Colunista

Campanhas e promessas | Pedro Israel Novaes de Almeida
13 de setembro, 2018

As campanhas eleitorais conseguem alegrar uns e irritar outros.

         Começam recatadas, enunciando linhas gerais da atuação pregressa do candidato, tentando associar as virtudes do postulante ao atingimento dos quereres dos eleitores. Assim seguem, até que surgem os primeiros resultados de pesquisas eleitorais. 

         Os candidatos com maior intenção de voto, até então desprezados, passam a ser objetos de tentativas de desconstrução de imagem. Os ataques variam da lembrança de fatos controversos a insinuações sem comprovação.

         Cada ataque tem, como destinatário, um grupo definido de eleitores, e podem versar sobre um desvio de verbas, já noticiado pela imprensa, ou a um levantar da saia da professora, no curso maternal. No Brasil, a pecha mais buscada tem como conteúdo o fato do candidato ser ateu.

         No vai-e-vem das campanhas, o ambiente acaba degradado, uma seguida busca do rabo alheio, acompanhada da ocultação do próprio rabo. Os ataques ficam confinados aos postulantes a cargos majoritários.

         Enquanto isso candidatos a cargos legislativos são transformados em grandes feitores de obras públicas, tarefa que não lhes compete. Observadores ficam com a impressão de que serão participantes de um rinque de lutas marciais, pois todos prometem lutar por alguma providência oficial.

         Passada a fase inicial dos ataques, que persistem com menor alarde, vem a risível fase das promessas, agora perpetradas sob forte desespero dos candidatos menos cotados. Aqui, até corruptos prometem combater a corrupção, e sonegadores apontam para o rigor fiscal de seus mandatos.

         Buscando o apoio da considerável quantidade de sessenta milhões de devedores, inscritos nos serviços de proteção ao crédito, alguns podem prometer uma limpeza generalizada de nomes. Ocorre que são garantidos os direitos dos credores, e a providência pode substituí-los pelo credor público, lançando as dívidas à integralidade dos eleitores.

         O Brasil é um dos poucos países onde a honestidade é uma promessa de campanha. Outrora, um candidato proclamava, aos quatro ventos, que “nesta calça nunca entrou dinheiro do povo”, ao que os eleitores respondiam: - “calça nova ! “.

         As promessas, nada comedidas, dizem respeito à fartura de hospitais, segurança absoluta, educação exemplar, extinção do IPVA e multas de trânsito, além da criação de milhões de empregos. As carências população tornam atrativa qualquer promessa, ainda que diga respeito a uma obrigação descumprida do Estado.

         As promessas são multiplicadas e cada vez mais demagógicas, à medida da aproximação do dia da eleição. É fácil, aos eleitos, justificar o não cumprimento do prometido, em virtude da crise ou pela atuação radicalizada da oposição.

         A parcela mais ilustrada dos eleitores utiliza as promessas para descartar candidatos, como indicativo de que são ilusionistas ou mentirosos.

         Entre uma e outra promessa, a população tenta aproveitar os ilegais favores, prestados por alguns candidatos. Tenta receber, de maneira antecipada, por um benefício que já foi ou será pago pelos cofres públicos.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.      

Museus da incúria | Pedro Israel Novaes de Almeida
05 de setembro, 2018

A vergonhosa e contínua destruição de nosso patrimônio histórico, geográfico e cultural, tem episódios tristemente espetaculares, como os incêndios que já vitimaram grandes e renomados museus.

         O histórico desprezo e desconsideração a riscos iminentes, tendência de nossos gestores, já causou vítimas humanas, ambientais e materiais, como a tragédia de Bento Gonçalves e as centenas de mortes, na boate Kiss, além de tantas outras, Brasil afora.  

         As tragédias provocam comoções e discursos, mas raramente resultam em comportamentos mais responsáveis ou na adoção medidas gerais de acautelamento. Uma vez fora das manchetes, os desastres caem em progressivo esquecimento, arquivados como frutos da vontade divina ou mera fatalidade.

         Obras rotineiras de proteção não rendem inaugurações populistas, e tampouco geram orçamentos milionários, razão de serem pouco praticadas. A irresponsabilidade e desfaçatez fazem com que as tragédias sejam imputadas aos duzentos milhões que somos, sendo raras, raríssimas, as responsabilizações individuais.

         A irresponsabilidade é tanta que milhares de órgãos públicos funcionam, país afora, sem o alvará ou relatório de vistoria do Corpo de Bombeiros, como se fossem, tais documentos, meras e dispensáveis formalidades. Posturas acauteladoras são consideradas como inúteis retardadoras de feitos oficiais.

         Na verdade, todas as limitações, legais e morais, à livre atuação dos mandatários, são malvistas. Erigimos um sistema administrativo repleto de altares inatingíveis e séquitos subalternos, reinos ao invés de estruturas funcionais.

         Precisamos, como nunca, de Museus da Incúria, espalhando a todos os cantos e recantos do país o histórico e consequências das absurdas omissões e erros praticados, ao longo de nossa história, por autoridades, anotando, no rodapé das mostras, as responsabilizações e ressarcimentos individuais, se e quando ocorridos.

         Não mais precisaríamos vasculhar redações e vídeos, ou compulsar pronunciamentos de um ou outro parlamentar indignado, para remontar o histórico de desastres anunciados e impunidades comemoradas. A implantação de qualquer Museu da Incúria com certeza demandará centenas de arguições na Justiça, a maioria pertinente ao dano à imagem de um ou outro notório irresponsável.

         Qualquer município, por menor que seja, terá subsídios à montagem do referido museu, cujo maior desafio é ser estruturado com imparcialidade e sem qualquer pendor partidário. Os cuidados com a prevenção de incêndios deverão ser triplicados.

         Conseguimos forçar boas memórias de pessoas e obras desastrosas e irresponsáveis, e deixamos cair no esquecimento os maus exemplos. As más memórias são tão educativas quanto as boas.

         A história recente costuma ser parcial e censurada, eis que contemporâneas as personagens. A verdade, nua e crua, só costuma aparecer após décadas ou séculos.  Memórias seletivas são, culturalmente, deletérias.

                                                                    pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.  

  

Imprevidência pública | Pedro Israel Novaes de Almeida
24 de agosto, 2018

Tiroteios e mortes já fazem parte da rotina urbana do Rio de Janeiro.

         Em ambiente de guerra civil, qualquer cidadão pode ser atingido por uma bala perdida, a qualquer momento, esteja no banheiro, cozinha ou terraço.  Os crimes acontecem à luz do dia, capitaneados pelo tráfico de drogas, armas e munições.  

         Soa lógico que tamanha violência tem, também, raízes na roubalheira da quadrilha oficial que saqueou o estado por décadas, envolvendo todos os meandros públicos. Os recursos desviados amesquinharam os investimentos e custeios voltados à população, agravando problemas sociais e incrementando posturas criminosas.

         Com o fracasso das UPPs, a ausência do estado em regiões carentes fez recrudescer a barbárie, compondo um cenário de guerra, onde policiais, traficantes, milicianos e outros criminosos trocam tiros em meio à população. O enfrentamento armado, apesar de milhares de vítimas, não tem conseguido, e jamais conseguirá, eliminar o poderio do tráfico de drogas e outras quadrilhas organizadas.

         Em ação mais midiática que solucionadora, o exército foi enviado à região, em apoio às forças de segurança locais. Ocorre que o exército é afeito à guerra franca, servindo mais como feitor de barreiras, ocupador de territórios e apoiador de ações de outros órgãos.

         A presença militar ostensiva é caríssima, consumindo recursos que seriam melhor aproveitados se aplicados em polícias com outras especializações. Como novo integrante da guerra carioca, o exército já começa a perder efetivos, em combate.

         A cena carioca alimenta e ilustra o debate a respeito do combate às drogas, que acaba produzindo mais vítimas que elas próprias. O tráfico viceja nas sociedades consumidoras, e não é raro vermos pacifistas militantes e convictos alimentando, via consumo, traficantes.

         As mortes e ferimentos geram, nos componentes oficiais, pensões e socorros os mais diversos. Do lado criminoso, geram a imediata substituição do delinquente atingido, não raro por outro, mais violento.

         Em um estado que sequer cumpre a pontualidade dos salários, onde o sucateamento atinge todos os setores, principalmente a saúde, não causa estranheza o agravamento da segurança pública. Com o ex-governador já condenado a séculos de prisão, os órgãos oficiais ainda funcionam contaminados pela incúria política e administrativa que ali imperou.

         O ambiente de insegurança carioca começa, aos poucos, a abranger outras unidades e cidades da federação. A violência alimenta diariamente os noticiários policiais, e até cidades pacatas têm sido palco de episódios cruéis.

         A crise que atravessamos torna mais frequentes as cenas criminosas, e vivemos em crescente selvageria. De país historicamente festejado como pacífico e ordeiro, passamos a palco de crescente criminalidade e insegurança.

         Enquanto nossos dirigentes, da federação ao município, persistirem irresponsáveis e imprevidentes, sequiosos por poder, resta-nos o consolo da legião de voluntários, religiosos ou não, que opera anonimamente, tentando, e por vezes conseguindo, tornar um pouco mais humanos os relacionamentos e atitudes. Estamos, literalmente, à deriva.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

  

Errantes e sofridos | Pedro Israel Novaes de Almeida
16 de agosto, 2018

Milhares de seres humanos, migrantes compulsórios, perambulam mundo afora, em busca de um lugar onde possam viver.

