Colunista

A raiz do problema | J. Barreto
17 de julho, 2018

Um sábio prefeito teve a luminosa idéia de arborizar as ruas da cidade de Avaré, pois isto era a última moda do paisagismo urbano.  Convocando seu renomado corpo técnico, ficou decidido a imediata implantação da mesma em todas as ruas centrais, preferencialmente nas calçadas com fiação elétrica. Mandando tal projeto para apreciação da Câmara, e como é de praxe nesta casa, e após caloroso debate o mesmo foi aprovado por unanimidade. Novamente foi convocado o grupo técnico para definir a espécie a ser implantada, e após um longo e criterioso trabalho de pesquisa optou-se pela espécie SIBIPIRUNA. Acertados os detalhes e adquirida às mudas, teve inicio a implantação do projeto. Acompanhando a equipe de funcionários um dos técnicos ia indicando o local da abertura das covas e o imediato plantio das mudas. Mas acontece que o grupo não era tão técnico, e nem as mudas eram adequadas, e logo apareceram os resultados destes equívocos. O primeiro impacto foi e é com a fiação elétrica que está entranhada entre os ramos, o segundo impacto é com o abalo dos muros e o entupimento das calhas e o terceiro e mais grave é com relação às calçadas, pois esta espécie tem grande parte de suas raízes superficiais,  que detonam  tudo ao seu redor, quebrando o concreto das calçadas e levantando-as como se fossem de isopor, assim não só dificultando a passagem de pedestres, e impedindo a passagem de pessoas com deficiências, mas também colocando suas vidas em risco já que têm que usar a rua para desviar da árvore correndo perigo de serem atropeladas.

 Com o agravamento do problema, um outro prefeito teve outra idéia genial, e criou uma nova lei, ou norma, passando toda a responsabilidade  para o (inocente) cidadão fronteiriço ao estrago. Embora ele não tenha plantado, não tenha pedido para plantarem, e muito menos tenha sido consultado se queria a mesma em “sua” calçada (na realidade da prefeitura)  ou mesmo que espécie a ser plantada , contudo  agora  tem que arcar com todos os custos causados pela incompetência das administrações passadas e, ainda para adicionar insulto ao desfalque financeiro que sofrerá ainda tem que enfrentar toda burocracia, como se ele fosse o culpado e não a vitima. A Secretaria do Meio Ambiente e o CONDEMA (sendo um grupo de consultoria formado,  por  voluntários)  não são responsáveis por estas normas,  mas são obrigados a cumpri-las.

Citarei dois exemplos daquilo que creio seja o razoável e de bom senso.  Na cidade de Praia Grande, SP.  A senhora Marisa, uma cidadã daquela cidade, precisava que fossem retiradas 4 árvores na calçada de sua casa. Bastou um requerimento para a Prefeitura  e a  mesma  fez todo o serviço, apenas dando para a Sra. Marisa uma lista das espécies para substituição, tudo por conta da Prefeitura; Em Chicago em frente a casa da Sra. Elizabeth,  uma raiz levantou levemente um pedaço da calçada, o suficiente para alguém tropeçar. Tendo avisado à Prefeitura, igual ao exemplo da Sra. Marisa de Praia Grande,  a Prefeitura removeu parte da raiz, reparou a calçada e refez todo o gramado removido. Estes exemplos refletem a consciência com que essas Prefeituras tratam seus cidadãos que já pagam seus impostos.

 

JBARRETO.

Lealdade com o Brasil | João Antonio Pagliosa
17 de julho, 2018

Gente do céu, quantos escândalos temos observado neste país... É de amargar!

 

Nosso problema, pelo que observo nos últimos quarenta anos, é eminentemente político. Os brasileiros não sabem escolher seus governantes e no cenário político-administrativo, há ausência de pessoas realmente comprometidas com o desenvolvimento do país e com o estabelecimento da ordem e paz social.

 

Nada acontece de útil e satisfatório para um povo, sem ordem e sem paz social! Riqueza e progresso só chegam depois de ordem!

 

Hoje, após tantos desencantos, estou seguro em afirmar que a pior coisa que aconteceu neste país, ocorreu lá em Caetés no ano de 1945. O nascimento de Luiz Inácio Lula da Silva.  Uma tragédia para o Brasil e para todos os brasileiros. E o povo é tão mal informado e alheio a realidade que considera Lula um injustiçado.

 

Para este escriba o garanhão de Garanhuns é apenas um semi analfabeto, grosso e mal educado.

 

Fanfarrão pinguço  que se considera o próprio Estado. Um larápio de ímpar envergadura, que nunca se preocupou com os brasileiros. Lula sempre pensou em seu próprio umbigo e traiu todos os amigos mais chegados. Ele é pretensioso, inconformado com sua prisão, apela para todos.  Mentiroso contumaz, é um enganador cara de pau!

 

Não sou e nem nunca fui daqueles que consideram que tudo acabará em pizza. Também não tenho medo de corruptos. Sei a quem sirvo e não desistirei de escrever o que penso! E há muitos que ganham fortunas todo o mês de forma legal mas absolutamente imoral! São aqueles do poder público que legislam em causa própria e colecionam rol de vantagens, sem a mínima preocupação com o fato de vincularem  vantagens a seus salários. O povo que paga impostos escorchantes e que luta todo dia para sobreviver é um mero efeito colateral... As vezes, nem isso...

 

Mas, e a lealdade do povo a LULA? E os extraordinários números percentuais de apoio inconteste ao ladrão de nove dedos?

 

Sim, apoio inconteste, apesar de nossa economia que não cresce, apesar de violência que não recrudesce, apesar de saneamento básico absolutamente nojento, apesar de educação pra lá de horrível, apesar de caos de nossa infraestrutura, apesar da saúde, um verdadeiro acinte aos pagadores de impostos sempre escorchantes, apesar da banalização de nossas mais importantes instituições e direitos.

 

Ocorre meu prezado leitor, que se gasta apenas 0,5% do PIB para fornecer o Bolsa Família. Em torno de 13 milhões de famílias são leais ao PT porque se satisfazem com migalhas. Não se importam em serem desleais ao país que os abriga.

 

E assim a farra da escória continua. E a um preço bem baratinho.

 

Acordem cidadãos brasileiros! Tenham lealdade à pátria acima de partidos políticos. Estes vermes passarão. O país não passará!

 

Este país tem tudo para dar certo. Precisamos fazer a faxina verdadeira. Pare, reflita, aja! Mudar o que é ruim depende também de você!

 

O Brasil precisa de seu engajamento nesta hercúlea tarefa. As eleições de outubro precisam ser um marco definitivo de mudança nos rumos de nossa política. Não vote em corruptos! Não vote em ficha suja! Não vote em ladrão! Não vote em quem já provou que não presta.

 

Precisamos ter lealdade para com o BRASIL!

 

João Antonio Pagliosa

 

Eng. agrônomo pela UFRRJ em 1972

 

Curitiba, 15 de julho de 2018.

Amor sem limites | João Antonio Pagliosa
17 de julho, 2018

O amor é o sentimento mais lindo... Jesus é só amor! Se nos entregarmos a Ele, nossa vida será totalmente transformada.

A vida de Jesus sobre a face da Terra foi breve, entretanto, em 33 anos o nazareno revolucionou o mundo. E aqueles que se propõe a estuda-lo e entende-lo, verão que sua história é muito mais maravilhosa e cheia de encantos do que podemos imaginar. Muitos milagres... Entrega total! Doação pura e irrestrita!

Jesus se entregou a humanidade para salva-la! E o fez de forma incondicional, sabendo de antemão que não somos merecedores de absolutamente nada... Isso porque nosso livre arbítrio nos subjuga e nos faz cair em pecado... Somos falhos, porém Deus nos fez assim... Ele compreende nossas lutas... Mas não dispensa o esforço que precisamos fazer para permanecermos puros. Há que sermos fortes, porque nossa carne é fraca!

É por isso que nossa salvação depende exclusivamente de nosso querer. Aqueles que não creem, já estão irremediavelmente condenados... Aqueles que não creem, aproveitam como podem todos os prazeres do mundo... Não há limites para satisfazer suas carnalidades... Mas eles vivem em conflitos... A sua alegria não tem consistência! É fugaz!

Já o amor de Deus não tem limites... Nada, sequer se aproxima do amor de Deus! Viver em sua presença é viver em êxtase, e em perfeito equilíbrio com tudo!

Vivamos, pois, uma vida que dignifique o amor de Deus por cada um de nós!

No amor de Deus, há PAZ! Na ausência de Deus, há DOR!

Não se acostume com a dor. Não sofra. Não se acostume com situações difíceis que você pode mudar. 

Seja longânimo porque aqueles que o cercam podem tirar-lhe a paz... Tenha sempre muita paciência porque a paciência, sempre é necessária. Paciência pode ser amargo para digerir, mas o resultado é sempre muito doce! 

João Antonio Pagliosa

Curitiba, 06 de julho de 2018.

 

Fora Temer | Pedro Israel Novaes de Almeida
12 de julho, 2018

Tornou-se comum a expressão “Fora Temer”.

