Pedro Israel Novaes
de Almeida
As
greves constituem o recurso extremo,
quando patrões e empregados
discordam, a respeito de algum
aspecto relevante da relação de
trabalho.
Categorias bem remuneradas atraem a
antipatia popular, quando paralisam
os serviços, por melhores salários.
Taxistas retornam das greves
diminuídos, pois grande parte dos
clientes acaba aprendendo a
freqüentar os ônibus urbanos.
Serviços não essenciais possuem
pequeno poder de pressão, quando
paralisados. É o caso de animadores
de festas e carregadores de malas.
Algumas greves são comemoradas, como
a dos guardas multadores, fiscais de
tributos e oficiais de justiça. Para
parte dos brasileiros, a greve de
alguns dos eleitos e comissionados
não traria grandes prejuízos.
A
greve é inócua e impossível, aos
aposentados. Aos militares, é
vedada, motivo da engenhosa
mobilização pública de mulheres e
familiares, que não usam fardas.
Existem paralisações que só afetam
os empresários, sendo pouco ou nada
sentidas pela população, a exemplo
das encetadas por vendedores
ambulantes de sorvetes.
Existem greves que prejudicam a
população, como a de médicos,
motoristas de transportes coletivos,
professores, lixeiros, socorristas e
funcionários de empresas elétricas e
de telefonia. A justiça estipula o
índice necessário de manutenção dos
serviços, para atenuar as perdas
coletivas.
Muitas
vezes, a greve causa comoção social,
pelo conhecimento da baixa
remuneração ou precárias condições
de trabalho, dos grevistas. A greve
dos bombeiros cariocas, na verdade
motim, desnudou o irrisório salário,
na verdade soldo, da categoria,
recordista em apoio da população,
que a considera justa e necessária.
Pecaram quando da invasão do
quartel, extrapolando os limites
legais e éticos de manifestação.
As
greves exigem civilidade. O primeiro
mandamento da greve é a adesão
voluntária, e ninguém pode impedir o
acesso ao trabalho, por piquetes ou
outro meio. Quando justa e
inadiável, a greve surge com
naturalidade e alta adesão.
Motoristas de ônibus que, quando em
greve, tentam impedir o
funcionamento de veículos,
depredando-os, agem como criminosos,
não como reivindicadores.
Na
maioria dos estados, professores,
policiais e médicos amargam baixos
salários, incompatíveis com a
relevância e necessidade dos
serviços. O magistério ainda parece
figurar, aos gestores públicos, como
complemento da renda familiar, e
prefeituras insistem na ilusão de
que médicos cumprirão os horários
tão economicamente contratados.
Greves
não podem ser banalizadas, devendo
persistirem como recurso extremo. Em
economias vigorosas, de pleno
emprego, a concorrência acaba
tornando desnecessárias as
paralisações por aumento de
salários. No Brasil, o perfil dos
gastos públicos e a existência de
elites comissionadas acabam gerando
distorções e inconformismos que
incentivam as paralisações.
As
greves devem ser éticas, não
transformando o atendimento à
população em moeda de troca, em
pleitos irrelevantes.
pedroinovaes@uol.com.br
O
autor é engenheiro agrônomo e
advogado, aposentado.