Vítimas de ditaduras cruéis, intempéries naturais ou guerras, são forçados a abandonar propriedades, emprego, estudos, amigos e família. Chegaram ao limite da resistência, e enfrentam agora dois novos obstáculos.

O percurso, percorrido quase sempre de maneira clandestina, envolve sério risco de acidentes, uma vez que são poucos seguros e rústicos os meios de locomoção. Muitos morrem ou perdem familiares, na tentativa.

A viagem, clandestina, remunera cruéis operadores, os tais coiotes, que submetem seus clientes a riscos os mais diversos, sem qualquer garantia aos contratantes. Nutrem-se da miséria humana.

As fugas só têm, como certas, a hora e local da partida. Todo o resto é incerto.

São adultos, crianças e idosos, magistralmente referidos como “encontrados entre o mar e as estrelas”, que tentam aportar em um país qualquer, sendo rechaçados com rigor ou recebidos com solidariedade. O destino preferencial tem sido a Europa, seguido por países em desenvolvimento.

A Europa, ainda em reconstrução, em virtude de recente crise econômica, abriga pouco espaço e emprego, além de preconceitos os mais diversos. Enquanto a Alemanha adota uma postura de abrigar migrantes, outros cuidam de rechaça-los.

Migrantes, embora vez ou outra acolhidos humanitariamente, trazem inegáveis problemas aos que os acolhem. Demandam atendimentos médicos, de segurança, alimentação, educacionais e de habitação, gerando custos e estruturas imprevistos a economias já combalidas.

Migrantes trazem consigo culturas e tradições, nem sempre compatíveis com os hábitos da população que eventualmente vá recebe-los. Não é fácil, a cidadãos já despidos de tudo, abandonar a própria personalidade.

São cientistas, atletas, poetas, médicos, engenheiros, artistas, criminosos, gênios, doidos, operários e até religiosos, constituintes da massa humana que só busca um lugar ao sol, em um canto qualquer. Possuem férrea vontade e necessidade de renascer e crescer, revelando-se, muitos, excelentes trabalhadores, em todos os ramos da atividade humana.

Chegam na condição de mendigos ou abrigados, segundo o lugar onde aportam. A dimensão da tragédia humanitária exige, e já tarda, a união de esforços e sacrifícios, por todos os países.

Não é justo simplesmente rechaçar migrantes, uma vez que a maioria das pessoas e povos já experimentaram tal condição. Também não é justo imputar somente ao povo acolhedor todos os custos e sacrifícios da empreitada.

No Brasil, migrantes venezuelanos costumam chegar a Roraima, que pouco ou nenhum auxílio federal tem recebido, para abriga-los. À tragédia dos refugiados começa a somar-se a tragédia dos nacionais, já residentes.

Os malfeitos de ditaduras, guerras e desastres naturais batem à nossa porta, e não podemos simplesmente ignorá-los, pois são seres humanos que chegaram ao extremo sofrimento.

                                                        pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

 

   

Desalento | J. Barreto
15 de agosto, 2018

Estou tendo dificuldades para escrever este artigo já há alguns dias, pois estou envergonhado, revoltado, frustrado e impotente diante de tantos desmandos praticados por aqueles que deveriam zelar pelo Brasil.

Com mais de 13 milhões de desempregados, mais de 70 dos trabalhadores recebem menos de $ 2.000,00 reais mensais, com os quais têm de sustentar uma família, pagar um aluguel, pagar transporte para ir trabalhar, serem humilhados pelos péssimos atendimentos na saúde, na educação e na segurança.

Do outro lado, temos a elite privilegiada que fazem da democracia uma ditadura corporativa, que voltam as costas para os problemas que estamos vivendo invocando os princípios da Lei que os protegem.  Sabemos que as leis são criadas para harmonizar a Vicência e convivência entre as pessoas dentro de um principio de igualdade e respeito. 

A Lei, embora tenha sido bem intencionada, continua sendo sempre LEI e pode ser manipulada visando interesses específicos. A JUSTIÇA extrapola a LEI, pois ela tem por principio o bom senso, a honra e a dignidade das pessoas. Infelizmente a instância máxima que se denomina superior tribunal de justiça (assim mesmo, em minúsculo) num ato rasteiro, sete irresponsáveis olhando unicamente seus interesses conseguem aprovar um reajuste indecente para si, mas que tem um efeito cascata em todo o conjunto dos três poderes.  Dane-se o país, dane-se a escória trabalhadora que carrega o Brasil nas costas.

Meu respeito aos quatro contrários a essa vergonha, pois o Brasil seria mais ético se tivéssemos mais Carmens Lucias e Rosas Webers, buscando fazer justiça em letra maiúscula.

Se hoje os ministros já recebem um holerite equivalente a 32 vezes o salário mínimo os mesmos passarão a receber 40 vezes mais, além do auxilio moradia, verbas disto e daquilo, verba pouca vergonha, etc., e pior das humilhações, temos de tratá-los por Meritíssimos, pergunto, onde está o mérito?

Esta aberração irá ao julgamento do Senado, e o mesmo o aprovará por dois motivos: 1°: a maioria tem o rabo preso e querem estar de bem com a Corte, 2°: com a aprovação do reajuste da Corte abre-se brecha para o reajuste dos mesmos (senadores). 

Aquela ínfima minoria de políticos honrados e éticos não são vozes que clamam no deserto, mas são vozes que clamam na porta do inferno, de onde são convidados a entrar! 

                                                                                              J.Barreto

 

P.S.: Comparação baseada em pesquisa do Google:

SUPREMA CORTE DOS EUA(ANUAL)       SUPREMA CORTE DO BRASIL (ANUAL)

Ministro 12*21.250,00 = 255.000,00             Ministro 12*33.600,00 = 403.200,00

Salário Mínimo 1.740,00*12 = 20.880,00      Salário mínimo 954,00*13 = 12.402,00

255.000,00/ 20.880,00 = 12.21 vezes                        403.200,00/12.402,00 = 32.5 vezes o salário

o salário dos ministros                                               dos ministros

Com o reajuste = 16,8% passará para 38 vezes essa diferença.

Últimos da fila | Pedro Israel Novaes de Almeida
08 de agosto, 2018

Milhões de brasileiros vivem como mendigos.

         Houve um tempo em que autoridades municipais cuidavam do problema distribuindo passes de transporte, para cidades vizinhas. Diz a lenda que, no Rio de Janeiro, eram conduzidos por avião, e jogados em pleno mar.

         Governos, muitos, providenciam abrigos, para pernoite, banho e alimentação noturna. A maioria dos mendigos nega o auxílio, alegando violência entre eles e falta de acomodação para seus amigos cães.

         Os mendigos constituem o pior estágio da miséria humana, e são dirigidos por instintos naturais de sobrevivência, nas selvas urbanas por onde vagam. Possuem, como patrimônio, as coisas que podem carregar.

         Ninguém é mendigo por opção, contrariando a ideia generalizada de que são vagabundos natos. Drogas, alcoolismo, desemprego continuado, transtornos psiquiátricos e até tragédias familiares podem conduzir à mendicância.

         Os grupos de mendigos podem abrigar fugitivos da justiça, providencialmente sem documentos. A busca por sobrevivência pode ensejar furtos, roubos e intimidações, tornando-os perigosos.

         São componentes obrigatórios das paisagens de marquises, praças, calçadas e estações rodoviárias. Alguns conseguem incomodar multidões, ofertando, ostensivamente, serviços de guarda-veículos.

         A polícia, constantemente chamada, sabe que pouco adianta a breve prisão, e trata de dispersá-los, além de tentar impor algum comedimento. Mendigos ostensivamente perigosos acabam detidos e desarmados.

         O aumento do número de mendigos obrigou templos e espaços públicos ao levantamento de barreiras físicas, grades que impedem o abrigo noturno. 

         Como todos, mendigos possuem necessidades fisiológicas, e, na universal falta de banheiros públicos, sequer podem utilizar as instalações de estabelecimentos comerciais. São crianças, jovens e adultos, que vivem como párias sociais.

         A população evita fazer doações em dinheiro, ciente de que pode estar facilitando o acesso a drogas e álcool. A postura generalizada é manter-se distante, simplesmente confessando sentir dó.

         A maior parte da alimentação que recebem provém de grupos voluntários, não raro religiosos, ou da ajuda de voluntários isolados. São, alguns, realmente perigosos, principalmente quando de surtos psicóticos ou ação de álcool ou drogas.

         Constituem uma chaga social, e estão presentes em todos os países e regimes do mundo. Governos e sociedade, cientes de que o problema é insanável, cuidam de socorrê-los, garantindo-lhes, pelo menos, a sobrevivência, quando impossível a redenção e elevação à condição de cidadãos, com direitos e deveres.  

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

        

Trânsito Cruel | Pedro Israel Novaes de Almeida
03 de agosto, 2018

Houve um tempo em que as garagens não eram compartimentos presentes em todas as residências.

