus comentários, já prestou relevantes serviços à
democracia brasileira, sendo famoso pela frase que todos
desejaríamos gritar : “É uma vergonha”.
A considerarmos as pessoas pelo que professavam em
alguma fase de sua remota juventude, seríamos levados ao
erro de considerarmos que os governos estão inchados de
cidadãos que ainda pretendem implantar a ditadura do
proletariado.
É estranho que a onda de linchamento direcionada a Boris
Casoy já pouco cite a infeliz brincadeira que fez com os
garis, mas simplesmente revolva o passado de suas
convicções políticas. Os garis, no caso, parecem mais
pretexto que objeto de defesa.
Não conhecemos pessoalmente o jornalista Boris Casoy,
nem temos qualquer interesse pessoal em sua defesa, mas
é incômodo presenciarmos acusações com fundamento em
questões remotas, tipificando verdadeiros tribunais de
exceção.
Defendemos não a pessoa do jornalista, mas o respeito
humano e o direito de cada um a ter, em determinada fase
da vida, a ideologia que bem lhe aprouver.
Quanto aos garis, soa lógico que Boris nada tem contra a
categoria, e fez uma infeliz brincadeira, pedindo
desculpas. A história seria simples, não fosse o
linchamento que, com certeza, não partiu de nenhum gari.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. |