24/05/2011
 

 
 

VIOLÊNCIA HUMANA

Pedro Israel Novaes de Almeida

           

            O homem criou deuses à sua imagem e semelhança.

            Houve um tempo em que os deuses humanos adoravam o sangue de inocentes cordeiros e até sacrifícios humanos. Eram seres temidos e caprichosos, capazes de cenas de horror e vingança.

            Os deuses mudaram, mas a humanidade continua violenta, e não há grande diferença entre as turbas que aplaudiam o leão, sempre que abatia um cristão, e a fúria selvagem das torcidas de futebol, que ainda matam e lincham, em pleno século 21.

            Povos dominados eram escravizados, e durante séculos a humanidade mercadejou pessoas, tidas como meros e descartáveis objetos. Hoje, o tráfico, a miséria e a ignorância continuam reduzindo seres humanos à escravidão.

            Penas cruéis existem desde as cavernas, e ainda hoje praticamos o apedrejamento e a forca. A humanidade nunca foi uma Brastemp.

            Diminuiu a violência institucional, praticada pelo Estado, mas segue promissora a violência individual, principalmente no cometimento de crimes. A sociedade começa a perceber que a busca da paz e a inibição da violência não é função exclusiva dos governos, mas também dela própria.

            Alguns não são violentos por educação, outros por temor a Deus, e grande parte por medo da polícia. Convém seguirmos educando, torcendo pela polícia e orando, pois só assim haverá declínio da criminalidade e da violência natural do homem.

            Educar é o caminho universal, e a educação não pode ser responsabilidade só da escola, mas também e principalmente da própria família. Família e escola podem deseducar, e de pouco adianta a boa atuação de uma, se a outra rema em sentido contrário.

            A certeza da punição é um bom argumento em prol da civilidade, e não é educativo o sucesso material e liberdade do vizinho que delinqüiu, sob a conivente omissão e silencioso aplauso da vizinhança.

            A violência, por vezes, prescinde da agressão física, e acaba dificultando os esforços educativos da família, escola e sociedade. São violentas a corrupção, os abusos de autoridade, as injustiças sociais, os desrespeitos humanos e as impunidades.

            De nada adianta o pai recitar versos pacifistas e frases carregadas de humanismo, para em seguida levar o filho à rinha de galos ou beberagem irresponsável. A deseducação própria é menos visível que a alheia.

            Apesar da crescente sensação de insegurança que todos sentimos, convém lembrar que, na maioria dos casos, a violência tem lugares e ocasiões conhecidas, e o melhor é não freqüentá-las.

            Indispensável, contudo, a construção e manutenção de ambientes seguros e saudáveis, por educação e vigilância. Afinal de contas, não é justo viverem, os não violentos, enclausurados.

                                                                                            pedroinovaes@uol.com.br

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.