         Antes de significar o resultado de uma avaliação pessoal, repete um modismo, proferido até pelos que pouco ou nada sabem a respeito da real situação do país e sua conjuntura política. Qualquer presidente, governador ou prefeito, cujo mandato envolva uma crise econômica, com reflexos no dia a dia dos cidadãos, tende à impopularidade, sempre incentivada por setores políticos de oposição.

         Temer herdou uma situação política e econômica altamente desfavorável, coadjuvada por um legislativo justificadamente impopular. As condições em que foi alçado ao cargo rendeu-lhe ferrenha e nada dissimulada oposição.

         A chamada “base aliada”, em sua maioria fisiológica, parece mais preocupada com os reflexos eleitorais de qualquer reforma, do que com a real necessidade de sua elaboração. Até o PMDB, seguindo secular característica, como aglomerado de tendências, as mais diversas, cuidou de abrigar, em seu seio, nichos oposicionistas.

         Temer iniciou seu governo resguardando a condução da economia, tornando-a a porção menos vulnerável a interferências partidárias. Era, de fato, o problema mais urgente do país.

         Iniciou a propositura de reformas, cujo ânimo legislativo acabou atropelado por denúncia formulada pelo Procurador Geral da República. Tal denúncia possibilitou o crescimento de setores políticos fisiológicos e populistas, e a queda do presidente só contornada por farta distribuição de verbas e favores oficiais, prejudicando o soerguimento da economia, em cujo rumo engatinhávamos.   

         A reforma da previdência, necessária e indispensável a qualquer governo sério e consequente, foi proposta distribuindo poucos sacrifícios a poderosas corporações, e enormes ônus a porções mais indefesas da população. Foi a primeira vítima do burburinho político.

         O marco inicial da gigantesca impopularidade presidencial surgiu na ridícula cena de um assessor palaciano correndo, levando uma mala recheada de dinheiro. Outros assessores foram objeto de denúncias as mais diversas, pertinentes a desvios de recursos públicos.

         A fragilidade de Temer foi realçada na greve dos caminhoneiros, só contida pelo exacerbado ânimo oficial de contê-la, a qualquer custo. Nasceu, então, a ridícula e insana tabela de preços dos fretes, de efeitos e consequências nefastas.

         Defensores do presidente alegam que era impossível estabelecer um governo sério e exemplar, em meio a tanta fisiologia e descaramento legislativo. Outros, muitos, alegam que o ambiente político desfavorável jamais subsidiou tantas e repetidas trapalhadas.

         Temer não foi um presidente exemplar, mas deixa alguns legados na economia e nas poucas reformas que conseguiu, a fórceps.  A cento e oitenta dias do fim do mandato, o Fora Temer passa a ser uma expressão irresponsável, que só geraria convulsões e catástrofes, às vésperas de um pleito que elegerá um novo presidente.  Fica Temer !

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

 

Você sofre decepções. Não se abale jamais | João Antonio Pagliosa
09 de julho, 2018

Sempre que você se propõe a realizar algo diferente, a executar um novo projeto que lhe exigirá tempo e suor, é natural que anseie por reconhecimento das pessoas que lhe são caras, daqueles mais chegados, daqueles que lhe são íntimos.

Porém, quase sempre, as pessoas frustram expectativas. Dão pouco caso e reagem com indiferença as suas conquistas.

Não se abale! Isso é normal e por incrível que pareça é o pessoal de casa que dará menos relevância ao que você realiza. O próprio Jesus Cristo sofreu isso e é indiscutível que santo de casa não faz milagre!
Sei que nunca desenvolveremos intimidade com o Espírito Santo, enquanto depositarmos nossas esperanças em outro ser humano. Sabe por quê?

Simplesmente porque as pessoas são muito falhas e a bíblia nos ensina que não há nada de bom em nossa carne e que qualquer ser humano, por mais firme que seja, é totalmente vaidade.

Deus deseja muito ser buscado por cada um de nós. E Ele usa as decepções que sofremos para que esta busca seja mais amiúde, mais intensa, mais dependente.

Então, leitor, abrace suas decepções como um alento no sentido de entender que Deus realmente se importa com você, que Ele o ama profundamente, que Ele quer intimidade com você e que a sua opinião é a única que realmente deve lhe interessar.

Nunca se magoe e nunca se aborreça com a frieza emocional das pessoas. Aprenda a viver na dependência exclusiva de Deus.

Precisamos viver na dependência do Senhor e Ele usa nossas decepções como um freio no ímpeto natural que possuímos, de depender de outras pessoas. 

É um erro depender de pessoas! E muitos não se dão conta disso!

Nunca se decepcione com seus líderes espirituais, nem com sua Igreja e muito menos com Deus, caso esteja atravessando períodos difíceis. Quando o seu sofrimento parecer desmedido e fora de propósito, é sinal claro que algo das mãos de Deus está para lhe alcançar.

Não esmoreça e mantenha-se firme na palavra do Senhor porque a obsessão do inimigo é abortar o seu milagre e ele sabe antecipadamente quando a graça de Deus lhe é destinada. Então, ele faz o impossível para lhe tirar a paz, para você desistir de Deus.

Desligue-se do passado, foque o seu presente o todo o seu futuro, na presença de Deus.

Tudo o mais é irrelevante. E para seu conforto, convido-o a ler Salmos 126.

Com meu carinho.

João Antonio Pagliosa
Curitiba, 02 de julho de 2018

 

Brincando com venenos | Pedro Israel Novaes de Almeida
04 de julho, 2018

 

         A Câmara dos Deputados está apreciando um Projeto de Lei que trata dos defensivos agrícolas.

         Um tema de tamanha importância não deveria estar sendo pautado, no apagar das luzes dos mandatos executivos e legislativos, quando reina o ambiente de fim de festa, em legislatura que não terá honrosas referências na história. A questão perece haver sido amesquinhada a mais uma lamentável briga entre torcidas, repleta de preconceitos e desinformações.

         Na mídia, são comuns as manchetes que relatam ser, o Brasil, um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Leitores menos avisados logo concluem que somos, os brasileiros, um dos povos que mais ingerem agrotóxicos, o que não é verdade.

         Produzir em ambiente tropical é um convite a pragas e doenças. Produzir a mesma espécie vegetal em grandes áreas contínuas torna o convite irresistível.

         O defensivo agrícola, assim como os medicamentos para uso humano, possuem prescrições objetivas, que devem ser obrigatoriamente obedecidas, sob pena de atuarem como verdadeiros venenos, lesando o consumidor. O uso racional e responsável dos defensivos, devidamente testados e aprovados, não gera danos à saúde pública.

         Os danos à saúde nascem da utilização irresponsável de tais substâncias, do pouco monitoramento público de resíduos e até mesmo do emprego de produtos não recomendados ou proibidos, criminosamente comercializados.

         A ciência tem obtido resultados brilhantes na adoção de tecnologias que diminuem e até mesmo dispensam o uso de pesticidas, e muito temos progredido, no tema. O agricultor de hoje utiliza bem menos defensivos que seus antecessores, e as novas gerações demonstram maior preocupação com o meio ambiente e consumidores.

         Dentre tantos aspectos, o Projeto de Lei trata de buscar o apressamento das aprovações e prescrições de defensivos, diminuindo a atuação de órgãos atinentes à saúde pública e meio ambiente. Apressar, em nosso meio, pode resultar em experimentações e análises menos aprofundadas, até sujeitas a interferências externas.

         Cogita-se absurdamente, de permitir o uso excepcional de algum novo defensivo, quando o órgão público tardar a concluir a autorização pleiteada. O retardamento imotivado deve subsidiar reprimendas as mais diversas, mas jamais a sujeição dos consumidores e produtores a males incertos.

         A rigor, o Projeto de Lei ainda não foi discutido à exaustão, e corremos o risco do embate entre os que consideram todos os defensivos venenos cruéis, e os que julgam que tudo é válido, enquanto facilitador de produções.

         O atual legislativo federal perdeu a representatividade e as condições de credibilidade, indispensáveis à análise aprofundada do tema e o correto seria posterga-lo para a próxima legislatura.

         Caso persista a situação atual, em breve teremos a legislação sobre defensivos discutida por ministros do STF. E sequer sabemos em que turma !

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

Defeitos premiados | Pedro Israel Novaes de Almeida
29 de junho, 2018

         Os humanos vivem em meio ao eterno confronto entre qualidades e defeitos, que todos possuímos.

         Sentimentos menores podem acabar domesticados e controlados, até pelo fato de causarem infelicidade. Quanto mais poderosas, mais as pessoas tendem a manifestar, com intensidade, defeitos e virtudes.

         O poder, com seu frequente entorno aclamador, confere aos detentores a sensação de pairarem acima dos cidadãos comuns. A maioria das pessoas costuma ser complacente com feitos e desfeitos, quando da análise de poderosos.

         Em nosso triste estágio civilizatório, pouco erigimos instituições, e cuidamos de construir palácios, lotando-os de serviçais públicos, mais recompensados quando festejadores e enaltecedores do poderoso de plantão.  Não são animadoras as consequências, ao servidor, de posturas legalistas, contestando e até descumprindo ordens sabidamente ilegais e desonestas.