         As casas, principalmente as do centro, tinham paredes fronteiriças às calçadas, com janelas que, ao serem abertas, vez ou outra impactavam algum transeunte, em plena cara.  Os raros veículos particulares eram guardados em pleno quintal, ou mesmo na rua, sendo raros os furtos.

         Só grandes cidades possuíam transporte público, e a população, em sua maioria, se deslocava a pé. Taxis e charretes ornamentavam a cena, em deslocamentos mais distantes ou apressados.

         Bebedouros abasteciam carroças e charretes, e bicicletas desfilavam em constante vai e vem, sem o glamour que hoje ostentam. Carroças ou charretes, com compartimento para cargas, distribuíam pães e leite, alguns carregados em plena madrugada, por jovens a caminho dos Tiros de Guerra.

         Notívagos adoravam comprar pães quentinhos, entregues na boca do forno, no fundo das padarias. A movimentação de pessoas era normal, sem qualquer sensação de insegurança.

         Rapidamente, os ambientes foram invadidos por carros e motos, modificando a arquitetura e hábitos urbanos. Viagens demandavam esperas rotineiras, atrás de fenemês que transitavam em ritmo de tartaruga, nos trechos de subida, e atingiam altas velocidades, nas descidas.

         Aos poucos, a população foi perdendo a característica de pedestre, e até pequenos percursos passaram a ser feitos com carros. Dizem as más línguas que, para saber as horas, alguns cidadãos locomoviam-se até a igreja, para visualizar o relógio da catedral.    

         A multiplicação dos veículos obrigou o gasto de fortunas, em obras viárias, nas grandes cidades. A fluidez do trânsito ganhou ares de prioridade, em detrimento dos cuidados com a saúde e saneamento, infausto que perdura até nossos dias.

         Trens, metrôs, ônibus e até aviões promovem o transporte coletivo, ainda poucos, quando não caros e desconfortáveis. Parcelas significativas dos salários são destinadas ao gasto com transportes, cada vez mais inseguros.

         No interior, nasceu o vicejou os moto-táxis, modalidade que desafia até mesmo o mais rústico manual de segurança, com o passageiro inteiramente desprotegido, ziguezagueando por entre outros veículos.

         Nosso trânsito, em número de vítimas, assemelha-se à mais cruel das guerras. A esmagadora maioria dos acidentes acontece por culpa humana.

         Trens de passageiros já são raros, e a idiotice que os extinguiu sequer cuidou de preservar antigas estações, hoje meros escombros. Bondes urbanos são peças de museus.

         Governos privatizaram rodovias e instituíram pedágios, com preços progressivamente escandalosos, protegidos por contratos elaborados para durar décadas, mas politicamente considerados como um alívio até o término da gestão.

         Em tema de transportes, progredimos regredindo, e o trânsito espelha nossa pouca educação, com veículos transitando como discotecas ambulantes, motoristas embriagados, uso incessante de celulares, velocidades irresponsáveis e manobras temerárias. Os veículos, utilidades, foram transformados em ostentação de status e idiotices, além de engordarem, com multas comemoradas, os cofres públicos.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. 

A caminho do caos | Pedro Israel Novaes de Almeida
25 de julho, 2018

Pode parecer alarmismo, mas aprofundamos, a cada dia, o caos que vive o país.

         Os três poderes já não convivem em harmonia, invadindo, desrespeitando e solapando searas alheias. O Legislativo gera demandas financeiras que comprometem o equilíbrio fiscal, tentado pelo Executivo, e o Judiciário cuida de, incrivelmente, gerar instabilidade jurídica.

         O Executivo transformou-se em palco de mandos e desmandos partidários, loteado como mero instrumento de barganha, na constituição de fisiológicas e descaradas bancadas de apoio. Enquanto a população amarga a crise econômica e humanitária, os meandros públicos ostentam nababescos e irresponsáveis custos.

         O fosso que separa funcionários públicos de trabalhadores comuns vai além da estabilidade trabalhista, escancarando a secular injustiça das diferenças entre as aposentadorias. Contaminado pela desvergonha que assola nossos meandros, o ambiente nos serviços públicos apodrece a olhos vistos, progressivamente sucateados e dirigidos por interesses meramente partidários, inclusive pela presença agigantada de comissionados, livremente nomeados.

         Os poderes, alheios às necessidades urgentes da população, erigem castelos, lotando-os de auxiliares nababescamente remunerados. Um manobrista da garagem de uma instituição pública pode ter um salário superior ao de um experiente piloto de caça, e uma servidora de cafezinho pode receber, mensalmente, bem mais que um médico especializado, em dedicação integral.

         O STF abriga mais de duzentos funcionários, a cada ministro nomeado, em funções no mínimo incompreensíveis. Idem a cada senador ou deputado. As próprias Câmara municipais aumentam o número de seus servidores, muitas verdadeiras miniaturas dos descalabros estaduais e federais.

         Enquanto isso, faltam à população cuidados mínimos de saúde e segurança, além de emprego e esperança. Os cidadãos ouvem e sentem as notícias da crise, mas os sacrifícios jamais atingem os perdulários e ineficientes castelos públicos.

         Dentre as nações, o Brasil é a que apresenta o maior número de diagnósticos e apontamento de soluções para seus problemas, e, tristemente, o que menos os acolhe. Nossos poderosos já não representam os cidadãos, galgados ao mando por um sistema eleitoral falido ou por nomeações viciadas.

         Fracassamos como civilização, e os que mandam preferem a continuidade do desastre a qualquer solução que os obrigue a abandonar privilégios e desmontar castelos. Nada indica que sairá das urnas um legislativo capaz de ousar o respeito aos cidadãos.

         Enquanto isso, cresce entre os cidadãos os instrumentos de autodefesa, em busca de segurança, e aumenta nas esquinas e redes sociais as discussões em torno de ideologias exóticas, sabidamente geradoras de misérias e padecimentos. Estamos à mercê de aventureiros, com promessas maravilhosas. Apagou-se a luz no fim do túnel.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.      

           

Contravenção abençoada | Pedro Israel Novaes de Almeida
23 de julho, 2018

Encontra-se enraizada, em nossa cultura, a ideia de que as religiões, e seus cultos, são inatingíveis por qualquer regramento oficial.

         O fato de sermos um Estado laico não faz das liturgias e cultos territórios inteiramente livres, repletos de plenos direitos e nenhuma obrigação. Nenhum direito é ilimitado.

         Cultos e crenças não podem envolver sacrifícios, e sequer podem fomentar intolerâncias ou promover vandalismos e quaisquer atos de violência, física ou moral.  Figura em nossa história o triste episódio em que centenas de pessoas cometeram suicídio coletivo, em uma das Guianas, sob a inspiração de um líder religioso.

         É natural que, em meio à população de tantas origens e culturas, vicejem centenas de profissões de fé, com cultos e liturgias as mais diversas. É gigantesca e dificílima a função oficial de, sem abolir a laicidade, impedir práticas de exploração da boa fé pública e a disseminação de práticas que conturbem o ambiente social.

         O aspecto mais incômodo de alguns cultos religiosos reside na perturbação do sossego público, quando hinos, gritos e louvores empestam toda a vizinhança, em flagrante contravenção penal. O ruído dos cultos desrespeita a privacidade de terceiros, com reflexos danosos à saúde e à própria liberdade de culto e crença, pois ninguém pode ser obrigado a ouvir cultos alheios.

         No Brasil, o tema é constantemente evitado, apesar de serem milhões as vítimas de tal descalabro. Absurdamente, a contravenção quase sempre acaba protegida pela enganosa argumentação da liberdade de crença e culto.

         Igrejas constituem obras humanas, algumas com inspirações filosóficas e até divinas. Como obras humanas, submetem-se a regramentos oficialmente estatuídos, como a solidez das construções, alvarás para abrigar multidões e respeito aos direitos de vizinhança.

         São poucos os administradores públicos e legisladores que dispensam alguma atenção aos incômodos causados por alguns cultos. Já é tempo, faz tempo, de trazer à luz o problema, em nome da civilidade que esperamos alcançar.

         A Justiça, em diversas instâncias, já deferiu a devolução de valores inadvertidamente direcionados a igrejas, por fiéis. A tendência é que novos temas sejam objeto de análise judicial, envolvendo igrejas.

         No Rio de Janeiro, um Administrador público é acusado de dispensar, a irmãos de fé, atenções e cuidados não dispensados ao cidadão comum. O casamento entre partidos e igrejas tem gerado deformações e injustiças as mais diversas, sendo, universalmente, de péssima memória.

