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AINDA
AS ARMAS
Pedro Israel Novaes
de Almeida
Bastou a
ação de um doido, em escola pública
do Rio de Janeiro, para que fosse
cogitado um novo plebiscito a
respeito da proibição da venda de
armas de fogo, no Brasil.
A idéia é
oportunista, tentando aproveitar a
comoção pública causada pelo
episódio, e soa revanchista, pois
dois terços da população já
demonstraram que discordam da
proibição. É incômoda a visão de
personalidades, que vivem cercadas
por seguranças armados, pregando o
desarmamento alheio.
O Brasil
possui uma das legislações mais
rígidas do mundo, que regula
satisfatoriamente a posse e porte de
armas. O doido carioca não conseguiu
qualquer arma de maneira legal, e o
plebiscito em cogitação não
desarmará criminosos.
Os
brasileiros têm aderido às campanhas
de desarmamento, entregando às
autoridades os materiais que julgam
desnecessários, sejam legais ou
ilegais. A arma legal, única que
deve ser possuída pela população não
marginal, tem nome, sobrenome,
endereço e responsabilidades.
O
desarmamento generalizado da
população tornará mais cômoda as
ações criminosas, pois bastará um
canivete, em mãos erradas, para que
sejam dizimados residentes na zona
rural ou bairros afastados, na zona
urbana. Por mais ágil que seja o
aparato policial, sua ação não é
imediata.
É o
porte, não a propriedade, que faz de
qualquer arma um risco à segurança
coletiva. Com justa razão, são
pouquíssimos os brasileiros com
autorização para portar armas.
Qualquer
objeto pode ser perigoso, quando mal
utilizado. Uma agulha de crochê, em
briga de velhinhas, pode ser fatal.
Na
verdade, as campanhas criam a falsa
ilusão de que o desarmamento
resultará em mais segurança e paz
social. Marginais podem roubar armas
legais, de cidadãos comuns,
profissionais de segurança, fóruns,
delegacias, quartéis, etc., ou
adquiri-las ao longo de nossa frágil
fronteira. Alguns podem, ainda,
produzi-las, artesanalmente. A única
conseqüência comprovada do
desarmamento é a maior insegurança
do cidadão.
A
população brasileira é,
predominantemente, desarmada. A
auto-defesa é direito legislado e
necessidade de muitos cidadãos.
Ninguém solicita a posse de alguma
arma, sem real necessidade, pois o
deferimento gera responsabilidades
agigantadas, decorrentes da guarda
segura e uso extraordinário. O
Estado tem a responsabilidade de
avaliar se o cidadão interessado tem
condições psicológicas e materiais
para a aquisição, guarda e manejo de
qualquer arma.
Talvez
venha, por aí, mais um plebiscito,
desnecessário, custoso e perigoso,
capaz de garantir, tão somente aos
ricos e autoridades, a segurança. A
arma, negada ao cidadão comum,
poderá ser contratada pelos ricos,
como ingrediente de qualquer pacote
de segurança.
Restar-nos-á esgrimir cabos de
vassoura, ferver frigideiras de
óleo, aprender a atirar flechas e
lanças, possuir dezenas de cães no
quintal ou pedir à sogra que dê o
primeiro combate, enquanto a polícia
não chega.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |
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