         Nossas estruturas públicas são caracterizadas por intensa pessoalidade, que começa pelo poder de livremente nomear comissionados, para funções e mandos estratégicos, ao longo da estrutura funcional. É risível a mudança no desempenho dos órgãos públicos, ao sabor dos defeitos e virtudes de quem os comanda.

         Na verdade, nossas estruturas públicas funcionam como reinos, o que aumenta o poder de barganha, quando do loteamento de cargos e funções. Tal excrescência subverte o princípio da harmonia e independência dos poderes.

         O Executivo loteia o Estado, obtendo maiorias fisiológicas no Legislativo, e ambos nomeiam integrantes das Côrtes judiciais, buscando realizar o velho e carcomido sonho de aparelhar o Judiciário. Em muitos países, sistemas opressores, corruptos e ditatoriais, foram implantados e partir da subserviência das Côrtes judiciais, com integrantes nomeados.

         Em tal contexto, soa lógico o fortalecimento da corrupção e dos desmandos, originada não só da endêmica e viciada estrutura, mas, e principalmente do cabedal de muitos defeitos e raras virtudes, dos cidadãos eleitos e reeleitos, mesmo quando sabidamente venais.

         São raras, e sempre meritórias, as escolhas erradas, feitas por corruptos. Os defeitos de uns são prontamente reconhecidos e premiados, por outros defeituosos.

         Os maus conseguem o beneplácito da união, enquanto os bons vivem sempre às turras, ou em perniciosa omissão. Em nosso sistema eleitoral, defeitos são veiculados, e acreditados, como virtudes.

         O cidadão candidato a legislador, esgrimindo ser expert em obter verbas e obras, demonstra claramente o defeito de, eleito, ser mais um defeituoso, no país carente de virtudes.             

         Defeitos todos temos, mas devemos buscar dar mais visibilidade e eficiência às virtudes, que também temos, no dia a dia, e principalmente na hora do voto, ou na hora de dar um enérgico e definitivo basta aos malfeitos dos defeituosos que empestam nossos poderes e estruturas. Chega !

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

Pobres | Pedro Israel Novaes de Almeida
14 de junho, 2018

Não é fácil ser pobre.

Dependente compulsório dos serviços públicos, conhece como ninguém as fragilidades do setor. Filas e mau atendimento frequentam o dia-a-dia dos pobres.

São os pobres as vítimas preferenciais do mau humor e complexo de autoridade de grande parte dos atendentes, a maioria também pobre. Quando o pobre encontra uma repartição sem filas, com certeza foi ao endereço errado.

Pobres raramente frequentam as colunas sociais, e não é raro vê-los nas colunas policiais, ou em reportagens de jornais oposicionistas. Quando Deus criou a terra, pensou nos pobres, surgindo então a linguiça mista, o frango e o porco, povoando-lhes a mesa.

O brasileiro tornou-se um tipo raro de pobre, que não soube manter o hábito de comer sopa, alimento mágico que aproveita todo tipo de ingrediente. Outrora, as sopas eram figuras obrigatórias na janta, de pobres e ricos, sendo, agora, substituídas por pão, com alface, manteiga, presunto, mortadela, banana ou mesmo puro.

Pobre raramente habita a vizinhança do emprego, sendo forçado a onerosos, demorados e desconfortáveis périplos do transporte público. A constante lotação dos transportes garante ao pobre a percepção diária do calor humano.

Vive, quase sempre, em regiões pouco abrangidas por saneamento, donde a fama de forte, quando sobrevivente. Os filhos, recentemente, foram contemplados pela merenda escolar, entidade mágica que garante parte considerável da nutrição.

Como todo brasileiro, também fica com frescuras e preconceitos, pouco comparecendo a campanhas de vacinação, sob os mais estranhos e ridículos argumentos. Poucos chegam ao terceiro grau, por trabalho precoce ou falta de condições financeiras.

Pouco especializado, dificilmente consegue altos salários, confinados aos que demonstrarem pendor artístico ou futebolístico. É esperançoso frequentador de loterias, e alimentador frequente dos lucros das empresas de telefonia móvel.

Habita regiões com altos índices de violência, e sente saudades do tempo em que só ricos e remediados eram assaltados. Costuma figurar como suspeito em todos os crimes, e sempre carrega, facilmente apresentados, todos os documentos.

Pobre tem, quase sempre, o ônus do aluguel, que paga até quando invasor. Em meio a tanto sofrimento, o pobre conserva o bom humor.

Governos que não conseguem erradicar a pobreza cuidam de manipular estatísticas, considerando não pobres os que pobres continuam.

Pobres pagam altos impostos, incluídos até no ar que respiram. Pobres que não são negros, nem pertencem a grupos LGTBs, são vistos como párias, insuscetíveis de qualquer amparo suplementar.

São heróis.

                                                        pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.          

Larápios e cortezes | Pedro Israel Novaes de Almeida
06 de junho, 2018

 

         É difícil admitir, mas nosso maior problema ainda é a desonestidade.

         Quando aliados, desonestos do setor público e privado conseguem a façanha de driblar mecanismos de controle e estruturas de fiscalização, apodrecidas tão logo demonstrem alguma eficiência e impessoalidade.

         Embora a desonestidade também habite o setor privado, seu campo de atuação é pródigo no setor público, com vítimas difusas, dando a impressão de que os lesados não são todos os habitantes, mas somente o tal tesouro público. Por séculos, nossos corruptos foram, popularmente, aclamados como espertos e poderosos, e só recentemente alcançaram, ainda tímida, a fama de ladrões.

         O defeito da honestidade sempre foi uma mácula, a impedir o acesso de funcionários públicos a melhores cargos. São milhões os funcionários desestimulados e isolados, por serem portadores da terrível e incurável doença da honestidade.

         Também no campo político, representantes honestos não conseguem apadrinhar verbas e feitos públicos, ou integrar órgãos e comissões legislativas de alguma visibilidade. São, sempre, candidatos à não reeleição, eis que vistos, pelo eleitorado, como pouco atuantes.

         Para disfarçar o império da desonestidade, funcionários técnicos são instados ao apodrecido “jogo de cintura”, pomposo nome da postura de emitir relatórios e pareceres inconclusos, deixando ao superior a gloriosa função de decidir, sem o alerta da existência de qualquer óbice ou inconveniência técnica.

         Órgãos, empresas e estruturas públicas constituem a menina dos olhos dos desonestos. Ali, fincam raízes e fundam feudos, nomeando assessores e esgrimindo as canetas que autorizam contratos e pagamentos.

         Funcionários comissionados, pontas de lança de gestões desonestas, são nomeados com pouca ou nenhuma base em qualificação técnica, sendo, por óbvio, referidos como “de confiança”. Não raro, aportam em cargos e funções importantes, impedindo a qualificação e profissionalização dos serviços públicos.

         É ostensiva e desavergonhada a disputa parlamentar por ministérios, empresas e órgãos da administração pública. A ciência tenta, sem sucesso, descobrir algum nobre ideal em tais anseios.

         A constitucional separação dos poderes, preconizados independentes e harmônicos, é mera falácia, mentira erigida a postulado. A desonestidade consegue fincar raízes em todos os poderes, eis que tem sido determinante, nas nomeações e viabilizações orçamentárias.

         A bancada da desonestidade abrange representantes de todos os espectros partidários, e atua com invulgar coesão, na defesa de seus nada nobres ideais. Possui atuação federal, estadual e municipal, com extrema e recompensada capilaridade.

         Desonestos não atuam uniformizados, mas possuem, em comum, a simpatia, o discurso moralista, a preocupação com os pobres e oprimidos e a incontida ânsia de transformar o país, estado ou cidade, em paraísos. Estão em ruas e esquinas, alardeando como favores pessoais as obras e iniciativas públicas, que não foram custeadas pelo próprio bolso. Só não confessam as omissões e conivências, que possibilitaram de tais feitos.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

Insanidade Coletiva | Pedro Israel Novaes de Almeida
30 de maio, 2018

Insanidade coletiva                        

Está decidido: escolherei, dentre os candidatos à presidência, algum que seja psiquiatra.

O povo vive a ilusão de que surgirá um justiceiro celeste, montado em cavalo branco, para açoitar corruptos e fisiológicos, aninhados nos poderes e cofres de nossa infeliz república.  Na falta do cavalo, serve, também, um caminhão.

Os caminhoneiros iniciaram um movimento paredista, repletos de bons motivos, há anos sofrendo o desdém dos governos. As pautas de reivindicações, tão difusas quanto as lideranças da categoria, eram de cunho econômico e financeiro, aí incluída a tão desejada previsibilidade do resultado dos feitos profissionais.

A contundência e eficácia do movimento recebeu o apoio incondicional da maioria da população, eis, que, até que enfim, uma categoria havia conseguido emparedar políticos e administradores, sem bandeiras sindicais ou partidárias.  Em delírio, a população creditou, aos grevistas, objetivos e inspirações que jamais corresponderam aos objetivos iniciais do movimento.

Descrentes da representação política formal, indignados com os absurdos casos de corrupção e desmandos, diariamente noticiados, os brasileiros conferiram, aos caminhoneiros, a missão de purificar todos os insalubres recônditos da nação. Manifestações de apoio surgiram, aos milhares, e até a entonação, emocionada, do hino nacional, completaram a paisagem, de redenção nacional.

