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VIOLÊNCIA HUMANA
Pedro Israel Novaes
de Almeida
O homem
criou deuses à sua imagem e semelhança.
Houve um
tempo em que os deuses humanos adoravam o sangue de
inocentes cordeiros e até sacrifícios humanos. Eram
seres temidos e caprichosos, capazes de cenas de
horror e vingança.
Os deuses
mudaram, mas a humanidade continua violenta, e não
há grande diferença entre as turbas que aplaudiam o
leão, sempre que abatia um cristão, e a fúria
selvagem das torcidas de futebol, que ainda matam e
lincham, em pleno século 21.
Povos
dominados eram escravizados, e durante séculos a
humanidade mercadejou pessoas, tidas como meros e
descartáveis objetos. Hoje, o tráfico, a miséria e a
ignorância continuam reduzindo seres humanos à
escravidão.
Penas
cruéis existem desde as cavernas, e ainda hoje
praticamos o apedrejamento e a forca. A humanidade
nunca foi uma Brastemp.
Diminuiu a
violência institucional, praticada pelo Estado, mas
segue promissora a violência individual,
principalmente no cometimento de crimes. A sociedade
começa a perceber que a busca da paz e a inibição da
violência não é função exclusiva dos governos, mas
também dela própria.
Alguns não
são violentos por educação, outros por temor a Deus,
e grande parte por medo da polícia. Convém seguirmos
educando, torcendo pela polícia e orando, pois só
assim haverá declínio da criminalidade e da
violência natural do homem.
Educar é o
caminho universal, e a educação não pode ser
responsabilidade só da escola, mas também e
principalmente da própria família. Família e escola
podem deseducar, e de pouco adianta a boa atuação de
uma, se a outra rema em sentido contrário.
A certeza
da punição é um bom argumento em prol da civilidade,
e não é educativo o sucesso material e liberdade do
vizinho que delinqüiu, sob a conivente omissão e
silencioso aplauso da vizinhança.
A
violência, por vezes, prescinde da agressão física,
e acaba dificultando os esforços educativos da
família, escola e sociedade. São violentas a
corrupção, os abusos de autoridade, as injustiças
sociais, os desrespeitos humanos e as impunidades.
De nada
adianta o pai recitar versos pacifistas e frases
carregadas de humanismo, para em seguida levar o
filho à rinha de galos ou beberagem irresponsável. A
deseducação própria é menos visível que a alheia.
Apesar da
crescente sensação de insegurança que todos
sentimos, convém lembrar que, na maioria dos casos,
a violência tem lugares e ocasiões conhecidas, e o
melhor é não freqüentá-las.
Indispensável, contudo, a construção e manutenção de
ambientes seguros e saudáveis, por educação e
vigilância. Afinal de contas, não é justo viverem,
os não violentos, enclausurados.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. |