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MAIS
UM ANO NOVO
Pedro Israel Novaes de Almeida
Não esperamos por
grandes mudanças, em 2012.
Continuaremos pouco entendendo as
inovações tecnológicas. Por mais que
olhemos o computador, continuaremos
não entendendo como é possível o tal
“sexo virtual”, com todos os riscos
de um choque elétrico.
Estaremos, como sempre, apoiando
ecologistas e amantes da natureza,
em todas as ações que não visem a
preservação de aranhas, morcegos,
cobras e escorpiões. Nada faremos
contra os gatos, desde que briguem
ou namorem no quintal alheio.
Sentiremos algum alívio, com a
continuidade da crise mundial, pois
não seremos forçados a ouvir
críticas ao Brasil, feitas com forte
sotaque estrangeiro. Por ser 2012
ano bissexto, haverá aumento da
renda de diaristas.
Continuaremos a encontrar, por toda
a casa, carnês das mais variadas
lojas. Só em 2011, as dívidas
aumentaram três vezes mais que as
receitas das famílias brasileiras.
Cartões de crédito persistirão
usados até para esmolas, e telefone
celular continuará servindo para
economizar campaínha.
Em 2012,
talvez seja resolvido o problema da
exploração sexual, via tabelamento.
Nas estradas, a norma que estabelece
limites de velocidade será sempre
obedecida, haja ou não aviso da
proximidade de radar. Nos campus da
USP, continuará vedado o consumo de
drogas ilícitas.
Convém
continuarmos o uso de meias e cuecas
em bom estado, pois, a partir de
determinada idade, existe sempre a
chance de uma ida imprevista ao
hospital. No bairro, o
guarda-noturno fará de tudo para
estar atuante e notado, enquanto os
moradores estiverem acordados.
A ciência
ainda não conseguiu explicar a
festiva comemoração da chegada de
janeiro, repleto de IPVAs, IPTUs e
materiais escolares. Dizem os
entendidos que as festas comemoram,
na verdade, a sobrevivência no ano
anterior.
2012 será
um ano de muitos cumprimentos e
promessas maravilhosas, pelo menos
até a escolha dos novos prefeitos e
vereadores. Otimistas, esperamos
que, a cada dez, pelo menos um
desempenhe bem seu mandato.
Analisadas as idas e vindas da
humanidade, 2011 foi um ano de mais
avanços que retrocessos, apesar das
catástrofes naturais, com milhões de
mortos, mutilados, desabrigados e
empobrecidos. As nações aprenderam
com as crises, e hoje dialogam e
cooperam com maior intensidade e
proveito.
Chegaremos a 2012 sem a inocência de
acreditar que a ética e probidade
enfim imperem, mas com a certeza de
que são poucos, embora poderosos, os
que escravizam e malversam. Aos
poucos, a humanidade segue seu rumo,
alternando sucessos e fracassos, mas
sempre seguindo.
pedroinovaes@uol.com.br
O autor é
engenheiro agrônomo e advogado,
aposentado. |
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