|
|
Monopólios só fazem mal
Como conceito,
monopólio seria uma situação de
concorrência imperfeita em que
uma
empresa detém o
mercado de um determinado
produto ou serviço, impondo
preços aos que
comercializam. Monopólios podem
surgir devido a características
particulares de mercado, ou devido à
regulamentação governamental, o
monopólio coercitivo, e criam
uma particularidade econômica, em
que a curva de
demanda do bem fica
negativamente inclinada, na medida
em que a
demanda da
firma e a
demanda do
mercado são as mesmas.
Para o cidadão comum
torna-se de difícil percepção, pois
sua predominância maior recai em
camadas sociais que não consomem ou
quando há consumo é em baixa escala.
Além disso, varia de produtos, de
serviços ou de períodos, conforme as
políticas públicas funcionem mal
nesses ramos de atividade. Como
decorre da atuação exclusiva de uma
ou de pouquíssimas empresas, não há
parâmetro para auferir qualidade nem
concorrência suficiente para a
diminuição de valor, tornando o alto
custo à principal característica do
monopólio, seguido de má qualidade.
Culpada sempre pela
baixa qualidade do ensino, a
expansão universitária nos últimos
anos no Brasil acabou com os preços
escorchantes das universidades
particulares. Era comum a vibração
de alunos aprovados nessas
instituições no dia da divulgação de
resultados dos vestibulares. Também
havia o enaltecimento de muitos
parentes a algum estudioso por te
sido aprovado em várias instituições
privadas que, como hoje, tinham
muitas com pouca qualidade e algumas
com um bom ensino.
Esse tipo de domínio
é mais sentido na indústria e no
comércio. Na indústria ocorre mais
em razão de peculiaridades de
produto e certa limitação natural de
consumidores. Já no comércio, a
predominância decorre muito mais da
força econômica de determinados
grupos, impossibilitando outros de
atuarem na mesma atividade.
Na política, existe
uma variedade de componentes na
formação do monopólio de algumas
pessoas ou de clãs familiares, com
destaque para o poder econômico,
determinante na venda de falsa
imagem de bons candidatos, assim
como a predisposição de corrupção de
quase todos. Estaria para surgir
algum que gastasse mais do que
receberia durante o mandato apenas
por altruísmo. Hoje, as contas
eleitorais apontam despesas
milionárias para ganhos ínfimos.
Esse dado, de clareza ululante que
objetiva apenas a corrupção, está
comprovado com a queda intermitente
dos ministros do atual governo
federal. Outra evidência são as
cenas veiculadas na televisão de
políticos embolsando dinheiro até
nas cuecas.
Nos serviços,
atualmente o abuso ocorre por conta
das empresas de telefonia móvel. O
cidadão não tem como escolher um
preço mais vantajoso, dadas as
variedades de planos e de ofertas
entre as empresas. Umas cobram menos
ou quase nada se a ligação for entre
telefones da própria empresa, mas
exorbitam nas demais ligações.
Outras reduzem o valor de acordo com
o horário da ligação, até deixarem o
cidadão perdido entre aquelas que
variam tudo. Ora, o cidadão tem
sempre um lugar para onde liga
frequentemente, seja por que nasceu,
seja por que já morou ou trabalhou e
não tem como escolher a operadora
dessa cidade. Muitas delas nem
sequer são atendidas por
determinadas empresas, em respeito a
regras contratuais, o que não deixa
de caracterizar um monopólio. Um
exemplo corriqueiro ocorre quando ao
transportar uma pessoa doente para
um grande centro, ao passar na
cidade seguinte já não há
comunicação em razão do sinal
pertencer a outra operadora. Tem que
haver providências para que um chip
só funcione para todas as
operadoras, cabendo a escolha,
através de uma codificação, no
momento da ligação. Ou que todas as
operadoras sejam obrigadas a
instalar antenas com cobertura em
todo território nacional. Esse
monopólio precisa ajustar-se ou ser
ajustado pelo governo ou pela
Agência Nacional de Telecomunicações
– ANATEL. Não deveria haver
vantagens oferecidas, mas um preço
acessível a todos. Mas o fato do
mercado ser dominado por poucas
operadoras facilita o abuso
praticado por todas.
Além de outros abusos
regionalizados ou segmentados, nada
se compara ao da proibição de se
utilizar máquina fotográfica própria
nas festas de formatura. Nenhum
monopólio se sobrepõe ao dos
fotógrafos. Ninguém consegue tirar
fotografias com máquinas pessoais e
mandar revelar no tamanho que lhe
interessar, exatamente para pagar
preços aviltantes aos denominados
profissionais oficiais.
Pedro Cardoso da
Costa – Interlagos/SP
Bacharel em
direito |
|