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PROJETO ESQUISITO
Pedro Israel Novaes
de Almeida
Projeto
de Lei que obriga os políticos
eleitos a matricularem os filhos, em
idade escolar, na rede básica de
ensino oficial, está angariando
apoios e aplausos pela internet.
Os apoios
partem de cidadãos convictos da
eficiência da proposta, e de tantos
outros, sequiosos por vingança. No
mérito, projeto é equivocado,
injusto e infrutífero, além de
inconstitucional, por castrar
direitos de todos os cidadãos, sejam
ou não políticos.
A
proposta não alcança a maioria dos
prefeitos, deputados, senadores,
governadores e Presidente da
república, que não possuem filhos em
tal idade. Atinge,
indiscriminadamente, políticos sem
qualquer influência no orçamento ou
gestão do ciclo básico oficial de
ensino, inclusive aqueles que vivem
pregando e exigindo a melhoria do
setor. O projeto distribui culpas e
punições, como se cabíveis a todos
os eleitos, penalizando a parte mais
inocente da história: os filhos em
idade escolar.
Que culpa
cabe ao filho do vereador do pequeno
município, pelo desempenho da
educação, encabeçada pelo prefeito
ou governador ? Por muito menos,
mandatários, ao longo da história,
mereceram a pecha de fascistas e
ditadores.
Políticos, muitos, podem até
matricular os filhos em escolas
públicas, escoltando-os por um
batalhão de professores, em aulas
particulares. Outros podem fazê-lo
por convicção, pois existem muitas
escolas oficiais de bom nível,
submetidas à gestão e orçamento
semelhantes às que operam com
ineficiência.
A medida
soa como obrigar médicos a tomarem
laxante, sempre que o número de
cidadãos desandados for
significativo. Ninguém precisa
experimentar a fome, para lutar pela
alimentação alheia.
A
educação é reflexo da ação ou
omissão de governantes, professores,
funcionários, pais, e todos os
setores da sociedade. Existem alunos
incivilizados, pais omissos ou
deseducados, professores que
lecionam com brilhantismo em escolas
particulares e com desdém em escolas
públicas, arredores pouco
policiados, atos de selvageria
impunes, material didático obsceno,
com erros grosseiros e tantas outras
lamentáveis ocorrências.
Visar o
saneamento da educação, mirando os
filhos dos políticos eleitos, é
menosprezar o elenco de problemas
que afligem o setor. O maior viés da
medida é soar como redentora e
justicialista, em primeira,
apressada e superficial análise.
A análise
dos resultados da educação deve ser
analisada em profundidade, para
sabermos como uma escola tem bom
desempenho e outra, no mesmo bairro
e clientela, tem desempenho
sofrível. Devemos saber como um
aluno assimila o lecionado, enquanto
outro, vizinho de carteira, nada
aprende.
A maioria
dos alunos das escolas públicas
brasileiras já conta com fartura de
material didático, refeições,
quadras esportivas, transporte
escolar e o beneplácito dos
Conselhos Escolares. Alguns
freqüentam ambientes onde qualquer
desrespeito é punido e outros
estudam amedrontados, acuados e
desestimulados.
A
educação brasileira é farta em
discursos e estudos. Falta a análise
das cenas e resultados de cada
unidade de ensino. Não é o que fará
o tresloucado projeto, caso
erroneamente aprovado.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |
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