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25/02/2010
 
 

ROMPENDO TRADIÇÕES

 

 

             Existem tradições que sucumbem, seja pela falta de praticantes ou pelo respeito aos direitos de terceiros, que ofendiam.

 

            Algumas tradições da vida universitária estão sendo revistas ou contidas, pela desaprovação social e por ações de órgãos públicos, mantenedores da ordem e civilidade. O trote, inspirado na ambientação dos calouros e comemoração do ingresso no terceiro grau foi, por décadas, notoriamente violento e desrespeitador, sob o olhar cínico e omisso de autoridades, alunos e pais.

 

            A ação da mídia, divulgando as barbáries de alguns trotes, lembrou à sociedade que ocorrem mortes, mutilações e seqüelas, sofridas por calouros que sequer tiveram a oportunidade de concordar ou não com tal violência. Hoje, promotores expõem aos calouros e veteranos seus direitos e deveres, ações criminais e indenizatórias tramitam pela justiça, faculdades executam sanções administrativas e pais são aconselhados ao acompanhamento dos trotes.

 

            O trote violento está com os dias contados, por medidas tão acertadas quanto tardias. Contudo, ainda persistem alguns aspectos da vida universitária carecedores de contenção.

 

            Os tradicionais jogos universitários sempre foram disputados pelas prefeituras, pois movimentavam o comércio e incrementavam o turismo. Aos poucos, a população das cidades que os hospedavam reparou nos malefícios causados, bem maiores que o lucro auferido por padarias, bares, restaurantes e baladas. O ensino era interrompido em muitas escolas públicas, algumas depredadas, o trânsito tornava-se caótico, o sono perturbado e o império das bebidas, drogas e licenciosidades era estabelecido.

 

            Hoje, a maioria das cidades nega estádios e hospedagem aos jogos universitários, que só sobreviverão se abandonadas as práticas e posturas selvagens de muitos atletas e torcidas.

 

            A vida universitária não é um salvo-conduto geral, nem pode submeter a sociedade à aceitação de práticas que violam direitos alheios. É incrível a metamorfose operada em alguns universitários, quando em grupos, distantes da casa ou família. Aos poucos, e com medidas que garantam a cidadania dos demais habitantes da terra, aprenderão que os vizinhos da república têm direito ao sono e a não terem os ouvidos continuamente sacudidos por palavrões. Aos pais compete parte da correção, quando ainda ouvidos.

 

            A sociedade brasileira tem sido vítima de turbas selvagens, sendo a universitária a de menor poder ofensivo. Torcidas de futebol matam, mutilam e depredam com hora e local previamente marcados. Festas rave, famosas pelas drogas e beberagem, acontecem livremente, desde que em local apartado. O poder público, na maioria dos casos, lança, sobre tais ocorrências, distante e omisso olhar.   Algum agente da saúde pública já foi visto medindo a nocividade do som, dentro das baladas, ou ali também impera a lei do vale-tudo, ou do apartado, ensurdecendo grande parte de nossos jovens ?

 

            Os poderes públicos, Executivo e Legislativo, deixam a omissão e partem para a cumplicidade, quando das invasões e depredações do MST, única turba capaz de julgar produtividades alheias, sentenciar ocupações e executar penas privadas. Pelo andar da carruagem, acabará sendo elevado ao status de movimento social que não deve ser criminalizado, apesar das ações anti-sociais que pratica e dos crimes que comete.

 

            Universitários são imaturos e joviais, agindo ao sabor de tradições mal estabelecidas e lideranças pouco ilustradas. São facilmente corrigidos, até pelo fato de constituírem, os exaltados, minoria. No fundo, são vítimas de nossa omissão.

 

                                                                       pedroinovaes@uol.com.br

 

            O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.


 
   
     
 


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