         Devemos respeitar fiéis e ateus, seus cultos e crenças, sem no entanto considerar igrejas entidades insuscetíveis de deveres e obrigações.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

A raiz do problema | J. Barreto
17 de julho, 2018

Um sábio prefeito teve a luminosa idéia de arborizar as ruas da cidade de Avaré, pois isto era a última moda do paisagismo urbano.  Convocando seu renomado corpo técnico, ficou decidido a imediata implantação da mesma em todas as ruas centrais, preferencialmente nas calçadas com fiação elétrica. Mandando tal projeto para apreciação da Câmara, e como é de praxe nesta casa, e após caloroso debate o mesmo foi aprovado por unanimidade. Novamente foi convocado o grupo técnico para definir a espécie a ser implantada, e após um longo e criterioso trabalho de pesquisa optou-se pela espécie SIBIPIRUNA. Acertados os detalhes e adquirida às mudas, teve inicio a implantação do projeto. Acompanhando a equipe de funcionários um dos técnicos ia indicando o local da abertura das covas e o imediato plantio das mudas. Mas acontece que o grupo não era tão técnico, e nem as mudas eram adequadas, e logo apareceram os resultados destes equívocos. O primeiro impacto foi e é com a fiação elétrica que está entranhada entre os ramos, o segundo impacto é com o abalo dos muros e o entupimento das calhas e o terceiro e mais grave é com relação às calçadas, pois esta espécie tem grande parte de suas raízes superficiais,  que detonam  tudo ao seu redor, quebrando o concreto das calçadas e levantando-as como se fossem de isopor, assim não só dificultando a passagem de pedestres, e impedindo a passagem de pessoas com deficiências, mas também colocando suas vidas em risco já que têm que usar a rua para desviar da árvore correndo perigo de serem atropeladas.

 Com o agravamento do problema, um outro prefeito teve outra idéia genial, e criou uma nova lei, ou norma, passando toda a responsabilidade  para o (inocente) cidadão fronteiriço ao estrago. Embora ele não tenha plantado, não tenha pedido para plantarem, e muito menos tenha sido consultado se queria a mesma em “sua” calçada (na realidade da prefeitura)  ou mesmo que espécie a ser plantada , contudo  agora  tem que arcar com todos os custos causados pela incompetência das administrações passadas e, ainda para adicionar insulto ao desfalque financeiro que sofrerá ainda tem que enfrentar toda burocracia, como se ele fosse o culpado e não a vitima. A Secretaria do Meio Ambiente e o CONDEMA (sendo um grupo de consultoria formado,  por  voluntários)  não são responsáveis por estas normas,  mas são obrigados a cumpri-las.

Citarei dois exemplos daquilo que creio seja o razoável e de bom senso.  Na cidade de Praia Grande, SP.  A senhora Marisa, uma cidadã daquela cidade, precisava que fossem retiradas 4 árvores na calçada de sua casa. Bastou um requerimento para a Prefeitura  e a  mesma  fez todo o serviço, apenas dando para a Sra. Marisa uma lista das espécies para substituição, tudo por conta da Prefeitura; Em Chicago em frente a casa da Sra. Elizabeth,  uma raiz levantou levemente um pedaço da calçada, o suficiente para alguém tropeçar. Tendo avisado à Prefeitura, igual ao exemplo da Sra. Marisa de Praia Grande,  a Prefeitura removeu parte da raiz, reparou a calçada e refez todo o gramado removido. Estes exemplos refletem a consciência com que essas Prefeituras tratam seus cidadãos que já pagam seus impostos.

 

JBARRETO.

Lealdade com o Brasil | João Antonio Pagliosa
17 de julho, 2018

Gente do céu, quantos escândalos temos observado neste país... É de amargar!

 

Nosso problema, pelo que observo nos últimos quarenta anos, é eminentemente político. Os brasileiros não sabem escolher seus governantes e no cenário político-administrativo, há ausência de pessoas realmente comprometidas com o desenvolvimento do país e com o estabelecimento da ordem e paz social.

 

Nada acontece de útil e satisfatório para um povo, sem ordem e sem paz social! Riqueza e progresso só chegam depois de ordem!

 

Hoje, após tantos desencantos, estou seguro em afirmar que a pior coisa que aconteceu neste país, ocorreu lá em Caetés no ano de 1945. O nascimento de Luiz Inácio Lula da Silva.  Uma tragédia para o Brasil e para todos os brasileiros. E o povo é tão mal informado e alheio a realidade que considera Lula um injustiçado.

 

Para este escriba o garanhão de Garanhuns é apenas um semi analfabeto, grosso e mal educado.

 

Fanfarrão pinguço  que se considera o próprio Estado. Um larápio de ímpar envergadura, que nunca se preocupou com os brasileiros. Lula sempre pensou em seu próprio umbigo e traiu todos os amigos mais chegados. Ele é pretensioso, inconformado com sua prisão, apela para todos.  Mentiroso contumaz, é um enganador cara de pau!

 

Não sou e nem nunca fui daqueles que consideram que tudo acabará em pizza. Também não tenho medo de corruptos. Sei a quem sirvo e não desistirei de escrever o que penso! E há muitos que ganham fortunas todo o mês de forma legal mas absolutamente imoral! São aqueles do poder público que legislam em causa própria e colecionam rol de vantagens, sem a mínima preocupação com o fato de vincularem  vantagens a seus salários. O povo que paga impostos escorchantes e que luta todo dia para sobreviver é um mero efeito colateral... As vezes, nem isso...

 

Mas, e a lealdade do povo a LULA? E os extraordinários números percentuais de apoio inconteste ao ladrão de nove dedos?

 

Sim, apoio inconteste, apesar de nossa economia que não cresce, apesar de violência que não recrudesce, apesar de saneamento básico absolutamente nojento, apesar de educação pra lá de horrível, apesar de caos de nossa infraestrutura, apesar da saúde, um verdadeiro acinte aos pagadores de impostos sempre escorchantes, apesar da banalização de nossas mais importantes instituições e direitos.

 

Ocorre meu prezado leitor, que se gasta apenas 0,5% do PIB para fornecer o Bolsa Família. Em torno de 13 milhões de famílias são leais ao PT porque se satisfazem com migalhas. Não se importam em serem desleais ao país que os abriga.

 

E assim a farra da escória continua. E a um preço bem baratinho.

 

Acordem cidadãos brasileiros! Tenham lealdade à pátria acima de partidos políticos. Estes vermes passarão. O país não passará!

 

Este país tem tudo para dar certo. Precisamos fazer a faxina verdadeira. Pare, reflita, aja! Mudar o que é ruim depende também de você!

 

O Brasil precisa de seu engajamento nesta hercúlea tarefa. As eleições de outubro precisam ser um marco definitivo de mudança nos rumos de nossa política. Não vote em corruptos! Não vote em ficha suja! Não vote em ladrão! Não vote em quem já provou que não presta.

 

Precisamos ter lealdade para com o BRASIL!

 

João Antonio Pagliosa

 

Eng. agrônomo pela UFRRJ em 1972

 

Curitiba, 15 de julho de 2018.

Amor sem limites | João Antonio Pagliosa
17 de julho, 2018

O amor é o sentimento mais lindo... Jesus é só amor! Se nos entregarmos a Ele, nossa vida será totalmente transformada.

A vida de Jesus sobre a face da Terra foi breve, entretanto, em 33 anos o nazareno revolucionou o mundo. E aqueles que se propõe a estuda-lo e entende-lo, verão que sua história é muito mais maravilhosa e cheia de encantos do que podemos imaginar. Muitos milagres... Entrega total! Doação pura e irrestrita!

Jesus se entregou a humanidade para salva-la! E o fez de forma incondicional, sabendo de antemão que não somos merecedores de absolutamente nada... Isso porque nosso livre arbítrio nos subjuga e nos faz cair em pecado... Somos falhos, porém Deus nos fez assim... Ele compreende nossas lutas... Mas não dispensa o esforço que precisamos fazer para permanecermos puros. Há que sermos fortes, porque nossa carne é fraca!

É por isso que nossa salvação depende exclusivamente de nosso querer. Aqueles que não creem, já estão irremediavelmente condenados... Aqueles que não creem, aproveitam como podem todos os prazeres do mundo... Não há limites para satisfazer suas carnalidades... Mas eles vivem em conflitos... A sua alegria não tem consistência! É fugaz!

Já o amor de Deus não tem limites... Nada, sequer se aproxima do amor de Deus! Viver em sua presença é viver em êxtase, e em perfeito equilíbrio com tudo!

Vivamos, pois, uma vida que dignifique o amor de Deus por cada um de nós!

No amor de Deus, há PAZ! Na ausência de Deus, há DOR!

Não se acostume com a dor. Não sofra. Não se acostume com situações difíceis que você pode mudar. 

Seja longânimo porque aqueles que o cercam podem tirar-lhe a paz... Tenha sempre muita paciência porque a paciência, sempre é necessária. Paciência pode ser amargo para digerir, mas o resultado é sempre muito doce! 

João Antonio Pagliosa

Curitiba, 06 de julho de 2018.

 

Fora Temer | Pedro Israel Novaes de Almeida
12 de julho, 2018

Tornou-se comum a expressão “Fora Temer”.

         Antes de significar o resultado de uma avaliação pessoal, repete um modismo, proferido até pelos que pouco ou nada sabem a respeito da real situação do país e sua conjuntura política. Qualquer presidente, governador ou prefeito, cujo mandato envolva uma crise econômica, com reflexos no dia a dia dos cidadãos, tende à impopularidade, sempre incentivada por setores políticos de oposição.

         Temer herdou uma situação política e econômica altamente desfavorável, coadjuvada por um legislativo justificadamente impopular. As condições em que foi alçado ao cargo rendeu-lhe ferrenha e nada dissimulada oposição.