Engrandecidos, os caminhoneiros passaram a agir como autênticos deuses, mandatários ditadores de uma republiquinha qualquer. O direito de ir e vir, com cargas, passou a ser beneplácito, conferido por tribunais de exceção, montados rodovias afora.

O país parou, criadores não tiveram o direito de alimentar animais e aves, e horticultores jogaram ao lixo produções impedidas de transitar. Indústrias paralisaram atividades, e mercadorias faltaram, enquanto hospitais adiaram cirurgias e atendimentos.

Todos perdemos. Direitos, ao mais comezinhos, foram desrespeitados.

O aparato repressivo do Estado foi elevado a negociador paciente, por vezes omisso, em nome de negociações que ignoraram os cidadãos vitimados. Vivemos, ainda, a ditadura dos caminhoneiros.

Leis e respeitos, constitucionais e civilizados, acabaram impunemente descumpridas, pelos aclamados salvadores da pátria. O acatamento, pelos governantes, da maioria das reivindicações, não impediu o prosseguimento dos abusos e transgressões, agora apimentadas pelos estímulos à derrubada dos governos, com apelos e aplausos à intervenção militar.

Petroleiros, oportunistas e tendenciosos, ameaçam paralisações, piorando a situação e expectativas de normalização da vida nacional.

O povo, sofrido e desnorteado, aplaude, inebriado pela doentia sensação de que tempos felizes se aproximam. Trata-se de flagrante transtorno coletivo. Está, a maioria, à espera do Messias, ainda que ditador e desrespeitoso.

     

Pedro Israel Novaes de Almeida

                                   pedroinovaes@uol.com.br

      O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

 

Você curte sua imagem? | João Antonio Pagliosa
28 de maio, 2018

Em 2 Coríntios, capítulo 3 versículo 18, lemos o seguinte: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito."

Nós, prezado leitor, temos o rosto desvendado porque Cristo retirou o véu. E, qualquer pessoa que se converte pode contemplar a glória do Senhor, e se tornar cada vez mais parecido com o Senhor, que é o Espírito.
De nossos pais e avós herdamos atributos físicos e também traços de caráter. Herdamos qualidades e herdamos defeitos, herdamos coisas boas e outras nem tanto. Mas poucos prestam a devida atenção ao que herdaram de seus ancestrais.
Observo que as pessoas procuram superar de muitas formas suas imperfeições físicas. Algumas acabam morrendo porque queriam uma barriga tanquinho, ou curvas mais delineadas e sensuais.
É relativamente fácil mudar nosso fenótipo, por exemplo, diminuir o tamanho do nariz, ou algo que o valha. Porém isso tem importância muito relativa... O que importa de fato é mudança de caráter...
E vejo quase ninguém preocupado em mudar seu próprio caráter... Em transformar-se de fato em novas criaturas, e a partir daí, viver de glória em glória!
Não tenho a menor sombra de dúvida que todos viveriam melhor se aplicassem suas energias no sentido de desenvolvimento de seu próprio caráter. A beleza física é importante mas ela tem a espessura da pele, e se desgasta rapidinho...
O Espírito Santo, querido leitor, está em nós! E Ele desenvolve em nós a nítida imagem de Cristo! Entreguemos pois, todos os nossos atributos físicos, morais e intelectuais, todas nossas qualidades e nossos defeitos ao Senhor, e permitamos que Ele cumpra o que tinha em mente quando nos criou como obras primas de seu amor.
Aí sim a vida terá real sentido... Aí sim você curtirá a sua imagem!
 
Curitiba, 28 de maio de 2018.

 

João Antonio Pagliosa
Engenheiro Agrônomo
Generalistas | Pedro Israel Novaes de Almeida
24 de maio, 2018

 

         Escrever artigos semanais, sendo especialista em absolutamente nada, é uma temeridade.

         No caso da greve de caminhoneiros, é instintiva a aprovação do movimento, em face dos altos custos do pedágio, da violência e do próprio combustível. Quando analisada a questão das contingências do mercado mundial do petróleo, contudo, é requerido algum conhecimento mais aprofundado do tema, sob pena de opiniões apressadas, que desinformam.

         O Brasil é repleto de especialistas, que tentam transformar simples opiniões em fatos incontestes. Geralmente, nossos especialistas sem especialização habitam as searas econômica, social e política.

         A paixão, partidária ou política, leva a produção de textos que, tentando ser objetivos, acabam repetindo chavões que jamais conseguem ir além do discurso fácil, sempre acolhendo uma solução simplista. Tais textos, por numerosos e repetitivos, encontram terreno fértil na incipiente cultura do público leitor.

      Existem temas pouco tratados, por estarem permanentemente protegidos por especialistas. Assim, são raros os amadores que ousam penetrar no campo da medicina, das ciências naturais ou mesmo de conteúdo bíblico.

     No caso do edifício que ruiu, em São Paulo, o tema mais tratado foi a miserável condição dos invasores e a lamentável política habitacional dos governos. Poucos atentaram à inexistente eficácia de nossas leis, pretensamente rígidas na proteção dos patrimônios tombados, e, para surpresa geral, o edifício era tombado.

     Poucos incluíram, no trato da política habitacional, a criminalização fiscal dos investimentos em imóveis para locação. Quem paga aluguel não tem direito a deduções, e quem os recebe é gravosamente taxado.

   Existem temas cuja persistência histórica faz rarear as análises e indignações, como a pecaminosa ausência de correção, nas tabelas do imposto de renda. Governos após governos, o Estado avança mais, a cada ano, sobre os ganhos da população, agigantando-se em suntuosidades e ineficiências.

    A pouca presença de especialistas, dentre os articulistas, contudo, deve ser saudada como primado da democracia, pela diversidade de opiniões. A mídia nacional, salvo honrosas exceções, tem tendido a figurar como mais uma, dentre tantas redes sociais.

   Tamanha liberdade, contudo, seria melhor aproveitada fôssemos, os leitores, mais instruídos. É triste presenciar, nas esquinas, discussões que nada mais são que esgrimas de chavões e frases de efeito.

  Um povo que toma como verdades e fatos meras opiniões tende a ser vítima fácil de embustes eleitorais, aclamando soluções aparentemente lógicas e infalíveis, de fácil digestão. Candidatos sérios e honestos, que não apregoam o paraíso sem sacrifícios, não costumam ser campeões de voto.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.      

Respeito à criança e ao idoso | João Baptista Herkenhoff
24 de maio, 2018

Neste artigo quero refletir sobre os extremos da vida. Comecemos pela criança.

Nos meandros da Justiça tudo pode atrasar, menos o julgamento de hábeas corpus.

A adoção de crianças não deveria ter o mesmo status?

Matéria tão grave, de repercussão humana e social tão profunda, pode ter justificativa de retardamento apoiada em problemas de estrutura do Poder Judiciário?

Uma criança pode esperar o andamento da “traquitana da Justiça” (Monteiro Lobato)? Seu destino pode suportar o emperramento dessa traquitana quando pais adotivos suplicam pela oportunidade de adotar? Penso que não.

Vou agora me debruçar sobre o idoso.

         O ciclo natural da vida exige que gerações substituam gerações, na perene obra de construção e aperfeiçoamento do mundo e das coisas.

         Nas sociedades que se guiam por padrões éticos, aqueles que já deram sua parcela de trabalho, nos diversos ofícios que compõem a sinfonia da vida, constituem um grupo respeitável dentro da comunidade.  São os aposentados, ou jubilados, ou integrantes da reserva.

Não ficam excluídos ou apartados da comunhão social.  Muito pelo contrário.  Reconhece-se nas pessoas mais velhas o dom do conselho.  Daí que são ouvidas com respeito, pela experiência que acumularam ao longo da vida.

 

João Baptista Herkenhoff é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor.

E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

         CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520

 

É livre a divulgação deste texto, por qualquer meio ou veiculo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa. 

 

Vice e titular | Pedro Israel Novaes de Almeida
16 de maio, 2018

É estranha a figura do vice, prefeito, governador ou presidente.

         Em época eleitoral, todos os candidatos tratam de convidar os concorrentes para figurar como vice, na chapa. A atitude busca diminuir a concorrência, agregar apoio e manter um ambiente amistoso.

         O vice ideal é aquele que agrega confiabilidade e simpatia à chapa, além de portar uma franciscana vocação a figurar em segundo plano, durante a gestão. Na prática, contudo, titular e vice rumam, desde o primeiro dia, ao desencontro.

         Na república, as divergências entre Collor e Itamar, Dilma e Temer, comprovam que diferentes estilos possuem dificuldades em conviver em ambiente de hierarquia de poderes. O vice frequenta o mesmo ambiente de poder, sem possuí-lo de fato.

         A criação do vice visou impedir a descontinuidade da gestão, nas faltas e impedimentos do titular. A tendência atual aponta para a utilização dos vices, ocupando secretarias ou encabeçando eventos e promoções oficiais.

         Não compete ao vice aguardar, distante, a oportunidade para assumir, devendo manter-se atualizado dos fatos e tendências da administração, eis que pode, a qualquer momento, assumi-la, temporária ou definitivamente. 

