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15/01/2010
 
 

DEFENDENDO BORIS

 

            O jornalista Boris Casoy, sem perceber que o microfone estava aberto, arriscou um gracejo a respeito dos garis, direcionado aos colegas de emissora. Percebendo que sua fala havia sido transmitida a todo o país, imediata e acertadamente desculpou-se.

 

            As gafes televisadas não constituem episódios raros, e já atingiram personalidades e artistas os mais diversos. Geralmente, acabam causando risos e compreensão. O presidente Lula e Pedro Bial com certeza não sofrem de homofobia, nem o ex-presidente FHC julga que os aposentados são vagabundos, como deixaram transparecer frases soltas, absolutamente fora de contexto.

 

            O caso de Boris Casoy, contudo, vem tomando estranhos rumos, e o jornalista vem sendo vítima de linchamento público, com evidente motivação política. Foram ao fundo do baú à procura de indícios de que Boris, ainda jovem, era profundamente anti-comunista, a ponto de, supostamente, haver colaborado com o estapafúrdio CCC, Comando de Caça aos Comunistas.

 

            Sem havermos pertencido ao CCC e sem havermos sido comunistas, estamos plenamente à vontade, para lamentar o policiamento político, com ares de vingança, que tem varrido a internet, contra a honra e o próprio emprego de Boris Casoy.

 

            É explicável que muitos jovens, à época do regime de exceção, tenham posições políticas as mais diversas, produto também da guerra de informações e contra-informações, entre duas ditaduras: a instalada, de direita, e a que se pretendia instalar, de esquerda, no estilo proletariado. Na época, sofriam os jovens que negavam apoio a ambos os lados, sonhando com a liberdade e democracia plenas.

 

O tempo passa e as pessoas evoluem, não sendo justo marca-las, qual gado, para a vida inteira. Boris, com seus comentários, já prestou relevantes serviços à democracia brasileira, sendo famoso pela frase que todos desejaríamos gritar : “É uma vergonha”.

 

A considerarmos as pessoas pelo que professavam em alguma fase de sua remota juventude, seríamos levados ao erro de considerarmos que os governos estão inchados de cidadãos que ainda pretendem implantar a ditadura do proletariado.

 

É estranho que a onda de linchamento direcionada a Boris Casoy já pouco cite a infeliz brincadeira que fez com os garis, mas simplesmente revolva o passado de suas convicções políticas. Os garis, no caso, parecem mais pretexto que objeto de defesa.

 

Não conhecemos pessoalmente o jornalista Boris Casoy, nem temos qualquer interesse pessoal em sua defesa, mas é incômodo presenciarmos acusações com fundamento em questões remotas, tipificando verdadeiros tribunais de exceção.

 

Defendemos não a pessoa do jornalista, mas o respeito humano e o direito de cada um a ter, em determinada fase da vida, a ideologia que bem lhe aprouver.

 

Quanto aos garis, soa lógico que Boris nada tem contra a categoria, e fez uma infeliz brincadeira, pedindo desculpas. A história seria simples, não fosse o linchamento que, com certeza, não partiu de nenhum gari.

 

                                                           pedroinovaes@uol.com.br

 

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.


 
   
     
 


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