         A chamada “base aliada”, em sua maioria fisiológica, parece mais preocupada com os reflexos eleitorais de qualquer reforma, do que com a real necessidade de sua elaboração. Até o PMDB, seguindo secular característica, como aglomerado de tendências, as mais diversas, cuidou de abrigar, em seu seio, nichos oposicionistas.

         Temer iniciou seu governo resguardando a condução da economia, tornando-a a porção menos vulnerável a interferências partidárias. Era, de fato, o problema mais urgente do país.

         Iniciou a propositura de reformas, cujo ânimo legislativo acabou atropelado por denúncia formulada pelo Procurador Geral da República. Tal denúncia possibilitou o crescimento de setores políticos fisiológicos e populistas, e a queda do presidente só contornada por farta distribuição de verbas e favores oficiais, prejudicando o soerguimento da economia, em cujo rumo engatinhávamos.   

         A reforma da previdência, necessária e indispensável a qualquer governo sério e consequente, foi proposta distribuindo poucos sacrifícios a poderosas corporações, e enormes ônus a porções mais indefesas da população. Foi a primeira vítima do burburinho político.

         O marco inicial da gigantesca impopularidade presidencial surgiu na ridícula cena de um assessor palaciano correndo, levando uma mala recheada de dinheiro. Outros assessores foram objeto de denúncias as mais diversas, pertinentes a desvios de recursos públicos.

         A fragilidade de Temer foi realçada na greve dos caminhoneiros, só contida pelo exacerbado ânimo oficial de contê-la, a qualquer custo. Nasceu, então, a ridícula e insana tabela de preços dos fretes, de efeitos e consequências nefastas.

         Defensores do presidente alegam que era impossível estabelecer um governo sério e exemplar, em meio a tanta fisiologia e descaramento legislativo. Outros, muitos, alegam que o ambiente político desfavorável jamais subsidiou tantas e repetidas trapalhadas.

         Temer não foi um presidente exemplar, mas deixa alguns legados na economia e nas poucas reformas que conseguiu, a fórceps.  A cento e oitenta dias do fim do mandato, o Fora Temer passa a ser uma expressão irresponsável, que só geraria convulsões e catástrofes, às vésperas de um pleito que elegerá um novo presidente.  Fica Temer !

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

 

Você sofre decepções. Não se abale jamais | João Antonio Pagliosa
09 de julho, 2018

Sempre que você se propõe a realizar algo diferente, a executar um novo projeto que lhe exigirá tempo e suor, é natural que anseie por reconhecimento das pessoas que lhe são caras, daqueles mais chegados, daqueles que lhe são íntimos.

Porém, quase sempre, as pessoas frustram expectativas. Dão pouco caso e reagem com indiferença as suas conquistas.

Não se abale! Isso é normal e por incrível que pareça é o pessoal de casa que dará menos relevância ao que você realiza. O próprio Jesus Cristo sofreu isso e é indiscutível que santo de casa não faz milagre!
Sei que nunca desenvolveremos intimidade com o Espírito Santo, enquanto depositarmos nossas esperanças em outro ser humano. Sabe por quê?

Simplesmente porque as pessoas são muito falhas e a bíblia nos ensina que não há nada de bom em nossa carne e que qualquer ser humano, por mais firme que seja, é totalmente vaidade.

Deus deseja muito ser buscado por cada um de nós. E Ele usa as decepções que sofremos para que esta busca seja mais amiúde, mais intensa, mais dependente.

Então, leitor, abrace suas decepções como um alento no sentido de entender que Deus realmente se importa com você, que Ele o ama profundamente, que Ele quer intimidade com você e que a sua opinião é a única que realmente deve lhe interessar.

Nunca se magoe e nunca se aborreça com a frieza emocional das pessoas. Aprenda a viver na dependência exclusiva de Deus.

Precisamos viver na dependência do Senhor e Ele usa nossas decepções como um freio no ímpeto natural que possuímos, de depender de outras pessoas. 

É um erro depender de pessoas! E muitos não se dão conta disso!

Nunca se decepcione com seus líderes espirituais, nem com sua Igreja e muito menos com Deus, caso esteja atravessando períodos difíceis. Quando o seu sofrimento parecer desmedido e fora de propósito, é sinal claro que algo das mãos de Deus está para lhe alcançar.

Não esmoreça e mantenha-se firme na palavra do Senhor porque a obsessão do inimigo é abortar o seu milagre e ele sabe antecipadamente quando a graça de Deus lhe é destinada. Então, ele faz o impossível para lhe tirar a paz, para você desistir de Deus.

Desligue-se do passado, foque o seu presente o todo o seu futuro, na presença de Deus.

Tudo o mais é irrelevante. E para seu conforto, convido-o a ler Salmos 126.

Com meu carinho.

João Antonio Pagliosa
Curitiba, 02 de julho de 2018

 

Brincando com venenos | Pedro Israel Novaes de Almeida
04 de julho, 2018

 

         A Câmara dos Deputados está apreciando um Projeto de Lei que trata dos defensivos agrícolas.

         Um tema de tamanha importância não deveria estar sendo pautado, no apagar das luzes dos mandatos executivos e legislativos, quando reina o ambiente de fim de festa, em legislatura que não terá honrosas referências na história. A questão perece haver sido amesquinhada a mais uma lamentável briga entre torcidas, repleta de preconceitos e desinformações.

         Na mídia, são comuns as manchetes que relatam ser, o Brasil, um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Leitores menos avisados logo concluem que somos, os brasileiros, um dos povos que mais ingerem agrotóxicos, o que não é verdade.

         Produzir em ambiente tropical é um convite a pragas e doenças. Produzir a mesma espécie vegetal em grandes áreas contínuas torna o convite irresistível.

         O defensivo agrícola, assim como os medicamentos para uso humano, possuem prescrições objetivas, que devem ser obrigatoriamente obedecidas, sob pena de atuarem como verdadeiros venenos, lesando o consumidor. O uso racional e responsável dos defensivos, devidamente testados e aprovados, não gera danos à saúde pública.

         Os danos à saúde nascem da utilização irresponsável de tais substâncias, do pouco monitoramento público de resíduos e até mesmo do emprego de produtos não recomendados ou proibidos, criminosamente comercializados.

         A ciência tem obtido resultados brilhantes na adoção de tecnologias que diminuem e até mesmo dispensam o uso de pesticidas, e muito temos progredido, no tema. O agricultor de hoje utiliza bem menos defensivos que seus antecessores, e as novas gerações demonstram maior preocupação com o meio ambiente e consumidores.

         Dentre tantos aspectos, o Projeto de Lei trata de buscar o apressamento das aprovações e prescrições de defensivos, diminuindo a atuação de órgãos atinentes à saúde pública e meio ambiente. Apressar, em nosso meio, pode resultar em experimentações e análises menos aprofundadas, até sujeitas a interferências externas.

         Cogita-se absurdamente, de permitir o uso excepcional de algum novo defensivo, quando o órgão público tardar a concluir a autorização pleiteada. O retardamento imotivado deve subsidiar reprimendas as mais diversas, mas jamais a sujeição dos consumidores e produtores a males incertos.

         A rigor, o Projeto de Lei ainda não foi discutido à exaustão, e corremos o risco do embate entre os que consideram todos os defensivos venenos cruéis, e os que julgam que tudo é válido, enquanto facilitador de produções.

         O atual legislativo federal perdeu a representatividade e as condições de credibilidade, indispensáveis à análise aprofundada do tema e o correto seria posterga-lo para a próxima legislatura.

         Caso persista a situação atual, em breve teremos a legislação sobre defensivos discutida por ministros do STF. E sequer sabemos em que turma !

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

Defeitos premiados | Pedro Israel Novaes de Almeida
29 de junho, 2018

         Os humanos vivem em meio ao eterno confronto entre qualidades e defeitos, que todos possuímos.

         Sentimentos menores podem acabar domesticados e controlados, até pelo fato de causarem infelicidade. Quanto mais poderosas, mais as pessoas tendem a manifestar, com intensidade, defeitos e virtudes.

         O poder, com seu frequente entorno aclamador, confere aos detentores a sensação de pairarem acima dos cidadãos comuns. A maioria das pessoas costuma ser complacente com feitos e desfeitos, quando da análise de poderosos.

         Em nosso triste estágio civilizatório, pouco erigimos instituições, e cuidamos de construir palácios, lotando-os de serviçais públicos, mais recompensados quando festejadores e enaltecedores do poderoso de plantão.  Não são animadoras as consequências, ao servidor, de posturas legalistas, contestando e até descumprindo ordens sabidamente ilegais e desonestas.

         Nossas estruturas públicas são caracterizadas por intensa pessoalidade, que começa pelo poder de livremente nomear comissionados, para funções e mandos estratégicos, ao longo da estrutura funcional. É risível a mudança no desempenho dos órgãos públicos, ao sabor dos defeitos e virtudes de quem os comanda.

         Na verdade, nossas estruturas públicas funcionam como reinos, o que aumenta o poder de barganha, quando do loteamento de cargos e funções. Tal excrescência subverte o princípio da harmonia e independência dos poderes.

