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Algema neles!
Já houve essa repulsa
às algemas quando alguns larápios do
andar de cima vinham sendo algemados
e não eram cobertos pelo casaco de
algum policial que os prendia.
Expediu-se até uma norma instrutiva
com definição de quem e como
deveriam ser utilizadas.
Agora, a presidenta
Dilma Rousseff encabeçou novamente o
alto escalão que se insurge sempre
contra policiais que algemam seus
escolhidos diretos, ao serem presos
por roubarem o dinheiro de todos os
brasileiros. Não resta dúvida de que
os corruptos convictos obtiveram uma
vitória retumbante com o apoio da
presidente. Somente ela vai perder
com esse apoio, já que a presidenta
e seu ministro da Justiça
demonstraram estar do lado errado;
do lado errado. Essa reprovação às
ações da Polícia Federal só vêm
quando envolve gente de cima.
Ninguém nunca se manifestou contra
enquanto apenas os pobres eram
expostos, inclusive com uma
levantadinha no queijo pelos
policiais para os flashs das
televisões e de fotógrafos.
Defesa dessa ordem
tem colado no Partido dos
Trabalhadores e aos seus presidente
uma aversão a à ética e lisura com o
dinheiro e bens públicos. A
presidente foi de uma infelicidade
ímpar ao mencionar que a faxina deve
ser da pobreza. Uma não exclui a
outra, além de se o dinheiro público
fosse menos, ou não fosse, roubado,
possivelmente o Brasil já tivesse
faxinado a miséria do seu povo.
Os ministros dos
novos focos de corrupção agora não
conhecem nem os seus principais
auxiliares, mesmo alguns sendo amigo
desde a infância. O do Ministério
dos Transportes sequer conhecia um
“auxiliar” que, por ordem dele
mesmo, entrava pelo elevador
privativo, tinha sala exclusiva e
funcionários do ministério para
auxiliá-lo.
Dilima Rousseff só
vai perder muito se mudar a postura
e mantiver o ministro do Turismo e
outros que vierem a ser denunciados,
pois, pelo andar da carruagem,
parece ser questão de tempo. Ela não
tem o carisma que absolvia Lula de
todas as denúncias e o respaldou
sempre, mesmo sempre a favor dos
seus aloprados.
As ações da Polícia
Federal incomodam por serem a única
punição efetiva que os larápios
sofrem. Quando as apurações caem nas
mãos do Poder Judiciário, o tempo os
tem absolvidos, ou pela já
corriqueira falta de provas; ou pela
indústria da prescrição. Se Deus for
mesmo brasileiro, em 2012, o
brasileiro assistirá a maior sessão
circense de sua história, quando o
Supremo Tribunal Federal absolverá a
maior quadrilha da República. Como
recomenda o ministro Marco Aurélio
Mello, a liturgia do cargo será
devidamente observada, com aquela
linguagem ininteligível para os
mortais; milhares de leis e artigos
serão citados, uns combinados aos
outros e no final...
A carta de alforria
atestará que vale a pena roubar
dinheiro público no Brasil, desde
que não seja funcionário de nível
médio para baixo. Qualquer punição,
quando raramente ocorre, não os leva
ao xadrez, muito menos devolve um
centavo aos cofres públicos.
Jamais denominarei de
“desvio de verba”, “pagamento de
propina”, “preços acima do mercado”
e outros eufemismos dissimulados
para o que verdadeiramente é: roubo
de dinheiro público, qualificado,
por ser praticado por gente que
teria o dever e é bem pago, com
dinheiro da sociedade, para zelar
por ele.
Por enquanto, a
sociedade deve apoiar a Polícia
Federal para, somente ela, como deve
ser, analisar e decidir se há ou não
necessidade de algemá-los. E deixar
muito claro à presidente Dilma duas
opções para seu atual mimo da
corrupção: demiti-lo ou demiti-lo,
já tardiamente. Poderia até repensar
quanto à demissão do ministro do
Turismo, por ter sido escolhido em
razão do seu conhecimento profundo
do ofício, como provou o pagamento
com dinheiro público de passeio
turístico a um motel. Deve ter
comido muito bem, ou não, com o
dinheiro público. Motel serve
comida?
Pedro Cardoso da
Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito |
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