         O acordo mais comum, e comumente mais desrespeitado, diz respeito ao vice figurar como titular, na eleição seguinte. São mínimas e irreais as chances de tal acordo vingar, mesmo que bem intencionadas as partes, quando do trato.

         Toda a responsabilidade dos erros e acertos das gestões recai sobre o titular, e não existem registros de imputações de sucessos ou insucessos, ao vice. Tal situação conduz o titular a tomar para si todo o domínio e responsabilidade, acabando por descumprir as juras de administração compartilhada, infantil e ingenuamente combinadas, na fase pré-eleitoral.

         Humanos, titular e vice acabam incomodados, sempre que o brilho do reconhecimento popular atinge mais um que outro. Vices, com anseios de poder, buscam luz própria, iniciando, não raro, uma disputa sorrateira, que pode atingir feições conspiratórias, comprometendo o bom andamento da gestão.

         As desavenças podem ser de tal monta que algum vice, mesmo quando assume o poder por alguns dias, cuide de mudar todo o quadro de comissionados, e trate de pintar todos os postes e sarjetas, enunciando melhorias na visão popular. O vice pode ainda aproveitar a interinidade e propor, ao legislativo, normativos populistas, que desagradem o titular ou comprometam o andamento futuro da gestão.

         Por outro lado, titulares podem iniciar procedimentos irregulares, deixando temporariamente vago o cargo, para que os vices assinem documentos e assumam responsabilidades. Desavenças entre titulares e vices prejudicam, sempre, a população.   

         No tema, a desavença é a regra, e a harmonia exceção. Resta torcer para que os desencontros fiquem confinados ao relacionamento pessoal, não prejudicando o objetivo maior das administrações, que é o bem estar coletivo.

                                                                                           pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

        

Multiplicando talentos e desenvolvendo habilidades para superar desafios | João Antonio Pagliosa
14 de maio, 2018

Teus talentos não são para serem enterrados… Multiplica-os!

Precisamos sempre aprender com a palavra de Deus, e em Mateus 25: 14 a 30, lemos sobre a parábola dos talentos.

Gente, quanta sabedoria em tão poucos versículos…  Você lê em dois minutos, porém muitos não aprendem essa lição no transcorrer de toda sua vida…  Assim é o homem!

Talentos nós podemos adquirir através de nosso esforço e de nossa abnegação. De dedicação constante… Dons é diferente… Dons, Deus nos dá… Por pura graça! Aleluia!

O Brasil precisa empreendedores sérios e competentes, e acima de tudo, honestos e de princípios consolidados. Qualquer nação precisa… E as eleições presidenciais estão aí. Vote com consciência porque o Brasil merece!

Empreender é ter visão. Empreender é ter metas, ou seja, sonhar com data estipulada para acontecer. E esses sonhos precisam ser precedidos de muito planejamento, e de algum recurso financeiro para alcançarmos êxito.

O Senhor do Universo conspira a nosso favor, sempre! E aprendi que empreendedorismo é a conversão do conhecimento em algo de valor empresarial. Aprendi que empreendedorismo é a busca constante de formas de inovar o que faço. Aprendi que para aqueles de cabeça aberta, não importam as circunstâncias, sempre haverá oportunidades. Aprendi que oportunidades precisam ser aproveitadas.

Aprendi que sorte e azar não existem. Sorte é quando a oportunidade encontra alguém preparado e disposto ao trabalho.

Azar é quando a oportunidade encontra alguém despreparado.

Homens preparados, sempre terão oportunidades. Creia nisso, e vá à luta!

O perfil de um empreendedor de sucesso está posto muito claro em Josué, capítulo 1, versículo 7.

O versículo diz: “Tão somente sê de fato firme e corajoso, para teres o zelo de agir de acordo com todos os mandamentos que te ordenou Moisés, meu servo. Não te apartes dele, nem para a direita e nem para a esquerda, para que tenhas sucesso em todas as tuas realizações.”

Caros, é preciso ser ético. É preciso ser homem de princípios consolidados! Sucesso só vale a pena com essa prerrogativa! Quantos iníquos estão atrás das grades por jogar no lixo sua dignidade e honra!

Onde não houver visão, o povo perece! O olhar além do que se vê, e  imaginar o que existe além da montanha a nossa frente. É o desafio de empreendedores, de homens que fazem a diferença e encurtam os caminhos.Hoje há muitos empresários que são analfabetos visuais, ou seja, eles veem, mas não enxergam. Falta-lhes sempre perspicácia… Falta-lhes entendimento… E isso é muito sério, para dizer o mínimo.Sou homem temente a Deus, e considero que devemos busca-lo com força, para que possamos manter a disciplina. Para mim, só com disciplina o sucesso será pleno… A ergonomia cognitiva, por exemplo, sentar de forma correta na sala de aula, auxiliará muito o aluno no seu aprendizado.

Nós somos templo do Espírito Santo, por isso precisamos cuidar de nosso corpo. Precisamos ter disciplina com nosso corpo. Precisamos ter disciplina com o nosso tempo, isto é, usá-lo como dom precioso que é. Precisamos ter disciplina com a nossa mente… Vigie seus pensamentos, não tenha ansiedades, pois pessoas ansiosas não tem gestão correta de sua mente, e elas perdem oportunidades de crescer profissionalmente, elas não conseguem aprender o que precisam.

Os empreendedores são determinados e dinâmicos. São otimistas e sempre apaixonados pelo que fazem.

São comprometidos com o que fazem, conforme o livro de Colossenses 3:23, “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo coração, como para o SENHOR e não para os homens.”

Os empreendedores são pessoas bem relacionadas e sabem explorar  potencialidades ao máximo. São chamados a exercer lideranças e buscam o conhecimento, sempre e sempre.

Em Provérbios 1:7, lemos: “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina.”

O conhecimento técnico é abundante em muitos profissionais, mas a sabedoria está em falta… E nosso mundo precisa urgentemente de ÉTICA, nosso mundo precisa de pessoas que pratiquem a verdade…

Na atualidade, talvez para sua surpresa, 90% dos brasileiros são mentirosos, não praticam a verdade… Essa máxima (que deveria ser mínima) de que quem não cola não sai da escola, é de uma imbecilidade total… Mas é uma realidade para muitos, desgraçadamente…

Para ter sucesso na vida é preciso visão holística, com muita disciplina, dedicação, informação, conhecimento, paciência, sacrifício, trabalho árduo, e temor do Senhor.

Em Salmos 139:15 e 16, lemos: “Meus ossos não te eram encobertos, quando fui formado ocultamente e tecido nas profundezas da terra. Teus olhos viram meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias; prefixados, antes mesmo que um só deles existisse!”

Como não ter temor do Senhor, meu prezado leitor?

E, por falar nisso, não sei se perceberam que alguns cientistas ateístas estão se calando nos últimos tempos. Sabe por que?

Porque a alta tecnologia de hoje tem permitido conhecer mais profundamente a competência de Deus. Há equipamentos muito sofisticados que permitem conhecer mais e melhor…

Recentemente três químicos receberam o prêmio Nobel de Medicina porque descobriram uma enzima que corrige ou elimina o DNA de determinada célula. Esta enzima corrigindo ou eliminando um DNA defeituoso, impedirá uma anomalia. Pode-se corrigir uma falha antes que a pessoa nasça.

Deus quer dar um premio Nobel a você… Ele quer lhe dar muito mais que um Nobel, se você o aceitar… A vida eterna… No Éden e com Ele!

Em João 15: 3 e 4 lemos: “Vós já estais limpos, pela Palavra que Eu vos tenho transmitido. Permanecei em mim, e Eu permanecerei em vós. Nenhum ramo pode produzir fruto por si mesmo, se não estiver ligado à videira. Vós igualmente não podeis dar fruto por vós mesmos, se não permanecerdes unidos a mim.”

Os cientistas ateístas estão se calando porque não conseguem explicar a grandiosidade de Deus. É sábio calar antes de falar que Deus inexiste!

Você consegue aquilatar quanta energia tem uma simples semente? Numa pequena semente há bilhões de informações no DNA de cada célula, que é característica daquela semente em particular. É de estarrecer qualquer sábio… É de estarrecer qualquer um…

Ninguém é como nosso Deus! Ninguém se assemelha a Ele! Em João 1:3 lemos: “Todas as coisas foram feitas através dele, e sem Ele, nada do que existe teria sido feito.”

Isaías 61:11 diz: “Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Soberano, YAHWEH, fará nascer a justiça e o louvor diante de todas as nações!”

Deus é fantástico! Observem a sedução das flores… Elas têm cores maravilhosas… Elas têm formas incríveis… Elas têm perfumes inebriantes… Elas têm néctar delicioso e agradável… Tudo para atrair muitos insetos… Tudo para permitir fertilização entre as espécies… As flores seduzem para sua autopreservação… Perfeito!

Gênesis 1: 11 e 12 diz: “Deus determinou: Que a terra seja coberta com todo tipo de vegetação! Plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes conforme suas próprias espécies. E assim aconteceu. A terra fez brotar toda a vegetação: ervas que dão sementes segundo sua espécie, e árvores que produzem frutos, cujas sementes estavam neles, de acordo com suas espécies. E observou Deus que isso era bom.