         O Executivo loteia o Estado, obtendo maiorias fisiológicas no Legislativo, e ambos nomeiam integrantes das Côrtes judiciais, buscando realizar o velho e carcomido sonho de aparelhar o Judiciário. Em muitos países, sistemas opressores, corruptos e ditatoriais, foram implantados e partir da subserviência das Côrtes judiciais, com integrantes nomeados.

         Em tal contexto, soa lógico o fortalecimento da corrupção e dos desmandos, originada não só da endêmica e viciada estrutura, mas, e principalmente do cabedal de muitos defeitos e raras virtudes, dos cidadãos eleitos e reeleitos, mesmo quando sabidamente venais.

         São raras, e sempre meritórias, as escolhas erradas, feitas por corruptos. Os defeitos de uns são prontamente reconhecidos e premiados, por outros defeituosos.

         Os maus conseguem o beneplácito da união, enquanto os bons vivem sempre às turras, ou em perniciosa omissão. Em nosso sistema eleitoral, defeitos são veiculados, e acreditados, como virtudes.

         O cidadão candidato a legislador, esgrimindo ser expert em obter verbas e obras, demonstra claramente o defeito de, eleito, ser mais um defeituoso, no país carente de virtudes.             

         Defeitos todos temos, mas devemos buscar dar mais visibilidade e eficiência às virtudes, que também temos, no dia a dia, e principalmente na hora do voto, ou na hora de dar um enérgico e definitivo basta aos malfeitos dos defeituosos que empestam nossos poderes e estruturas. Chega !

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

Pobres | Pedro Israel Novaes de Almeida
14 de junho, 2018

Não é fácil ser pobre.

Dependente compulsório dos serviços públicos, conhece como ninguém as fragilidades do setor. Filas e mau atendimento frequentam o dia-a-dia dos pobres.

São os pobres as vítimas preferenciais do mau humor e complexo de autoridade de grande parte dos atendentes, a maioria também pobre. Quando o pobre encontra uma repartição sem filas, com certeza foi ao endereço errado.

Pobres raramente frequentam as colunas sociais, e não é raro vê-los nas colunas policiais, ou em reportagens de jornais oposicionistas. Quando Deus criou a terra, pensou nos pobres, surgindo então a linguiça mista, o frango e o porco, povoando-lhes a mesa.

O brasileiro tornou-se um tipo raro de pobre, que não soube manter o hábito de comer sopa, alimento mágico que aproveita todo tipo de ingrediente. Outrora, as sopas eram figuras obrigatórias na janta, de pobres e ricos, sendo, agora, substituídas por pão, com alface, manteiga, presunto, mortadela, banana ou mesmo puro.

Pobre raramente habita a vizinhança do emprego, sendo forçado a onerosos, demorados e desconfortáveis périplos do transporte público. A constante lotação dos transportes garante ao pobre a percepção diária do calor humano.

Vive, quase sempre, em regiões pouco abrangidas por saneamento, donde a fama de forte, quando sobrevivente. Os filhos, recentemente, foram contemplados pela merenda escolar, entidade mágica que garante parte considerável da nutrição.

Como todo brasileiro, também fica com frescuras e preconceitos, pouco comparecendo a campanhas de vacinação, sob os mais estranhos e ridículos argumentos. Poucos chegam ao terceiro grau, por trabalho precoce ou falta de condições financeiras.

Pouco especializado, dificilmente consegue altos salários, confinados aos que demonstrarem pendor artístico ou futebolístico. É esperançoso frequentador de loterias, e alimentador frequente dos lucros das empresas de telefonia móvel.

Habita regiões com altos índices de violência, e sente saudades do tempo em que só ricos e remediados eram assaltados. Costuma figurar como suspeito em todos os crimes, e sempre carrega, facilmente apresentados, todos os documentos.

Pobre tem, quase sempre, o ônus do aluguel, que paga até quando invasor. Em meio a tanto sofrimento, o pobre conserva o bom humor.

Governos que não conseguem erradicar a pobreza cuidam de manipular estatísticas, considerando não pobres os que pobres continuam.

Pobres pagam altos impostos, incluídos até no ar que respiram. Pobres que não são negros, nem pertencem a grupos LGTBs, são vistos como párias, insuscetíveis de qualquer amparo suplementar.

São heróis.

                                                        pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.          

Larápios e cortezes | Pedro Israel Novaes de Almeida
06 de junho, 2018

 

         É difícil admitir, mas nosso maior problema ainda é a desonestidade.

         Quando aliados, desonestos do setor público e privado conseguem a façanha de driblar mecanismos de controle e estruturas de fiscalização, apodrecidas tão logo demonstrem alguma eficiência e impessoalidade.

         Embora a desonestidade também habite o setor privado, seu campo de atuação é pródigo no setor público, com vítimas difusas, dando a impressão de que os lesados não são todos os habitantes, mas somente o tal tesouro público. Por séculos, nossos corruptos foram, popularmente, aclamados como espertos e poderosos, e só recentemente alcançaram, ainda tímida, a fama de ladrões.

         O defeito da honestidade sempre foi uma mácula, a impedir o acesso de funcionários públicos a melhores cargos. São milhões os funcionários desestimulados e isolados, por serem portadores da terrível e incurável doença da honestidade.

         Também no campo político, representantes honestos não conseguem apadrinhar verbas e feitos públicos, ou integrar órgãos e comissões legislativas de alguma visibilidade. São, sempre, candidatos à não reeleição, eis que vistos, pelo eleitorado, como pouco atuantes.

         Para disfarçar o império da desonestidade, funcionários técnicos são instados ao apodrecido “jogo de cintura”, pomposo nome da postura de emitir relatórios e pareceres inconclusos, deixando ao superior a gloriosa função de decidir, sem o alerta da existência de qualquer óbice ou inconveniência técnica.

         Órgãos, empresas e estruturas públicas constituem a menina dos olhos dos desonestos. Ali, fincam raízes e fundam feudos, nomeando assessores e esgrimindo as canetas que autorizam contratos e pagamentos.

         Funcionários comissionados, pontas de lança de gestões desonestas, são nomeados com pouca ou nenhuma base em qualificação técnica, sendo, por óbvio, referidos como “de confiança”. Não raro, aportam em cargos e funções importantes, impedindo a qualificação e profissionalização dos serviços públicos.

         É ostensiva e desavergonhada a disputa parlamentar por ministérios, empresas e órgãos da administração pública. A ciência tenta, sem sucesso, descobrir algum nobre ideal em tais anseios.

         A constitucional separação dos poderes, preconizados independentes e harmônicos, é mera falácia, mentira erigida a postulado. A desonestidade consegue fincar raízes em todos os poderes, eis que tem sido determinante, nas nomeações e viabilizações orçamentárias.

         A bancada da desonestidade abrange representantes de todos os espectros partidários, e atua com invulgar coesão, na defesa de seus nada nobres ideais. Possui atuação federal, estadual e municipal, com extrema e recompensada capilaridade.

         Desonestos não atuam uniformizados, mas possuem, em comum, a simpatia, o discurso moralista, a preocupação com os pobres e oprimidos e a incontida ânsia de transformar o país, estado ou cidade, em paraísos. Estão em ruas e esquinas, alardeando como favores pessoais as obras e iniciativas públicas, que não foram custeadas pelo próprio bolso. Só não confessam as omissões e conivências, que possibilitaram de tais feitos.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

Insanidade Coletiva | Pedro Israel Novaes de Almeida
30 de maio, 2018

Insanidade coletiva                        

Está decidido: escolherei, dentre os candidatos à presidência, algum que seja psiquiatra.

O povo vive a ilusão de que surgirá um justiceiro celeste, montado em cavalo branco, para açoitar corruptos e fisiológicos, aninhados nos poderes e cofres de nossa infeliz república.  Na falta do cavalo, serve, também, um caminhão.

Os caminhoneiros iniciaram um movimento paredista, repletos de bons motivos, há anos sofrendo o desdém dos governos. As pautas de reivindicações, tão difusas quanto as lideranças da categoria, eram de cunho econômico e financeiro, aí incluída a tão desejada previsibilidade do resultado dos feitos profissionais.

A contundência e eficácia do movimento recebeu o apoio incondicional da maioria da população, eis, que, até que enfim, uma categoria havia conseguido emparedar políticos e administradores, sem bandeiras sindicais ou partidárias.  Em delírio, a população creditou, aos grevistas, objetivos e inspirações que jamais corresponderam aos objetivos iniciais do movimento.

Descrentes da representação política formal, indignados com os absurdos casos de corrupção e desmandos, diariamente noticiados, os brasileiros conferiram, aos caminhoneiros, a missão de purificar todos os insalubres recônditos da nação. Manifestações de apoio surgiram, aos milhares, e até a entonação, emocionada, do hino nacional, completaram a paisagem, de redenção nacional.

Engrandecidos, os caminhoneiros passaram a agir como autênticos deuses, mandatários ditadores de uma republiquinha qualquer. O direito de ir e vir, com cargas, passou a ser beneplácito, conferido por tribunais de exceção, montados rodovias afora.

O país parou, criadores não tiveram o direito de alimentar animais e aves, e horticultores jogaram ao lixo produções impedidas de transitar. Indústrias paralisaram atividades, e mercadorias faltaram, enquanto hospitais adiaram cirurgias e atendimentos.

