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Voto pela internet
A Justiça Eleitoral
em alguns aspectos supervaloriza-se
em nome da segurança no processo de
votação e prejudica alguns avanços
em seus serviços por meio da
utilização da informática.
Em 1996 foi
instituída a primeira votação
eletrônica no Brasil. Iniciou-se nos
municípios com mais de duzentos mil
eleitores. Em 2000 já havia votação
eletrônica em todos os municípios.
Em quatro anos generalizou-se o voto
eletrônico. O ganho foi
incontestável. As longas horas nas
filas para votar diminuíram. As
fraudes, caso existam, são tão
pequenas, que a rapidez da população
na hora de votar suplanta. O
resultado das eleições é apresentado
quase instantaneamente. Permanecem
algumas pendências em função de
problemas com algumas urnas,
compreensíveis e inevitáveis.
Só que o avanço ficou
estagnado. Algumas mudanças se fazem
necessárias e urgentes. Continuam as
Juntas Eleitorais. Seria um órgão da
Justiça Eleitoral, criado para
organizar e efetuar a apuração. Só
que a maioria dessas pessoas não
entende de urna e apenas colam os
boletins de votação numa folha de
papel para ser afixada e esquecida
num local. O problema é que são
pagas para isso. E essa despesa e
esse órgão são totalmente
desnecessários, sem trazer nenhum
prejuízo operacional para a eleição.
Os requerimentos de
alistamento, transferência e revisão
dos títulos deveriam ser formulados
pela internet. Com a tecnologia de
hoje, torna-se apenas perda de tempo
uma pessoa se dirigir a um cartório
eleitoral para requerer uma dessas
operações. Serviria também para toda
regularização do título. Se a
Receita Federal passou a processar a
declaração do imposto de renda
somente pela internet, a Justiça
Eleitoral deveria fazer o mesmo com
todas as sua operações. Inclusive
poderia firmar convênio com as
instituições financeiras para que as
multas fossem quitadas no momento do
pagamento. Depois, apurar-se-iam os
eventuais problemas, caso a caso.
Porém, o mais
importante seria a viabilização da
eleição pela internet. Alguns alegam
impedimentos legais. No Brasil
sempre se colocam empecilhos na
legalidade para justificar
resistência a alguns avanços. Traria
uma economia muito grande, pois não
haveria necessidade de enviar
milhões de correspondências para
convocar mesários, nem de lanches
para esse pessoal, dois ou quatro
dias que as empresas não perderiam
na compensação dos dias trabalhados.
Manutenção das urnas não existiria
mais; evitaria despesa com gasolina
pelo deslocamento das urnas,
abertura de escolas. Além de tantas
outras despesas relacionadas às
eleições pelo processo tradicional,
algumas delas até mais altas do que
as citadas.
Deveria ser criado um
código de segurança que vinculasse
obrigatoriamente um voto apenas a
cada título eleitoral. Os apressados
alegariam logo que alguém poderia
usar o título e votar pelo outro. O
absolutamente capaz é responsável
pelos seus documentos. Hoje os
estelionatários clonam cartão de
crédito e tiram dinheiro; usam o
registro geral - RG e o cadastro de
pessoa física - CPF de outras
pessoas; nem por isso se cogita a
extinção do cartão de crédito em
nome da segurança. Portanto, a
instituição do voto pela internet
virá, mas atrasada, forçada
naturalmente pela evolução
tecnológica. A instituição
voluntária seria no mínimo mais
inteligente.
Pedro Cardoso da
Costa – Interlagos/SP
Bacharel em
direito |