O estado federal
é mais democrático, dificulta a
concentração de poder, permite
ao povo o exercício cotidiano da
cidadania através do contato
face a face com os poderes
locais.
Devido à fraqueza
de nossas instituições nos
primeiros anos da
República Velha, praticou-se
nesse período a
política do café-com-leite,
ou seja, a supremacia de São
Paulo (produtor de café) e Minas
Gerais (produtor de leite). Essa
aliança desvirtuou o objetivo
ético do
Federalismo.
O sonho
federalista de Rui Barbosa
endereçava-se à construção de um
país justo, onde os pequenos
Estados fossem respeitados.
Seria um sistema de governo
fundamentado em ideais nobres.
Se o Espírito
Santo e o Estado do Rio sofrem o
impacto do pré-sal (danos
ambientais, principalmente), é
justo que sejam recompensados
pela exploração do petróleo
existente no fundo do mar. Não é
legítima a distribuição
equitativa dos royalties porque
os prejuízos da exploração
petrolífera, nas profundezas
oceânicas, não estão sendo
partilhados.
Acresce que nosso
Estado sempre foi relegado a uma
situação de inferioridade, com
afronta aos ideais libertários
de Rui Barbosa. Surge agora a
oportunidade de ser pago pela
dívida centenária.
Outro ângulo da
questão é o respeito ao que foi
pactuado. Não precisa ser
jurista para entender isto,
basta ter honra. O homem comum,
que nunca entrou numa escola,
sela seus contratos com um fio
de barba.
Clóvis Beviláqua
entende por contrato “o acordo
de vontade de duas ou mais
pessoas com a finalidade de
adquirir, resguardar, modificar
ou extinguir direito”.
A recompensa aos
Estados produtores já tinha sido
ajustada. Por que agora trocar o
dito pelo não-dito?
Senhores
Deputados e Senadores: é muito
trabalhoso abrir a Constituição
Federal?
Artigo 20,
parágrafo primeiro, já
concentrando as palavras para
facilitar o entendimento:
“É assegurada aos
Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios, participação no
resultado da exploração de
petróleo ou gás natural, no
respectivo território,
plataforma continental, mar
territorial, ou compensação
financeira por essa exploração.”
O baiano Rui
Barbosa e o cearense Clóvis
Bevilacqua devem estar querendo
irromper de seus túmulos,
ressurgir dos mortos para
protestar contra a trama que se
arma contra dois Estados e
principalmente em desfavor do
pequenino Espírito Santo.
João Baptista
Herkenhoff é Professor
pesquisador da Faculdade Estácio
de Sá do Espírito Santo e
escritor. Acaba de publicar:
Curso de Direitos Humanos (Editora
Santuário, Aparecida, SP).
E-mail:
jbherkenhoff@uol.com.br /
Homepage:
www.jbherkenhoff.com.br
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