Todos perdemos. Direitos, ao mais comezinhos, foram desrespeitados.

O aparato repressivo do Estado foi elevado a negociador paciente, por vezes omisso, em nome de negociações que ignoraram os cidadãos vitimados. Vivemos, ainda, a ditadura dos caminhoneiros.

Leis e respeitos, constitucionais e civilizados, acabaram impunemente descumpridas, pelos aclamados salvadores da pátria. O acatamento, pelos governantes, da maioria das reivindicações, não impediu o prosseguimento dos abusos e transgressões, agora apimentadas pelos estímulos à derrubada dos governos, com apelos e aplausos à intervenção militar.

Petroleiros, oportunistas e tendenciosos, ameaçam paralisações, piorando a situação e expectativas de normalização da vida nacional.

O povo, sofrido e desnorteado, aplaude, inebriado pela doentia sensação de que tempos felizes se aproximam. Trata-se de flagrante transtorno coletivo. Está, a maioria, à espera do Messias, ainda que ditador e desrespeitoso.

     

Pedro Israel Novaes de Almeida

                                   pedroinovaes@uol.com.br

      O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

 

Você curte sua imagem? | João Antonio Pagliosa
28 de maio, 2018

Em 2 Coríntios, capítulo 3 versículo 18, lemos o seguinte: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito."

Nós, prezado leitor, temos o rosto desvendado porque Cristo retirou o véu. E, qualquer pessoa que se converte pode contemplar a glória do Senhor, e se tornar cada vez mais parecido com o Senhor, que é o Espírito.
De nossos pais e avós herdamos atributos físicos e também traços de caráter. Herdamos qualidades e herdamos defeitos, herdamos coisas boas e outras nem tanto. Mas poucos prestam a devida atenção ao que herdaram de seus ancestrais.
Observo que as pessoas procuram superar de muitas formas suas imperfeições físicas. Algumas acabam morrendo porque queriam uma barriga tanquinho, ou curvas mais delineadas e sensuais.
É relativamente fácil mudar nosso fenótipo, por exemplo, diminuir o tamanho do nariz, ou algo que o valha. Porém isso tem importância muito relativa... O que importa de fato é mudança de caráter...
E vejo quase ninguém preocupado em mudar seu próprio caráter... Em transformar-se de fato em novas criaturas, e a partir daí, viver de glória em glória!
Não tenho a menor sombra de dúvida que todos viveriam melhor se aplicassem suas energias no sentido de desenvolvimento de seu próprio caráter. A beleza física é importante mas ela tem a espessura da pele, e se desgasta rapidinho...
O Espírito Santo, querido leitor, está em nós! E Ele desenvolve em nós a nítida imagem de Cristo! Entreguemos pois, todos os nossos atributos físicos, morais e intelectuais, todas nossas qualidades e nossos defeitos ao Senhor, e permitamos que Ele cumpra o que tinha em mente quando nos criou como obras primas de seu amor.
Aí sim a vida terá real sentido... Aí sim você curtirá a sua imagem!
 
Curitiba, 28 de maio de 2018.

 

João Antonio Pagliosa
Engenheiro Agrônomo
Generalistas | Pedro Israel Novaes de Almeida
24 de maio, 2018

 

         Escrever artigos semanais, sendo especialista em absolutamente nada, é uma temeridade.

         No caso da greve de caminhoneiros, é instintiva a aprovação do movimento, em face dos altos custos do pedágio, da violência e do próprio combustível. Quando analisada a questão das contingências do mercado mundial do petróleo, contudo, é requerido algum conhecimento mais aprofundado do tema, sob pena de opiniões apressadas, que desinformam.

         O Brasil é repleto de especialistas, que tentam transformar simples opiniões em fatos incontestes. Geralmente, nossos especialistas sem especialização habitam as searas econômica, social e política.

         A paixão, partidária ou política, leva a produção de textos que, tentando ser objetivos, acabam repetindo chavões que jamais conseguem ir além do discurso fácil, sempre acolhendo uma solução simplista. Tais textos, por numerosos e repetitivos, encontram terreno fértil na incipiente cultura do público leitor.

      Existem temas pouco tratados, por estarem permanentemente protegidos por especialistas. Assim, são raros os amadores que ousam penetrar no campo da medicina, das ciências naturais ou mesmo de conteúdo bíblico.

     No caso do edifício que ruiu, em São Paulo, o tema mais tratado foi a miserável condição dos invasores e a lamentável política habitacional dos governos. Poucos atentaram à inexistente eficácia de nossas leis, pretensamente rígidas na proteção dos patrimônios tombados, e, para surpresa geral, o edifício era tombado.

     Poucos incluíram, no trato da política habitacional, a criminalização fiscal dos investimentos em imóveis para locação. Quem paga aluguel não tem direito a deduções, e quem os recebe é gravosamente taxado.

   Existem temas cuja persistência histórica faz rarear as análises e indignações, como a pecaminosa ausência de correção, nas tabelas do imposto de renda. Governos após governos, o Estado avança mais, a cada ano, sobre os ganhos da população, agigantando-se em suntuosidades e ineficiências.

    A pouca presença de especialistas, dentre os articulistas, contudo, deve ser saudada como primado da democracia, pela diversidade de opiniões. A mídia nacional, salvo honrosas exceções, tem tendido a figurar como mais uma, dentre tantas redes sociais.

   Tamanha liberdade, contudo, seria melhor aproveitada fôssemos, os leitores, mais instruídos. É triste presenciar, nas esquinas, discussões que nada mais são que esgrimas de chavões e frases de efeito.

  Um povo que toma como verdades e fatos meras opiniões tende a ser vítima fácil de embustes eleitorais, aclamando soluções aparentemente lógicas e infalíveis, de fácil digestão. Candidatos sérios e honestos, que não apregoam o paraíso sem sacrifícios, não costumam ser campeões de voto.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.      

Respeito à criança e ao idoso | João Baptista Herkenhoff
24 de maio, 2018

Neste artigo quero refletir sobre os extremos da vida. Comecemos pela criança.

Nos meandros da Justiça tudo pode atrasar, menos o julgamento de hábeas corpus.

A adoção de crianças não deveria ter o mesmo status?

Matéria tão grave, de repercussão humana e social tão profunda, pode ter justificativa de retardamento apoiada em problemas de estrutura do Poder Judiciário?

Uma criança pode esperar o andamento da “traquitana da Justiça” (Monteiro Lobato)? Seu destino pode suportar o emperramento dessa traquitana quando pais adotivos suplicam pela oportunidade de adotar? Penso que não.

Vou agora me debruçar sobre o idoso.

         O ciclo natural da vida exige que gerações substituam gerações, na perene obra de construção e aperfeiçoamento do mundo e das coisas.

         Nas sociedades que se guiam por padrões éticos, aqueles que já deram sua parcela de trabalho, nos diversos ofícios que compõem a sinfonia da vida, constituem um grupo respeitável dentro da comunidade.  São os aposentados, ou jubilados, ou integrantes da reserva.

Não ficam excluídos ou apartados da comunhão social.  Muito pelo contrário.  Reconhece-se nas pessoas mais velhas o dom do conselho.  Daí que são ouvidas com respeito, pela experiência que acumularam ao longo da vida.

 

João Baptista Herkenhoff é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor.

E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

         CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520

 

É livre a divulgação deste texto, por qualquer meio ou veiculo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa. 

 

Vice e titular | Pedro Israel Novaes de Almeida
16 de maio, 2018

É estranha a figura do vice, prefeito, governador ou presidente.

         Em época eleitoral, todos os candidatos tratam de convidar os concorrentes para figurar como vice, na chapa. A atitude busca diminuir a concorrência, agregar apoio e manter um ambiente amistoso.

         O vice ideal é aquele que agrega confiabilidade e simpatia à chapa, além de portar uma franciscana vocação a figurar em segundo plano, durante a gestão. Na prática, contudo, titular e vice rumam, desde o primeiro dia, ao desencontro.

         Na república, as divergências entre Collor e Itamar, Dilma e Temer, comprovam que diferentes estilos possuem dificuldades em conviver em ambiente de hierarquia de poderes. O vice frequenta o mesmo ambiente de poder, sem possuí-lo de fato.

         A criação do vice visou impedir a descontinuidade da gestão, nas faltas e impedimentos do titular. A tendência atual aponta para a utilização dos vices, ocupando secretarias ou encabeçando eventos e promoções oficiais.

         Não compete ao vice aguardar, distante, a oportunidade para assumir, devendo manter-se atualizado dos fatos e tendências da administração, eis que pode, a qualquer momento, assumi-la, temporária ou definitivamente. 

         O acordo mais comum, e comumente mais desrespeitado, diz respeito ao vice figurar como titular, na eleição seguinte. São mínimas e irreais as chances de tal acordo vingar, mesmo que bem intencionadas as partes, quando do trato.

         Toda a responsabilidade dos erros e acertos das gestões recai sobre o titular, e não existem registros de imputações de sucessos ou insucessos, ao vice. Tal situação conduz o titular a tomar para si todo o domínio e responsabilidade, acabando por descumprir as juras de administração compartilhada, infantil e ingenuamente combinadas, na fase pré-eleitoral.