Esse é o poder da criação… Um pouquinho dele… E observando essas coisas todas, não há como não crer.

Em Romanos 1:20 lemos sobre a ira de Deus contra homens sem fé. O versículo citado diz: “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido observados claramente, podendo ser compreendidos por intermédio de tudo o que foi criado, de maneira que tais pessoas (que não creem) são indesculpáveis.”

Reflita sobre tudo isso prezado leitor… E volte-se para o PAI! Enquanto seu coração bater no peito, haverá tempo! 

JoãoAntonioPagliosa. 

Engenheiro Agrônomo

ww.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

Ainda as armas | Pedro Israel Novaes de Almeida
14 de maio, 2018

        A insegurança pública cresce a cada dia, modificando hábitos e opiniões.

         A facilitação da posse e porte de armas de fogo vem angariando adeptos em todos os estratos sociais, aí incluídos até pacifistas extremados. O que está em discussão é a possibilidade do cidadão comum ter acesso aos armamentos, obtidos com facilidade por delinquentes de toda a espécie.

         É direito fundamental de todo ser humano defender a vida, sua e de terceiros, bem como zelar pela integridade dos patrimônios. Na iminência de sofrer qualquer tipo de violência física, o cidadão abandona o acatamento do ordenamento jurídico e convicções de foro íntimo, em atendimento ao inarredável instinto de sobrevivência.

         Por outro lado, a posse de arma de fogo faz crescer a possibilidade de qualquer vítima acabar assassinada, por estar sempre em desvantagem perante seu agressor, a quem cabe a escolha de hora, local e circunstâncias da ação. Agressores figuram na cena precavidos, não raro armados, enquanto as vítimas são, sempre, surpreendidas.

         Até pessoas preparadas, como policiais, podem ser fulminadas, quando de reações. Por outro lado, a expectativa de que a vítima esteja desarmada faz crescer a ousadia e número de ações dos criminosos.

         O aspecto crucial da busca de soluções é acautelar parâmetros que garantam o controle emocional e preparo técnico do portador de arma de fogo. Qualquer arma, deferida de maneira equivocada, significa riscos adicionais a toda a sociedade.

         Antecedentes criminais constituem um bom parâmetro, assim como a análise da necessidade de posse do armamento, em cada caso. Por outro lado, pareceres técnicos psicológicos nem sempre conseguem retratar, de maneira inequívoca, a condição para tal posse. Soa lógico, contudo, a vedação de armamentos, a alcoólatras e usuários de drogas ilícitas.

         Por outro lado, a propriedade de armas, segregadas em domicílio, possui menor potencial de risco a terceiros, devendo merecer menores exigências. É indispensável no meio rural, onde a segurança anda cada vez mais distante.

         Pelo andar da carruagem, a propriedade tende a ser regra, e a posse exceção. É sempre útil lembrar que possuidores não podem portar armas, em locais públicos, como bares e aglomerados humanos.

         Portar ou possuir armas ou mesmo munições, sem estar devidamente autorizado, é crime, seja o agente vítima ou bandido. O postulado, de inegável acerto, tem permitido o aprisionamento de criminosos, mesmo quando não estejam assaltando.

         As policias não conseguem conter a crescente criminalidade, pelos mais diversos e justos motivos, sendo necessário que a própria sociedade tenha maiores chances de autodefesa. Deixá-la cada vez mais exposta à sanha e ousadia de criminosos é consequência cruel da pouca atenção dispensada ao problema.

         Criminosos que não temem Deus nem a polícia, e desdenham os meandros da Justiça, podem ser minimamente reprimidos, se ao menos temerem suas vítimas.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.      

 

        

Criminosos animados | Pedro Israel Novaes de Almeida
29 de abril, 2018

A sensação de insegurança, já generalizada, vem modificando hábitos e tornando precárias as relações humanas.

         Namoros no portão, outrora acompanhados pelo olhar atento e dissimulado da vizinhança, acabaram extintos. Despedidas já não ocorrem no interior dos veículos.

         Pedestres, outrora rotineiros integrantes da paisagem, hoje parecem alvos ambulantes, sempre apreensivos. Locais e horários determinam o tamanho e natureza dos riscos envolvidos em cada caminhada.

         Estudantes e trabalhadores organizam grupos de caminhada, para martírio dos que moram mais distantes. Pais, mães e irmãos acompanham a chegada, muitas vezes indo ao encontro dos pedestres.

         Celulares já são vendidos aos pares. Um, mais sofisticado e valioso, segue quase oculto, e, ostensivamente mostrado, o mais singelo.

         Pontos de ônibus viraram aglomerados de vítimas potenciais, em rápidos e certeiros arrastões. Basta uma moto reduzir a velocidade, ou parar, para que o pânico seja instalado.

         Policiais amargam duplo risco. Como cidadãos, são roubados, e, reconhecidos, mortos. Existe, entre criminosos, uma ética bandida, que exalta qualquer ação contra os que nos protegem.

         As casas, outrora com rústicos cacos de vidro sobre os muros, hoje ostentam alarmes, câmeras e cercas elétricas. Cães bravos afastam criminosos iniciantes, e mansos acabam roubados.

         Para felicidade dos criminosos, a maioria das casas mantém aberta a porta da cozinha, durante todo o dia. Pedintes, outrora recebidos com solidariedade, hoje são, em sua maioria, repelidos, sempre à distância.

         Moradores da área rural seguem indefesos, distantes de qualquer socorro imediato. São os que mais precisam de armas de defesa.

         Organizações criminosas rendem e assaltam pequenas cidades, explodindo bancos, aproveitando o pequeno contingente policial. Usam armas de guerra, em ações que lembram atos terroristas.

         Em muitas cidades, funcionários do correio e veículos de entrega acabam impedidos de acessar determinados bairros, tidos como perigosos, mesmo à luz do dia.

         A população, atormentada, clama por dispositivos penais mais rígidos, inclusive no trato de menores infratores. Os criminosos parecem menosprezar reprimendas legais, imperando a sensação de impunidade.

         A grita geral é pela mais facilitada legalização da propriedade e porte de armas, para que o próprio cidadão cuide de sua segurança, eis que o Estado não consegue fazê-lo.

         Tendências e iniciações criminosas podem e devem ser acauteladas nos ambientes escolar e familiar, mas tal pouco ocorre. As drogas costumam estar presentes na maioria das motivações criminosas.

         A antiga e ainda válida regra de que deve ser atendida, com prioridade, a segurança da sociedade, vem sendo menosprezada por tendências e pregações que tendem a tornar vítimas os criminosos, e criminosa a própria sociedade. Ainda bem que temos, ainda, policiais que dão a própria vida para a proteção de bens e vidas alheias.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

             

        

A irresponsabilidade de caluniar e de denegrir | João Antonio Pagliosa
29 de abril, 2018

A irresponsabilidade de caluniar e de denegrir

 
Vivemos tempos estranhos... O mundo mudou uma barbaridade nos últimos anos, e o avanço das tecnologias tem permitido interações entre as pessoas, simplesmente inimagináveis, apenas alguns anos atrás...
É fácil emitir opiniões sobre algo ou alguém, entretanto muitos o fazem sem o mínimo de discernimento, sem o mínimo de reflexão... E desandam a caluniar como se isso fosse algo tão banal quanto andar para frente...
Óbvio que nossos homens públicos e muitos famosos são um referencial para a massa. Mas são referenciais que pessoas honradas não podem usar como padrão porque devemos sempre recordar que palavras proferidas são como flechas lançadas. Elas não podem ser trazidas de volta,  e por óbvio, não se  pode deixar tudo por isso mesmo. Afinal, calúnias contra alguém dão margem a muitas interpretações... E há muitos que amam ver o circo pegar fogo. 
Para aqueles que não tem nada a perder (na insana opinião deles), quanto pior, melhor. Lástima!
Nas últimas semanas eu e minha família temos vivido uma situação muito delicada, simplesmente porque procuramos agir com cautela para garantir o máximo de retorno para um investimento realizado numa determinada Empresa. Apesar de explicarmos à exaustão a situação atual do mercado, fomos taxados de incompetentes e visionários. Tentaram em vão apropriar-se de algo que não lhes pertence, e para o cúmulo da loucura eles se julgam lesados e prejudicados.
Eu não canso de repetir que para alguns, a insanidade não tem limites. E eu sei que a maldade anda junto com a burrice.
Como sou cristão e procuro seguir a Palavra, sei que a vingança pertence a Deus. Ele tudo sabe, tudo ouve, tudo vê. Portanto aqueles que incorrem em injustiças e desgastam-se no intuito de prejudicar os outros, estes meus caros, não sabem o risco que estão correndo.
Nada, absolutamente nada, escapa aos olhos de DEUS! E a punição virá! Virá no tempo de DEUS!
O poder da língua é extraordinário, não obstante há que se usá-lo com sabedoria...
 
Curitiba, 30 de abril de 2018
João Antonio Pagliosa
Engenheiro Agrônomo

 

Ladroagem oficial | Pedro Israel Novaes de Almeida
18 de abril, 2018

          Seria injusto afirmar que a corrupção integra nossa cultura e tradição.

