22/10/2011
 

 
 
     

 

ESPORTES SEM RIVALIDADE

Pedro Israel Novaes de Almeida

 

São divertidos os Jogos Regionais dos Idosos.

            Os atletas não aparentam qualquer preocupação com os resultados, embora cuidem de demonstrar habilidades e esforços. Importa-lhes a convivência e o ânimo da participação.

            Há modalidades em que são imbatíveis, como bocha, buraco, damas, malha, dominó, truco e xadrez. Os baralhos costumam chegar ao fim de cada jogo desfalcados, sendo necessária a reposição de cartas, misteriosamente desaparecidas.

            Os atletas dos esportes mais pesados, como natação e atletismo, atingem bons desempenhos, sob os olhares atentos de ortopedistas, cardiologistas e credores.  Existem diversas categorias, segundo a faixa etária, pois não é justo um idoso de noventa anos disputar com um menino de sessenta.

            São animadíssimos os concursos de dança de salão, com os pares deslizando com muita agilidade e descontração.  Alguns chegam a arriscar uma piscadela para a pensionista que anima a torcida, na arquibancada.

            Nos alojamentos, o ambiente é de festa e camaradagem. Enquanto os homens contam vantagens as mulheres riem à farta.

            Nas mochilas femininas, ítens quase históricos, como pó de arroz, bobs e Leite de Colônia, enquanto os homens carregam, no bolso traseiro, o lenço de pano. As mulheres são as campeãs da animação e alegria, e perdem a noção do tempo, quando falam de netos e filhos.

            Os idosos participam com brilhantismo de torneios para todas as idades, que envolvem a escrita, a música, o artesanato, o teatro e tantas outras atividades que mereceriam a inclusão em futuros jogos regionais.

            Os Jogos ilustram a vida dos idosos, permitindo-lhes a convivência e troca de experiências. Os relatos de superações, físicas e psicológicas, animam os que tendiam ao mobilismo e postura meramente contemplativa, dando-lhes a exata noção de que podem ser úteis, empreendedores e criativos.

            Surgem, país afora, iniciativas que estimulam os idosos à atividade física e mental, seja uma simples caminhada ou exercícios de memória e concentração. Indispensável a assessoria especializada, na formulação e acompanhamento das atividades físicas.

            Os que presenciam a alegria e animação dos idosos percebem quão poucos são os espaços sociais e familiares dedicados à terceira idade. É a falta de convivência e interação que gera o isolamento e a senilidade, produtos do desrespeito humano que trata idosos como estorvos.

            A longevidade humana aumenta a cada ano, e já é estranho rotular como idoso o cidadão que completou sessenta anos. Idoso, na verdade, é o cidadão que tem a idade que ainda não atingimos.

                                                                                             pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.