         Humanos, titular e vice acabam incomodados, sempre que o brilho do reconhecimento popular atinge mais um que outro. Vices, com anseios de poder, buscam luz própria, iniciando, não raro, uma disputa sorrateira, que pode atingir feições conspiratórias, comprometendo o bom andamento da gestão.

         As desavenças podem ser de tal monta que algum vice, mesmo quando assume o poder por alguns dias, cuide de mudar todo o quadro de comissionados, e trate de pintar todos os postes e sarjetas, enunciando melhorias na visão popular. O vice pode ainda aproveitar a interinidade e propor, ao legislativo, normativos populistas, que desagradem o titular ou comprometam o andamento futuro da gestão.

         Por outro lado, titulares podem iniciar procedimentos irregulares, deixando temporariamente vago o cargo, para que os vices assinem documentos e assumam responsabilidades. Desavenças entre titulares e vices prejudicam, sempre, a população.   

         No tema, a desavença é a regra, e a harmonia exceção. Resta torcer para que os desencontros fiquem confinados ao relacionamento pessoal, não prejudicando o objetivo maior das administrações, que é o bem estar coletivo.

                                                                                           pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

        

Multiplicando talentos e desenvolvendo habilidades para superar desafios | João Antonio Pagliosa
14 de maio, 2018

Teus talentos não são para serem enterrados… Multiplica-os!

Precisamos sempre aprender com a palavra de Deus, e em Mateus 25: 14 a 30, lemos sobre a parábola dos talentos.

Gente, quanta sabedoria em tão poucos versículos…  Você lê em dois minutos, porém muitos não aprendem essa lição no transcorrer de toda sua vida…  Assim é o homem!

Talentos nós podemos adquirir através de nosso esforço e de nossa abnegação. De dedicação constante… Dons é diferente… Dons, Deus nos dá… Por pura graça! Aleluia!

O Brasil precisa empreendedores sérios e competentes, e acima de tudo, honestos e de princípios consolidados. Qualquer nação precisa… E as eleições presidenciais estão aí. Vote com consciência porque o Brasil merece!

Empreender é ter visão. Empreender é ter metas, ou seja, sonhar com data estipulada para acontecer. E esses sonhos precisam ser precedidos de muito planejamento, e de algum recurso financeiro para alcançarmos êxito.

O Senhor do Universo conspira a nosso favor, sempre! E aprendi que empreendedorismo é a conversão do conhecimento em algo de valor empresarial. Aprendi que empreendedorismo é a busca constante de formas de inovar o que faço. Aprendi que para aqueles de cabeça aberta, não importam as circunstâncias, sempre haverá oportunidades. Aprendi que oportunidades precisam ser aproveitadas.

Aprendi que sorte e azar não existem. Sorte é quando a oportunidade encontra alguém preparado e disposto ao trabalho.

Azar é quando a oportunidade encontra alguém despreparado.

Homens preparados, sempre terão oportunidades. Creia nisso, e vá à luta!

O perfil de um empreendedor de sucesso está posto muito claro em Josué, capítulo 1, versículo 7.

O versículo diz: “Tão somente sê de fato firme e corajoso, para teres o zelo de agir de acordo com todos os mandamentos que te ordenou Moisés, meu servo. Não te apartes dele, nem para a direita e nem para a esquerda, para que tenhas sucesso em todas as tuas realizações.”

Caros, é preciso ser ético. É preciso ser homem de princípios consolidados! Sucesso só vale a pena com essa prerrogativa! Quantos iníquos estão atrás das grades por jogar no lixo sua dignidade e honra!

Onde não houver visão, o povo perece! O olhar além do que se vê, e  imaginar o que existe além da montanha a nossa frente. É o desafio de empreendedores, de homens que fazem a diferença e encurtam os caminhos.Hoje há muitos empresários que são analfabetos visuais, ou seja, eles veem, mas não enxergam. Falta-lhes sempre perspicácia… Falta-lhes entendimento… E isso é muito sério, para dizer o mínimo.Sou homem temente a Deus, e considero que devemos busca-lo com força, para que possamos manter a disciplina. Para mim, só com disciplina o sucesso será pleno… A ergonomia cognitiva, por exemplo, sentar de forma correta na sala de aula, auxiliará muito o aluno no seu aprendizado.

Nós somos templo do Espírito Santo, por isso precisamos cuidar de nosso corpo. Precisamos ter disciplina com nosso corpo. Precisamos ter disciplina com o nosso tempo, isto é, usá-lo como dom precioso que é. Precisamos ter disciplina com a nossa mente… Vigie seus pensamentos, não tenha ansiedades, pois pessoas ansiosas não tem gestão correta de sua mente, e elas perdem oportunidades de crescer profissionalmente, elas não conseguem aprender o que precisam.

Os empreendedores são determinados e dinâmicos. São otimistas e sempre apaixonados pelo que fazem.

São comprometidos com o que fazem, conforme o livro de Colossenses 3:23, “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo coração, como para o SENHOR e não para os homens.”

Os empreendedores são pessoas bem relacionadas e sabem explorar  potencialidades ao máximo. São chamados a exercer lideranças e buscam o conhecimento, sempre e sempre.

Em Provérbios 1:7, lemos: “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina.”

O conhecimento técnico é abundante em muitos profissionais, mas a sabedoria está em falta… E nosso mundo precisa urgentemente de ÉTICA, nosso mundo precisa de pessoas que pratiquem a verdade…

Na atualidade, talvez para sua surpresa, 90% dos brasileiros são mentirosos, não praticam a verdade… Essa máxima (que deveria ser mínima) de que quem não cola não sai da escola, é de uma imbecilidade total… Mas é uma realidade para muitos, desgraçadamente…

Para ter sucesso na vida é preciso visão holística, com muita disciplina, dedicação, informação, conhecimento, paciência, sacrifício, trabalho árduo, e temor do Senhor.

Em Salmos 139:15 e 16, lemos: “Meus ossos não te eram encobertos, quando fui formado ocultamente e tecido nas profundezas da terra. Teus olhos viram meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias; prefixados, antes mesmo que um só deles existisse!”

Como não ter temor do Senhor, meu prezado leitor?

E, por falar nisso, não sei se perceberam que alguns cientistas ateístas estão se calando nos últimos tempos. Sabe por que?

Porque a alta tecnologia de hoje tem permitido conhecer mais profundamente a competência de Deus. Há equipamentos muito sofisticados que permitem conhecer mais e melhor…

Recentemente três químicos receberam o prêmio Nobel de Medicina porque descobriram uma enzima que corrige ou elimina o DNA de determinada célula. Esta enzima corrigindo ou eliminando um DNA defeituoso, impedirá uma anomalia. Pode-se corrigir uma falha antes que a pessoa nasça.

Deus quer dar um premio Nobel a você… Ele quer lhe dar muito mais que um Nobel, se você o aceitar… A vida eterna… No Éden e com Ele!

Em João 15: 3 e 4 lemos: “Vós já estais limpos, pela Palavra que Eu vos tenho transmitido. Permanecei em mim, e Eu permanecerei em vós. Nenhum ramo pode produzir fruto por si mesmo, se não estiver ligado à videira. Vós igualmente não podeis dar fruto por vós mesmos, se não permanecerdes unidos a mim.”

Os cientistas ateístas estão se calando porque não conseguem explicar a grandiosidade de Deus. É sábio calar antes de falar que Deus inexiste!

Você consegue aquilatar quanta energia tem uma simples semente? Numa pequena semente há bilhões de informações no DNA de cada célula, que é característica daquela semente em particular. É de estarrecer qualquer sábio… É de estarrecer qualquer um…

Ninguém é como nosso Deus! Ninguém se assemelha a Ele! Em João 1:3 lemos: “Todas as coisas foram feitas através dele, e sem Ele, nada do que existe teria sido feito.”

Isaías 61:11 diz: “Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Soberano, YAHWEH, fará nascer a justiça e o louvor diante de todas as nações!”

Deus é fantástico! Observem a sedução das flores… Elas têm cores maravilhosas… Elas têm formas incríveis… Elas têm perfumes inebriantes… Elas têm néctar delicioso e agradável… Tudo para atrair muitos insetos… Tudo para permitir fertilização entre as espécies… As flores seduzem para sua autopreservação… Perfeito!

Gênesis 1: 11 e 12 diz: “Deus determinou: Que a terra seja coberta com todo tipo de vegetação! Plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes conforme suas próprias espécies. E assim aconteceu. A terra fez brotar toda a vegetação: ervas que dão sementes segundo sua espécie, e árvores que produzem frutos, cujas sementes estavam neles, de acordo com suas espécies. E observou Deus que isso era bom.

Esse é o poder da criação… Um pouquinho dele… E observando essas coisas todas, não há como não crer.

Em Romanos 1:20 lemos sobre a ira de Deus contra homens sem fé. O versículo citado diz: “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido observados claramente, podendo ser compreendidos por intermédio de tudo o que foi criado, de maneira que tais pessoas (que não creem) são indesculpáveis.”

Reflita sobre tudo isso prezado leitor… E volte-se para o PAI! Enquanto seu coração bater no peito, haverá tempo! 

JoãoAntonioPagliosa. 

Engenheiro Agrônomo

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