         Na verdade, ela sempre integrou a cena brasileira, e há séculos convivemos com desonestos, públicos e privados. Aprendemos a emprestar status diferenciados à roubalheira.

         De um lado, o simples e odiado ladrão, que simplesmente se apropria de algo que não lhe pertence, seja uma galinha ou todo o galinheiro. De outro, o corrupto, de status mais refinado e educados trejeitos, que rouba o que a todos pertence.

         O corrupto não faz uso da força, e sequer ameaça a integridade física de suas vítimas, que pouco experimentam a sensação de que foram lesadas, imaginando que o objeto ou quantia roubada pertence a um ser abstrato e nada familiar, vulgo Estado. São poucas as percepções de que a corrupção limita a prestação do serviço público, notadamente nas áreas da saúde, educação e segurança.

         A corrupção é uma praga humana universal, e recebe tratamento diferenciado, segundo o grau de civilidade e maturidade das instituições de cada país. São raros, raríssimos, os ditadores honestos, e a centralização do poder é um dos principais ingredientes da roubalheira oficial.

         Duas providências enfraqueceram a corrupção, mundo afora: a certeza da punição e a condenação social, principalmente pelo uso do voto como reprimenda aos desonestos. Em países onde reina, já histórica, a impunidade, e onde a população insiste em eleger e reeleger bandidos engravatados, instala-se o império da falcatrua, da insensatez e da miséria social.

         No Brasil, pouco adiantou a instituição de sofisticados rituais para o gasto público, a começar pelas diferentes modalidades de licitação. Acabamos por prestigiar a forma e negligenciar o conteúdo, tornando um procedimento útil em mero cumprimento de enfadonha formalidade.

         Algum licitante pode sair vencedor de alguma concorrência, pelo parâmetro preço, mas estar previamente acertada a entrega de quantidade menor de mercadoria. Como apurar se foram entregues 70 ou 80 toneladas de emulsão asfáltica, das 100 adquiridas e pagas pelo poder público ?

         A política gera poderes que a tornam atrativa e até rentável, como autorizar despesas, contratar e nomear, no Executivo, ou omitir, consentir, indicar nomeáveis e até roubar junto, no Legislativo. No Brasil, o uso indevido da máquina pública sustenta a legião de cabos eleitorais comissionados, facilita a reeleição e perpetua a malandragem.

         A Lava Jato não vai erradicar a corrupção. Vai, no máximo, demonstrar-lhe as entranhas e enjaular alguns safados.

         A operação está lançando luzes sobre a precariedade de nossos homens e instituições, judiciárias, executivas e legislativas, além de tirar das sombras a realidade da mídia, das organizações ditas sociais e das vertentes partidárias que exaltam criminosos.

         A Lava Jato está entregando, à população, a radiografia de nossa incivilidade. Daí em frente, caberá a cada um combater, em seu entorno, a desonestidade.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

            

        

Reciclados | Pedro Israel Novaes de Almeida
16 de abril, 2018

 

A humanidade, desde as cavernas, vem produzindo lixos.

         Os restos e descartes, inicialmente, eram poucos, e simplesmente jogados, de preferência longe do entorno de quem os produziu. Com o tempo, alguns restos orgânicos passaram a ser queimados, como medida sanitária para evitar a disseminação de doenças e mau cheiro.

         Rios e mares sempre foram, e ainda são, os destinos preferenciais do lixo. Além da poluição das águas, causa enchentes e compromete a vida marinha.

         Com o tempo, as montanhas de lixo ficaram frequentes, e começaram a ser valorizadas as atividades de reutilização, reciclagem e diminuição do volume descartado. O fogo foi a universal e primeira medida para diminuir o volume, prática ainda muito utilizada, com agora com viés de clandestinidade.

         No Brasil, país de baixíssima reciclagem, os tristemente famosos lixões reúnem multidões de vasculhadores, que vivem e trabalham em condições desumanas e insalubres. Conseguem, no máximo, a precária sobrevivência.

         Nas cidades, poucos separam o lixo, providência que facilita a coleta seletiva. Latas de alumínio são descartadas junto a restos de feijão, carne e óleo comestível.

         Muitos ocultam cacos de vidro em meio ao lixo orgânico, causando acidentes que vitimam lixeiros e frequentadores de lixões. Na maioria das cidades, catadores de reciclados operam na informalidade, tentando ultrapassar a crônica e useira falta de equipamentos de proteção, barracão, balança, compactador e veículo de carga.

         Informais, os catadores guerreiam por percursos mais rentáveis, e alguns amealham recicláveis, lançando em ruas e calçadas o material que não lhes interessa.  É uma verdadeira guerra fraticida.

         O preço dos reciclados é baixo, despontando como valiosos as latas de refrigerantes e garrafas pet. Em geral, um quilo do lixo reciclável comum vale vinte e cinco centavos de Real.

         A rigor, todo material é reciclável, bastando que se alie, à técnica, economicidade. Os patinhos feios do setor são o lixo hospitalar e isopores.

         A questão do lixo, no Brasil, tem sido negligenciada, e muitas prefeituras ainda consideram favores os poucos incentivos e amparos que destinam aos coletores de recicláveis. Os próprios lixeiros, agora garis, ainda operam em más condições, sanitárias e salariais.

         O lixo representado por embalagens de agrotóxicos e restos eletrônicos já foi objeto de providências, pelo legislador. A tendência aponta para a responsabilidade solidária de fabricantes e comerciantes, pelo material que disseminam.

         São raras as campanhas de esclarecimento, a respeito do descarte de materiais tóxicos e medicamentos, potencialmente letais. As embalagens, mais valorizadas e volumosas que os produtos que contêm, devem ser aperfeiçoadas à condição de mínimo indispensável.

         A comunicação eletrônica reduziu drasticamente a utilização do papel, economizando árvores. Ainda bem que corruptos não emitem recibos e tratam verbalmente suas safadezas.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

        

            

O que as pessoas vêem... e o que vêem, e não é real | João Antonio Pagliosa
16 de abril, 2018

Quando não fazemos reflexões profundas sobre determinados fatos, invariavelmente cometemos erros de julgamento. Erros de julgamento sempre trazem prejuízos, de uma forma ou de outra...

Li nesta semana que há pessoas prometendo se matar, caso a justiça não libertar o homem que é a maior desgraça que aconteceu a este país: Luiz Inácio Lula da Silva!

Se as pessoas aquilatassem o quanto este insano, que agora julga-se uma ideia, tirou de seus bolsos e esvaziou suas despensas, certamente desmistificariam este maluco que tem como único deus, Mamom!

É certo que o homem comete erros. Também é certo que o homem repete os mesmos erros ao longo da história... Agora, insistir em pensar de forma errônea, é de amargar! E quando alguém quer se suicidar em prol de um safado, aí chegamos ao cúmulo da burrice e da insensatez.

Cada um de nós existe porque Deus assim o quis. Cada um de nós tem livre arbítrio porque Deus assim o quis. Deus ama apaixonadamente cada criatura porque Deus é assim: Um poço de amor e bondade... De justiça e de benignidade... Deus é muito bom!

Mas, Deus nada pode fazer por aqueles que trilham caminhos errados e não se arrependem e nem se redimem. Estes terão uma eternidade para se arrepender... E será em vão!

As últimas semanas foram terríveis para este escriba. Minha mãe adoeceu e seu quadro clínico era muito ruim e ficou em coma induzido por quase duas semanas, porém ontem ela recebeu alta do hospital e agora está convalescendo na casa de sua filha mais velha.

Acompanhei todo o processo dessa doença e quando minha mãe recobrou a consciência eu vi o quanto ela estava grata a todos que a ajudaram nessa recuperação. Ela agradecia a todos, ela beijava a mão de todos que a visitavam, ela sorria e se alegrava muito com sua recuperação... Ela fará 90 anos no próximo dia 28 de junho, todavia, parecia uma menina, tamanha sua alegria por recuperar a vida.

Sabe porque, querido leitor? Porque Deus nos fez assim...

Ninguém em sã consciência quer morrer! Pois a vida é um dom maravilhoso que recebemos de Deus de forma gratuita...

Deus nos criou para vivermos no paraíso com Ele, mas o pecado de Adão e Eva nos tirou de lá, e para voltarmos para lá onde Deus nos quer, Jesus, o próprio filho de Deus, precisou morrer morte de cruz, isto é, a pior das mortes...

Ninguém tem maior amor que aquele que nos criou. Em João 15:13. entendemos a dimensão do amor de Deus, e  compreendemos que a essência do Evangelho está no livro de Gênesis. Há ali uma expressão que se repete várias vezes. Essa expressão é: "E viu Deus que era bom!"

Porém, ao criar o homem, a expressão mudou para: "E viu Deus que era muito bom!" Ora, a essência do Evangelho é que nós somos a obra prima da criação de Deus, e Ele nos ama mais do que qualquer outra coisa que criou."

