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CASAMENTO REAL
Pedro Israel Novaes de Almeida
Foi um alívio não
havermos recebido qualquer convite para o casamento
Real, na Inglaterra.
O casal
certamente ficaria ofendido com um simples
telegrama, e seríamos forçados à compra de algum
presente, tipo garrafa térmica, cinzeiro, joguinho
de xícaras ou aquele famoso pingüim para ornamentar
a geladeira.
Sairíamos
do casório com fome, pois, nas recepções muito
chiques, a comida tem nomes estranhos, ingredientes
raros e é servida em minúsculas porções, além de
recomendarem, os bons modos, não perseguir o garçom,
nem ficar postado à saída da cozinha.
A noiva
sairá da igreja em carruagem de luxo, puxada por
cavalos afrescalhados, repletos de enfeites por todo
o corpo. Para manter a tradição da demora, mesmo na
Inglaterra, haverá um proposital atraso de trinta
segundos, na chegada.
Minhas
acompanhantes estranhariam não poder ir ao quarto da
noiva, para ver os presentes, espraiados na cama.
Dizem ainda que, no palácio, as convidadas não
costumam ir ao banheiro em comboio, tipo romaria.
Nosso
inglês, ainda que restrito ao ensino oficial, daria
para desejar aos noivos um gud futuro, torcendo para
que a resposta seja breve e pausada. A família Real
é respeitada na Inglaterra, e exerce grande
influência, sem precisar submeter-se a eleições, nem
prometer cargos, verbas, concessão canais de radio e
TV, etc.
Não é
fácil pertencer à Realeza. Só nascendo nobre ou
casando no palácio. Antigamente, golpes de Estado e
guerras geravam nobrezas, mas agora só geram novos
mandatários.
Foram
convidadas somente 1.900 pessoas, do círculo íntimo
do casal. Nem nós nem o próprio Obama estamos na
lista. Será um desfile de grifes e trajes
personalizados, com as mulheres usando chapéu, mesmo
que o tempo esteja nublado. Pareceríamos palhaços,
calçando o número 45 daqueles sapatos tipo bico
fino.
Teríamos
problemas com a segurança, pois lá nenhum agrônomo
porta canivete, e nenhum celular parece um tijolo. É
proibido brincar com os cães do palácio, e não
poderíamos esboçar qualquer reação, caso um deles
julgasse sermos um poste.
A noiva
não vai jogar nenhum buquê, nem haverá chuva de
arroz. Ninguém se atreverá a colocar latas na
traseira da carruagem oficial, e os noivos não
deixarão a festa, após a coleta de presentes. Na
praça, não haverá as intimidadoras ofertas de
guardadores de carros, que por aqui privatizaram os
espaços públicos.
O Serviço
Secreto cuidou da segurança do príncipe, sondando se
não existem obesas na família da noiva. Sondou,
ainda, se a eleita não possui parente com mandato,
em países emergentes.
Pensando
bem, foi bom não havermos sido convidados.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.
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