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Enfim aconteceu. Uma
autoridade importante do ponto de vista do cargo,
filmada na prática de corrupção da maneira mais
depreciativa que possa existir, se existisse gradação
para a corrupção. José Roberto Arruda já reincidente em
atos ilegais. Em 2001, o Brasil se espantou com o seu
cinismo ao afirmar que ninguém poderia apresentar uma
vírgula, uma vírgula, acentuou, de prova e, poucos dias
após, assumiu que teria participado da violação do
painel de votação do Senado.
Os atos de corrupção se tornaram corriqueiros. São
noticiados todos os dias há muito tempo, mas nada
resultava em punição e já estavam se tornando condutas
aceitas como naturais, mesmo sendo das mais desleais e
desonestas, pois retiram dinheiro arrecadado do povo,
por gente colocada pelo povo para zelarem do dinheiro de
todos.
Anteriormente, a Justiça se apegava às conjecturas dos
chamados bons advogados para não punir quaisquer
políticos, fosse grande, médio ou pequeno. Mas o saco de
político não enche e a mão grande foi aumentando, a
ponto de a reação aparecer. As gravações telefônicas
eram sempre contestadas sob o argumento de que as vozes
eram de outras pessoas. Agora, as câmeras desmascararam
de uma vez por todos.
Começou-se a punição por vereadores, subiu aos
prefeitos, chegou a alguns secretários estaduais,
atingiu alguns senadores, até, enfim, chegar a um
governador. E isso, com certeza, não é motivo para
festa, como falaram alguns, muito menos de tristeza,
apenas é motivo para sentir segurança nas instituições.
Apesar de cumprimento de lei não ser ato de vontade, mas
de dever do Poder Judiciário, isso nunca foi levado a
sério pelas instituições jurídicas brasileiras. As
detenções comprovam que foram feitas apenas para “pé-de-chinelo”.
Como contar com a impunidade já fazia parte da cultura
política nacional, quando a Justiça funcionou de fato, o
presidente Lula, mais uma vez, demonstrou seu total
desprezo pela ética, a maior marca de seu governo, e já
fez a análise invertida. Disse que não era bom para a
política ter um governador preso, quando é exatamente o
contrário: não é bom para a política ter um governador
corrupto e bandido solto.
Caso a corrupção continue generalizada, a prisão de
altos políticos tem que se tornar rotineira, não um caso
isolado, como foi a impeachment de Fernando Collor de
Mello.
Em que pese à escolha dos ministros do Superior Tribunal
de Justiça e do Supremo Tribunal Federal ser feita pelo
presidente da República, o exercício da função não fica
atrelado à vontade de Sua Excelência. Eis o grande
alento da Sociedade quanto à Justiça.
O caminho foi aberto. Daqui por diante a população pode
não saber quantos governadores verá presos, mas
preferirá todos os governadores corruptos no xadrez a
ver um só solto. Muitos estão amarelos só de imaginar se
alguma “reunião” está nas fitas a surgir a qualquer
momento na internet.
E, por isso, ainda que seja um único, dentro de uma
corrupção endêmica, 11 de fevereiro de 2010 entrará para
a História do Brasil. O dia em que, pela primeira vez um
governador foi preso, e no exercício do mandato. Apesar
do sofrimento do presidente da República, é mesmo
alentador.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito |