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NATAL SEM NOEL

Pedro Israel Novaes de Almeida

           

            Cumprindo milenar ritual decidimos, na edição natalina, ter Papai Noel como tema.

            Vasculhamos a dezena e meia de artigos em que abordamos o bom velhinho e constatamos que nada sobrou para ser escrito, salvo repetições camufladas de frases já dedilhadas. Embora a sociedade humana tenha mudado, ao longo dos anos, o tal Noel continuou o mesmo.

            O trenó, as renas, a barba e a entrega de presentes nada mudaram. Até a crença das crianças continua a mesma, apesar das cruentas realidades construidas por muitos adultos.

            Enquanto os exemplos e ensinamentos do aniversariante marcaram o natal e orientam grande parte da humanidade, são mantidas sob rigoroso sigilo as frases de Noel, que confessamos desconhecer. O bom velhinho continua sendo conhecido como um risonho e simpático entregador de presentes.

            O Brasil chegou a instituir o horário de verão, para suportar a demanda de eletricidade gerada pelos bilhões de lâmpadas chinesas que ornamentam árvores artificiais e torram árvores vivas. Milhares de árvores, públicas e privadas, são ornamentadas, no natal.

            Dizem que Noel continua lembrado e festejado por obra do consumo, quase compulsório, de presentes, alimentos, bebidas e serviços, no natal. Enquanto o bom velhinho inspira o consumo, a memória do aniversariante não requer gastos, mas gestos.

            Embora não seja simpática a idéia de uma festa de cunho comercial, absolutamente consumista, é útil o espírito de solidariedade que a ocasião inspira, fazendo com que os agressores e malvados de sempre desejem, às vítimas do restante do ano, pouco acreditados votos de felicidade.

            É agradável e emocionante ver o brilho nos olhos das crianças, quando, ainda inocentes, deparam-se com versões humanas de Noel. Os presentes costumam ser anunciados como prêmios do bom velhinho, ao bom comportamento infantil.

            É triste ver a feição dos pais, que não podem comprar os presentes que os filhos pedem a Papai Noel. Deve ser terrível, a crianças pobres, sentirem-se menos consideradas, por Noel.

            A miséria tem o condão de destruir sonhos, e nada há de errado na atitude de pais que confessam aos filhos que Papai Noel não existe. É uma maneira de convencê-los de que são só terrenas as exclusões e sofrimentos.

            Quando crianças, o natal de Noel lembra-nos os presentes. Quando adultos, lembra-nos as guloseimas e convívio familiar. Quando idosos, a sensação é de nostalgia, pelos que já se foram.

            Convém, contudo, disfarçar a tristeza, e fingir alegria, para não destoar da felicidade das crianças e da alegre comilança de jovens e adultos. É natal !!!

                                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.