17/06/2011
 

 
 
     
  GREVES
Pedro Israel Novaes de Almeida

 

            As greves constituem o recurso extremo, quando patrões e empregados discordam, a respeito de algum aspecto relevante da relação de trabalho.

            Categorias bem remuneradas atraem a antipatia popular, quando paralisam os serviços, por melhores salários. Taxistas retornam das greves diminuídos, pois grande parte dos clientes acaba aprendendo a freqüentar os ônibus urbanos.

            Serviços não essenciais possuem pequeno poder de pressão, quando paralisados.  É o caso de animadores de festas e carregadores de malas.

            Algumas greves são comemoradas, como a dos guardas multadores, fiscais de tributos e oficiais de justiça. Para parte dos brasileiros, a greve de alguns dos eleitos e comissionados não traria grandes prejuízos.

            A greve é inócua e impossível, aos aposentados. Aos militares, é vedada, motivo da engenhosa mobilização pública de mulheres e familiares, que não usam fardas. Existem paralisações que só afetam os empresários, sendo pouco ou nada sentidas pela população, a exemplo das encetadas por vendedores ambulantes de sorvetes.

            Existem greves que prejudicam a população, como a de médicos, motoristas de transportes coletivos, professores, lixeiros, socorristas e funcionários de empresas elétricas e de telefonia. A justiça estipula o índice necessário de manutenção dos serviços, para atenuar as perdas coletivas.

            Muitas vezes, a greve causa comoção social, pelo conhecimento da baixa remuneração ou precárias condições de trabalho, dos grevistas. A greve dos bombeiros cariocas, na verdade motim, desnudou o irrisório salário, na verdade soldo, da categoria, recordista em apoio da população, que a considera justa e necessária. Pecaram quando da invasão do quartel, extrapolando os limites legais e éticos de manifestação.

            As greves exigem civilidade. O primeiro mandamento da greve é a adesão voluntária, e ninguém pode impedir o acesso ao trabalho, por piquetes ou outro meio. Quando justa e inadiável, a greve surge com naturalidade e alta adesão.

            Motoristas de ônibus que, quando em greve, tentam impedir o funcionamento de veículos, depredando-os, agem como criminosos, não como reivindicadores.

             Na maioria dos estados, professores, policiais e médicos amargam baixos salários, incompatíveis com a relevância e necessidade dos serviços. O magistério ainda parece figurar, aos gestores públicos, como complemento da renda familiar, e prefeituras insistem na ilusão de que médicos cumprirão os horários tão economicamente contratados.

            Greves não podem ser banalizadas, devendo persistirem como recurso extremo. Em economias vigorosas, de pleno emprego, a concorrência acaba tornando desnecessárias as paralisações por aumento de salários. No Brasil, o perfil dos gastos públicos e a existência de elites comissionadas acabam gerando distorções e inconformismos que incentivam as paralisações.          

            As greves devem ser éticas, não transformando o atendimento à população em moeda de troca, em pleitos irrelevantes.

                                                                                              pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.