|
|
Dilma entre baratas e ratos
“Cada vez que uma
barata surge na sua frente, Dilma
Rousseff não pestaneja – dá-lhe logo
uma chinelada mortal. Assim, o
colunista Fernando de Barros e Silva
começa um artigo no jornal Folha de
São Paulo, de 17 de julho último, em
referência às exonerações de
funcionários do Departamento
Nacional de Infraestrutura de
Transportes – DNIT, após a enxurrada
de denúncias de corrupção.
Matar as baratas é
necessário, o mínimo que a
presidente ou qualquer gestor
público deve fazer; mas não é
suficiente. A presidente deve ter
sido educada como a maioria das
crianças de família de valores deste
país. Se um dia ela chegou com um
brinquedo de uma amiga em casa, além
de ter de explicar de que forma
conseguiu, foi repreendida por não
ter consultado seus pais antes, além
de ser obrigada a devolver, se a
forma de aquisição não foi correta
do ponto de vista de seus pais.
O maior problema da
corrupção no Brasil é que ela é
institucionalizada, tolerada na
administração pública em geral. Pode
até haver exceção, mas de tão rara,
nem chega ao conhecimento nem é
percebida pela sociedade. Nenhuma
medida de combate existe, se não
divulgação na mídia. As
providências limitam-se às
reprimendas públicas, muitas vezes
somente para dar satisfação à
opinião pública. É do conhecimento
de todos como e por que ela ocorre,
com fingimento de desconhecer seus
métodos e sua prática generalizada.
Até o ministro Paulo Bernardo
afirmou ser impossível administrar
apenas parte de dinheiro do DNIT sem
que escorra para o ralo. Nada mais
desolador; prova inconteste da
rendição do Estado.
A falta de punição
rigorosa já é por demais comentada e
já virou clichê, prato cheio para
manter a cadeia da corrupção. Outro
incentivo é não retirar o patrimônio
adquirido que, também, já se tornou
mais um clichê. Alega-se sempre que
há o lado do corruptor privado. É
fato que um sem o outro não existe,
mas quem tem o dever de zelar e
quebrar a corrente é quem exerce
função pública. Seria importante que
os jornais criassem um espaço, uma
seção, um caderno só para acompanhar
o desenrolar dos casos de corrupção
e o Estado brasileiro crie as
punições rigorosas e os mecanismos
para desestimular a corrupção
institucionalizada. Se elas não são
criadas é porque muitos se
beneficiam direta ou indiretamente,
ainda que finjam contrariedade.
Ninguém sabe se há
alguma investigação sobre o
enriquecimento de Agaciel Maia, ex
diretor geral da Câmara dos
Deputados; do ex deputado federal
Edmar Moreira, que possuía um
castelo avaliado em 25 milhoes de
reais; sobre as prefeituras de
Dourados/MS, Campinas, Taubaté e
Taboão da Serra, em São Paulo,
apenas casos que repercutiram na
imprensa. Todos estão a rir do povo
brasileiro, com o carimbo da certeza
de que a corrupção vale à pena; nem
se fala mais nada do Midas mor,
Antonio Palocci.
A presidenta Dilma
Rousseff não era inocente quando
entregou o galinheiro, o Ministério
dos Transportes e seu DNIT, para a
raposa tomar conta, o Partido da
República; que tem a cara de
Waldemar Costa neto; que reflete a
corrupção na sua inteireza. O ponto
positivo é que a presidenta tem
agido como deve, exceção ao caso do
ex Midas, e afastado as pessoas
envolvidas. Mas se o dinheiro da
corrupção não voltar aos cofres
públicos, o resultado final no
governo de Dilma Rousseff se torna
igual aos demais casos de corrupção.
Todas as instituições
públicas precisam se inteirar, se
comunicarem mais entre si, com
atuação eficiente para punir
severamente os corruptos, sem
importar o lado. Seria preciso criar
um espírito geral de tolerância zero
com a corrupção. Por enquanto, há
mesmo muita tolerância, conivência e
fingimento em todas as instituições
públicas.
As estratégias que, e
se, fossem criadas para combater a
corrupção seriam relevantes se
abortassem no nascedouro. O problema
é que só aparecem quando os
envolvidos já possuem mansões,
jatinhos, ou quando, no mínimo, já
multiplicaram o patrimônio por 20.
Só com gritos e cara feia a
presidenta não tem amainado a gana
da corrupção. Mais do que matar, é
preciso evitar o surgimento das
baratas.
Pedro Cardoso da
Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito |
|