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Corrupção generalizada II
Estão estampadas em
todos os jornais e revistas as
notícias cafés-requentados de
corrupção no governo federal. Este
título já foi utilizado por mim há
muitos anos, por isso houve
necessidade do II. Mas, as
denúncias são no mesmo estilo, da
mesma forma, os acusados agem do
mesmo modo, tanto no “modus
operandi quanto no modus “defesandi”.
Não sabia, não conhece, nunca viu.
Depois de algumas imagens; ah, fui
apresentado, mas não sabia que ele
era ele mesmo. E assim, o festival
de cinismo, a versão mais
característica de uma administração
pública que não pune e se constituiu
como sinônimo de corrupção.
Já há corrupção no
próprio significado da palavra.
Alivia o que seria apenas furto
qualificado, por o objeto ser
dinheiro público. Pode ser elevada a
significar roubo, dependendo da
violência aplicada. Para se começar
um enfoque correto, seria preciso
trocar a escrita leve para o que
efetivamente ela é: furto ou roubo
do dinheiro público.
Outra qualificadora é
o fato de ser sempre oficial. Consta
um valor real do contrato que, em
surdina e previamente combinado, um
percentual, com denominação de
participação no lucro, cláusula de
sigilo ou confiabilidade, com muita
pompa, galhardia e oficialidade,
volta para os bolsos dos farsantes.
Num país com instituições
fiscalizadoras já consolidadas,
bastaria o patrimônio incompatível
com a renda dos funcionários para
configurar claramente a ilicitude.
Dureza mesmo é que a
corrupção passou a ser generalizada
em toda a extensão do território
nacional, bem como nos órgãos do
mais baixo até chegar à famosa Casa
Civil da Presidência da República,
que se tornou seu símbolo máximo,
tendo as caras de José Dirceu e de
Erenice Guerra como retrato físico.
Não há nada de
aprendizado nessa esbórnia toda.
Tamanho é o problema e tão arraigado
que nada é novidade; todos os
mecanismos são conhecidos; as
personagens, também e tolerância e
desfaçatez de todos. Todas as
instituições púbicas possuem seus
órgãos de Controle Interno. Existe
Procuradoria Geral da República com
representação em todos os estados;
existe Controladoria Geral da
República; existem tribunais de
conta de perder de vista. Órgãos
existem. O quê que há meus pais; quê
que há! Há dissimulação demais,
falta de comprometimento com as
próprias atribuições e, também há
muita gente interessada e querendo a
corrupção subjetivamente; mas
obrigada objetivamente a ser contra.
Mas sempre há um
aspecto que se torna diferenciado ao
menos na aparência. No caso do
governo Dilma Rousseff, o fato de
ela atribuir a responsabilidade aos
ministros sobre seus comandados, já
que era cultural dizer apenas que
desconheciam o que tinham por
obrigação conhecer. Outro ponto
relevante é que muitas denúncias
surgirem de gente indicada por seu
antecessor aponta que ou ela
realmente tem um perfil de
intolerância com a corrupção, ou não
assimilou corretamente a lição do
mestre. Além disso, vai ficar claro
que a presidenta terá que fazer uma
escolha entre agir forte, como
deveria, arriscando a incompreensão
da população e não conseguir a
reeleição; ou mudar para o jogo da
tolerância com a corrupção
desenfreada e assegurar seu próximo
mandato com tranquilidade, sempre em
nome da governabilidade, outra
vertente dos vários sinônimos de
corrupção. O Brasil só ganharia se a
presidenta optasse pelo risco da
perda pessoal em prol da
coletividade. Ah se presidenta
decidisse por essa grandeza! Ah se a
população se agigantasse e
retribuísse essa opção da
presidenta! A corrupção deixaria de
ser endêmica e passaria a casos
isolados, como a é em todas as
democracias consolidadas.
Independente da
escolha que fizer, a presidenta será
forçada a matar muitas baratas, por
opção ou não. Mas não pode demorar.
Duas precisam ser chineladas já,
rapidamente: os ministros da
Agricultura - sem mais comentários,
e o da Educação, pelo histórico de
desserviço prestado.
Pedro Cardoso da
Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito
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