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ESPORTES SEM RIVALIDADE
Pedro Israel Novaes
de Almeida
São divertidos os
Jogos Regionais dos Idosos.
Os
atletas não aparentam qualquer
preocupação com os resultados,
embora cuidem de demonstrar
habilidades e esforços. Importa-lhes
a convivência e o ânimo da
participação.
Há
modalidades em que são imbatíveis,
como bocha, buraco, damas, malha,
dominó, truco e xadrez. Os baralhos
costumam chegar ao fim de cada jogo
desfalcados, sendo necessária a
reposição de cartas, misteriosamente
desaparecidas.
Os
atletas dos esportes mais pesados,
como natação e atletismo, atingem
bons desempenhos, sob os olhares
atentos de ortopedistas,
cardiologistas e credores. Existem
diversas categorias, segundo a faixa
etária, pois não é justo um idoso de
noventa anos disputar com um menino
de sessenta.
São
animadíssimos os concursos de dança
de salão, com os pares deslizando
com muita agilidade e descontração.
Alguns chegam a arriscar uma
piscadela para a pensionista que
anima a torcida, na arquibancada.
Nos
alojamentos, o ambiente é de festa e
camaradagem. Enquanto os homens
contam vantagens as mulheres riem à
farta.
Nas
mochilas femininas, ítens quase
históricos, como pó de arroz, bobs e
Leite de Colônia, enquanto os homens
carregam, no bolso traseiro, o lenço
de pano. As mulheres são as campeãs
da animação e alegria, e perdem a
noção do tempo, quando falam de
netos e filhos.
Os idosos
participam com brilhantismo de
torneios para todas as idades, que
envolvem a escrita, a música, o
artesanato, o teatro e tantas outras
atividades que mereceriam a inclusão
em futuros jogos regionais.
Os Jogos
ilustram a vida dos idosos,
permitindo-lhes a convivência e
troca de experiências. Os relatos de
superações, físicas e psicológicas,
animam os que tendiam ao mobilismo e
postura meramente contemplativa,
dando-lhes a exata noção de que
podem ser úteis, empreendedores e
criativos.
Surgem,
país afora, iniciativas que
estimulam os idosos à atividade
física e mental, seja uma simples
caminhada ou exercícios de memória e
concentração. Indispensável a
assessoria especializada, na
formulação e acompanhamento das
atividades físicas.
Os que
presenciam a alegria e animação dos
idosos percebem quão poucos são os
espaços sociais e familiares
dedicados à terceira idade. É a
falta de convivência e interação que
gera o isolamento e a senilidade,
produtos do desrespeito humano que
trata idosos como estorvos.
A
longevidade humana aumenta a cada
ano, e já é estranho rotular como
idoso o cidadão que completou
sessenta anos. Idoso, na verdade, é
o cidadão que tem a idade que ainda
não atingimos.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |