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Neymar, pai
Não são raros os casos do surgimento
de filhos de pessoas famosas produto
de envolvimento quando solteiras ou
mesmo após o casamento. Nas décadas
anteriores a incidência era maior,
decorrência natural dos poucos meios
de prevenção e até da falta de
cultura na prevenção das gravidezes
não planejadas.
No Brasil, e talvez no mundo todo, a
prática do sexo seguro foi
intensificada após o surgimento da
AIDS no início da década de 80. Uma
doença ainda incurável, que tem como
meio de transmissão mais comum a
relação sexual. Ou seja, o receio de
contrair uma doença sem cura
tornou-se o maior programa de
planejamento familiar. Apesar do
receio, até hoje há muita
resistência à utilização de
camisinha nas relações sexuais.
Muitos homens casados infectaram
suas esposas e os jovens até hoje
não se previnem.
Ainda que em todas as épocas os
jovens sempre tenham buscado
projeção pessoal, fama e dinheiro,
de uns anos para cá, essa busca se
intensificou a tal ponto que, hoje,
são os próprios pais que colocam a
fama e dinheiro dos filhos como
objetivos próprios. Todo pai pobre
ou de classe média faz verdadeiros
investimentos para realizar o sonho
de ter um filho artista, jogador de
futebol ou piloto de Fórmula Um; não
pela realização, mas tão-somente
para conseguir muito dinheiro.
Até aí o único erro é fazer seu
projeto de vida à custa do esforço
alheio. Mas, por se preocuparem
demais em construir sua mina de
dinheiro, os pais não se preocupam
em transmitir valores éticos.
Prevalece o vale-tudo. O jovem fixa
a idéia de que deve se tornar rico
para “comer” todas as “minas”
possíveis, esnobar jóias e carrões,
inclusive com a transgressão de
todas as regras de trânsito, além de
passar por cima de todos. Fala-se
aqui de uma regra que, como todas,
têm suas exceções. Neymar não se
enquadra nessa exceção. Quanto ao
“comer”, vou defender em artigo que
a imprensa escreva as palavras
literalmente como foram
pronunciadas. Nada de mandou tomar
no c. Tem que dizer em quê.
Neymar já atingiu o estágio de fama
e de riqueza. Já se tornou ídolo
nacional e já ganha muito dinheiro.
Todos os jovens o seguem no corte,
penteado e cor do cabelo; na gíria
que utilizar e na comemoração do gol
que ele fizer. A regra do vale-tudo
pela fama também já alcançou as
mocinhas deste país. E ter um filho
de um famoso parece ser a realização
de grande parte delas.
O Estado brasileiro permite
legalmente que qualquer pessoa tenha
quantos filhos desejar. Com Neymar
não seria diferente, se suas ações
não gerassem influência na juventude
deste país. Os “neymarnias” deveriam
ser alertados de que devem ter
filhos quando tiverem condições
financeiras para cuidar; e a grande
maioria não tem.
Neymar costumar falar da boa relação
com a futura mãe do seu filho. Isso
denota que ele não a tem como uma
companheira e deixa implícito que
esse filho não foi programado. Eis
aí o seu principal e talvez, único
erro: não se cuidou suficientemente
para evitá-lo. Pelo meio em que vive
Neymar não faltou informação, não
faltou dinheiro; faltou cuidado,
tão-somente.
Não se tratou do cai-cai de Neymar
em campo e a marcação, cerrada e
justa, que os árbitros fazem em cima
dele agora. A imprensa brasileira
valoriza e ameniza essa conduta
desleal, sob o pretexto da
esperteza, que tanto mal faz ao
Brasil em todas as áreas. Essa
esperteza se reverteu e agora o
maior prejudicado é Neymar. Esse
jovem genial apenas se acostumou a
essa prática, sem perceber o mal que
fazia a si; mas isso não o exime do
resultado pela prática de seus atos.
Trata-se apenas da paternidade do
jovem, uma conduta pessoal, que diz
respeito somente a ele; mas de sua
influência social, ampliada nesses
episódios pela massificação da
mídia. Neymar deveria mencionar que
o jovem só deveria ter filho quando
planejasse, quando estivesse
preparado material e
psicologicamente e de que seu
exemplo só serviria se fosse pelo
inverso. Filho nunca deveria ser
resultado de descuido, seja de
famosos ou de comuns.
Pedro Cardoso da Costa –
Interlagos/SP
Bel. Direito |
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