As pessoas não vêem que amar o dinheiro os afasta de Deus, e lamentavelmente conheço pessoas que só amam dinheiro. Para elas o dinheiro vem em primeiro lugar, e pelo dinheiro cometem os erros mais infantis, e julgam de forma precipitada e fazem injustiças homéricas. E não se preocupam quando difamam e humilham e escarnecem...

O que sei é que Deus vê todas as coisas, portanto, nada lhe passa despercebido e sobre tudo aquilo que fizermos seremos julgados... O que sei é que a vingança pertence a Deus... Outrossim, oro por aqueles que não vêem o que é real!

 

Curitiba, 14 de abril de 2018

João Antonio Pagliosa

www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

Lula Nobel da Paz | João Baptista Herkenhoff
16 de abril, 2018

 

Trataremos de três assuntos no artigo de hoje.

O nome do ex-presidente Lula está sendo cotado para receber o Prêmio Nobel da Paz.

O galardão é entregue todo ano, no dia dez de dezembro, que é o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A candidatura de Lula está sendo proposta pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio em 1980. Vem recebendo apoio de figuras do cenário internacional.

O primeiro brasileiro cogitado para a premiação foi o Arcebispo Dom Hélder Câmara. Houve uma grande pressão da ditadura brasileira, então vigente, para evitar a outorga do prêmio a alguém que denunciava os abusos contra os direitos humanos que estavam então sendo praticados em nosso país. Dom Hélder não foi indicado.

Agora Lula é o segundo brasileiro a ter o nome colocado em pauta.

Mesmo que Lula não seja contemplado com o mais importante prêmio concedido a lutadores pela Paz, a simples lembrança do seu nome, com o aval de figuras exponenciais que lutam pela Dignidade Humana, pelo  Pacifismo e pelos mais altos valores da Civilização – é uma glória insigne.

A importância da homenagem é tão grande que, numa hora como esta, não deve haver brasileiros lulitas e brasileiros anti-Lula.

Cessem as contendas, cessem as divergências. Que todos nos sintamos homenageados na pessoa do brasileiro escolhido.

É providencial que a entrega do prêmio ocorra depois das eleições presidenciais em nosso país. O prêmio fica a salvo dos embates partidários.

O segundo assunto de hoje é manifestar desaprovação a humilhações a que Paulo Maluf está sendo submetido durante sua prisão. Todo preso, sem exceção, tem direito a tratamento digno. Jamais, em toda a minha vida, escrevi qualquer texto a respeito de Maluf.  Mas hoje, à face do desrespeito à dignidade  de Paulo Salim Maluf, pessoa humana, não posso me calar.

Finalmente, quero censurar isto que podemos chamar de denuncismo. Uma pessoa é formalmente denunciada, de acordo com o Código de Processo Penal, ou seu nome é apontado no noticiário como autor de um crime.

Essa pessoa, sem que lhe seja assegurada defesa, é bombardeada com o estigma de criminoso, bandido, ladrão etc. Não importa se o dito cujo tem filhos ou parentes próximos que sofram a humilhacão. Em nome de uma suposta e, às vezes, hipócrita defesa da ética, esmaga-se a Ética.

Não se confundam alhos com bugalhos. É preciso estar vigilante para não ser arrastado pela confusão de conceitos, confusão que muitas vezes é proposital e maliciosa.

 

João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES), professor aposentado (UFES), palestrante em atividade.

E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

Site: www.palestrantededireito.com.br

 

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Estiagem conturbada | Pedro Israel Novaes de Almeida
05 de abril, 2018

Quando o primeiro português desceu da caravela, algumas regiões do nordeste já passavam por forte estiagem.

         A primeira e eterna providência foi socorrer as populações que, aos poucos, foram ocupando aqueles espaços. Caminhões – pipa, frentes de trabalho e crédito para não ser quitado inundaram a região, atraindo e consolidando moradores.

         Ao crédito rural foi acoplado o seguro agrícola oficial, e as estiagens passaram a ser tratadas como inesperadas e fortuitas. O Proagro cobria o prejuízo das aventuras e irresponsabilidades oficiais.

         Instalou-se, tão pérfida quanto criminosa, a indústria da seca, que produzia bem mais que eventuais chuvas. Foi consolidada uma casta política de poucas virtudes, repetidamente eleita com os favores que conseguia, a crescente categoria de dependentes de providências oficiais.

         A população nordestina, com vasta cobertura até de cancioneiros e poetas, foi conduzida a considerar a seca como inesperado causador de sofrimentos e misérias. Deus passou a ser apontado como causador de estiagens, que jamais eram esperadas no ano seguinte.

         Enquanto isso, Argentina e China tratavam seus desertos com naturalidade, com poucos sobressaltos e sofrimentos. O Brasil decidiu, então, revogar o clima, e tratar a seca com os remédios da politicagem e favores, que geravam cargos e feudos.

         Populações acabaram instaladas em regiões incapazes de gerar sustentos, e são as maiores vítimas da encurtada visão e alongada  irresponsabilidade oficial.  A região foi alvo de pouquíssimos investimentos que pudessem permitir a emancipação dos dependentes.

         Árabes e israelenses vivem em ambientes mais inóspitos, mas edificaram onerosíssimos sistemas, que envolvem até a  retirada do sal da água marinha, e seu transporte a áreas de consumo. No Brasil, universidades e institutos de pesquisa estão abarrotados de sugestões técnicas, pouco lidas, que minorariam, e até solucionariam muitos problemas.

         Certa feita, acompanhando uma equipe técnica internacional, ficamos envergonhados quando, na foz do São Francisco, fomos indagados se era correto deixarmos tanta água seguir ao mar, deixando para trás tanta secura e sofrimento.

         O nordeste envolve muitas paisagens, algumas chuvosas e com terras férteis. Hoje, ostenta uma próspera indústria.

         Grande parte dos nordestinos, contudo, ainda reside em regiões de colonização artificializada, sofrendo as agruras de um clima que sujeita a sobrevivência a providências sempre eleitoralmente agradecidas. Têm razão a assertiva de que o nordestino é, sobretudo, um forte.

         A atual crise, com severas limitações do erário, deixa mais distante os investimentos necessários ao soerguimento da agricultura regional, a partir de espécies vocacionadas. A centenária crise de ética e representatividade  continua a opor obstáculos a medidas que diminuam dependências e valorizem a cidadania.

         Dependências geram currais eleitorais.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

        

          

Rede conturbada | Pedro Israel Novaes de Almeida
21 de março, 2018

A internet revolucionou o mundo.

         Minorou os isolamentos, culturais e sociais, modificou hábitos e atuou como verdadeira bomba, nas economias. A tecnologia, que frequentava mesas com pesados computadores, hoje é manipulada em todos os lugares, do trânsito aos pontos de ônibus.

         A internet sepultou quase por completo as famosas e melancólicas cartas manuscritas, anunciadas com garbo pelos funcionários dos correios, e tornou raros os interurbanos, com ou sem a interferência de telefonistas. Pesquisas eram realizadas em bibliotecas, e transcritos manualmente os textos escolhidos. 

         Viajantes, milhões, percorriam todo o país, lotando hotéis e carregando mostruários, em busca de pedidos de varejistas. Era pródiga a indústria de livros didáticos, e feroz a concorrência por indicações, nos estabelecimentos de ensino.

         Lojas físicas disputavam os melhores e mais onerosos pontos de venda, obrigando o potencial comprador a peregrinações, em busca de melhores preços. Aulas, palestras e provas são disponibilizadas nos equipamentos, de posse e uso já popularizadas.

         Lojas virtuais constroem vitrines vistas em todos os lugares, com sofisticados, rápidos e muitas vezes seguros sistemas de entrega. A procura e oferta de oportunidades de emprego aumentou sua visibilidade, e até a busca por animais e aves desaparecidas ganhou milhões de colaboradores.

         A maior revolução da internet, contudo, ocorreu com a popularização das redes sociais. A interação entre povos e pessoas liquidou com a ditadura dos tradicionais meios de comunicação, como TV e jornais, que insistem em filtrar as informações, sob a ótica sempre míope de suas conveniências, financeiras e, quase sempre, políticas.

         O aglomerado humano das redes, contudo, espelha as maldades e bondades da espécie, exigindo dos usuários cautelas e responsabilidades. É inteiramente falsa a noção de que as redes constituem um território inteiramente livre e impune.

         O judiciário e as polícias já estão repletos de casos de ofensas, mentiras e maledicências, já contumazes frequentadoras das redes sociais. Postagens são compartilhadas sem qualquer checagem de sua veracidade, viralizando o pérfido desmonte de biografias e até mesmo a boa fama de produtos comerciais.

         Nos campos político e partidário, o ambiente tornou-se selvagem, com discussões e acusações que beiram a grosseria e fanatismo. O acirramento das disputas por fatos e versões liquida antigas amizades e até relações familiares.

         Acabamos, os frequentadores das redes, confinados a tribos distintas, sujeitos à leitura de considerações sem nexo, apaixonadas e cegas, sempre que o integrante de alguma tribo ousa frequentar os desígnios da tribo adversária.

         O amadurecimento, quiçá oriundo da civilidade, pode e deve ser antecipado por simples exclusões, que tornam mais agradáveis os ambientes pessoais. Ainda chegaremos lá !

                                                                   pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.