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18/02/2010
 
 

SERVIÇO INEFICIENTE 

 
 

      Não  é eficiente a atuação do funcionalismo público brasileiro. 
 

      Os salários parecem arbitrados mediante a suposição de pouco trabalho, ocupação supérflua ou despreparo profissional, e tal penúria atinge todos os que não pertencem às castas públicas, nababescas. 
 

      Nos municípios, ainda existe a ilusão de que médicos podem trabalhar meio período, em troca de cinco ou seis salários mínimos, enquanto comissionados políticos percebem quantias e respeitos superiores, para pensar, sem obrigação de horário, os assuntos das respectivas secretarias. Lixeiros, os que mais trabalham e menos recebem, são fiscalizados e automaticamente denunciados pelo lixo que não foi coletado, e pelos milhares de telefonemas, alertando para a falha. 
 

      Mesmo em municípios minúsculos, fiscais não conseguem relatar as calçadas obstruídas, os terrenos com mato alto, o comércio clandestino, as ocupações em áreas de risco, os buracos no asfalto, as depredações do patrimônio público, etc., etc. 
 

      A fiscalização, pouco ou precariamente efetuada, é negligenciada em todos os níveis de poder, e acionada quando algum órgão de imprensa resolve documentar os combustíveis adulterados, os ônibus clandestinos, os barcos sem licença ou com carga em excesso, a pirataria à luz do dia, os recantos evidentes das drogas, as obras que não seguem o projeto original, etc.,etc. 
 

      Premidos pelos baixos salários e distantes perspectivas de ascensão profissional, muitos aderem à errônea noção de que “ganha-se pouco, mas trabalha-se menos”. Os alunos não podem figurar como vítimas do baixo salário docente, e a aula mal administrada não compensa nem soluciona qualquer situação. 
 

      Administradores públicos, tentando amenizar a situação, idealizam terceirizações, não raro apressadas, mal gerenciadas, onerosas ou irresponsáveis. Um atendimento terceirizado de ligações à polícia, recentemente, resultou na morte de um cidadão, que tentou, inutilmente, relatar o risco que corria. 
 

      A tentativa de profissionalizar o funcionalismo, via acréscimo nos vencimentos, pode beneficiar portadores de especializações de pouca aplicabilidade, ou gerar situações grotescas e desestimulantes, como o caso de professores, que receberão quantias diferentes, para o mesmo magistério, no estado de São Paulo. As provas e títulos não possuem o condão mágico imaginado por muitos gestores, e acabam gerando onerosas e inócuas obrigações, às gestões seguintes. 
 

      A charge mais fiel das obras e serviços públicos certamente mostrará dois trabalhando, quatro fiscalizando, três fechando o trânsito e um fazendo discurso, enquanto cinco estarão em licença – saúde.     
 

      A máquina pública brasileira encontra-se repleta de compartimentos partidários, e foi subvertida e vulgarizada a nomeação para cargos comissionados, idealizados para irradiarem técnica e método. Não raro, é a indicação e patrocínio político, partidário e até mesmo familiar, quem acaba desestimulando e viciando a máquina oficial. É justa a sensação popular, de que o nomeado político trabalha para seu padrinho, e não para a sociedade. 
 

      O serviço público não pertence ao prefeito, governador ou presidente, nem deve ser moeda de troca com o legislativo. Faltam funcionários em setores essenciais, e sobram comissionados ao longo das estruturas de poder. 
 

      A solução não é fácil nem imediata, mas começa pelo respeito dos administradores à população, que custeia e necessita e dos serviços públicos. 
 

                                          pedroinovaes@uol.com.br 
 

      O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.


 
   
     
 


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