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HOMENAGEM ATRASADA
Pedro Israel Novaes
de Almeida
Algum
infeliz resolveu homenagear, no
mesmo 12 de Outubro, N.S. Aparecida,
a criança e o Engenheiro Agrônomo.
Embora os
três sejam merecedores de
homenagens, a figura do agrônomo
acabou pouco percebida, ofuscada
pela grandiosidade da Santa e da
criança. Nem todos concordam com as
ações do engenheiro.
Alguns
administradores bancários podem
encarar como cerceamento de
autoridade o fato do crédito rural
exigir o prévio aceno de viabilidade
técnica, mesmo quando destinado ao
melhor dos clientes. Podem,
erroneamente, tentar transformar o
agrônomo em mero formalizador de
pareceres favoráveis, mormente
quando a operação suscitar
conveniência ou lucro, sob o aspecto
estritamente administrativo.
Enquanto
o MST declara guerra a culturas
empresariadas, como soja e laranja,
o agrônomo cuida de torná-las
prósperas e rentáveis. O técnico
identifica a tecnologia adaptada a
cada estrato produtivo, sem
preconceitos e radicalismos.
Em 12 de
outubro, o agrônomo até tentou
recitar algumas piadas, mas não foi
aclamado como cheio de graça. Tentou
imitar as crianças, e saiu correndo
pelos corredores das lojas, mas
acabou detido como doido.
Comprar
presentes para o agrônomo não é
fácil. Canivetes são tidos como
armas brancas, e são raras as
botinas que não engolem as meias.
O sonho
de consumo dos agrônomos é tão
simples quanto desconhecido: bonés
sem propagandas. Não é nada
agradável ser reconhecido pela marca
do defensivo ou maquinário que
ostenta, no boné ou camiseta.
O
agrônomo acabou especializado em
palestras para agricultores,
cuidando de ocupar-lhes a atenção,
até que a churrasqueira termine o
preparo da carne. A platéia costuma
ser sempre a mesma, formada pelos
que já dominam o assunto.
A
agronomia é a profissão ideal para
os amantes da natureza, mormente
quando não alimentam sonhos de altos
salários e fortuna. Agrônomos
proprietários ou bem casados fogem à
regra.
Na
verdade, a agronomia é um amontoado
de profissões, que vão da sociologia
e economia rurais à energia nuclear
na agricultura, passando pela
fitopatologia, melhoramento
genético, nutrição, etc., etc. Não é
justo exigir de cada técnico o
conhecimento aprofundado de todos os
temas e lides rurais.
O
agrônomo já não é, necessariamente,
jogador de truco, motorista de jipe
ou carnívoro compulsório. Pode, se
não permitir que o dia-a-dia o
distancie das leituras, atualizações
e aperfeiçoamentos, ser um
profissional de alto nível,
utilíssimo à sociedade.
A Santa
persiste atraindo fiéis e operando
milagres, enquanto a criança segue
alegrando o mundo e anunciando o
futuro. Enquanto isso, o agrônomo
segue sua sina, de prover os
alimentos que garantem a cidadania e
a própria paz.
É uma
pena que figuras tão importantes
ocupem o mesmo dia do calendário.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |