Colunista

Benefícios na arborização de áreas urbanas | João Antonio Pagliosa
19 de fevereiro, 2018

As árvores são muito úteis à vida do homem, e por realizar fotossíntese, reduzem o teor de CO2 da atmosfera e aumentam o teor de O2, assim plantas garantem um ar mais puro à saúde humana e também, a todos os animais.

As árvores, via evapo-transpiração, diminuem a temperatura do ar ambiente e aumentam a umidade do ar, causando sensação de conforto e bem estar.

As árvores reduzem a poluição sonora, além de absorver e reter água das chuvas, auxiliando no controle da erosão do solo, enxurradas e enchentes.

As árvores preservam a diversidade no meio urbano e são abrigo e fonte de alimentos para muitos animais.

As árvores produzem flores e frutas deliciosas.

As árvores, via sombreamento, auxiliam na conservação do solo, do asfalto e dos calçamentos.

As árvores embelezam as ruas e avenidas e sua coloração verde acalma e alegra a vida das pessoas.

As árvores reduzem os custos com saúde pública pois a arborização urbana diminui as doenças pulmonares e cardíacas.

As árvores são grandes amigas, portanto, preserve-as, multiplique-as, e incentive o plantio e seu cuidado. A natureza agradece!

E todos viveremos melhor!

 

Curitiba, 15 de fevereiro de 2018

João Antonio Pagliosa

Engenheiro Agrônomo

Estranha folia | Pedro Israel Novaes de Almeida
08 de fevereiro, 2018

O brasileiro possui sentimentos agendados.

         No natal, solidário, na páscoa, esperançoso, no dia dos pais, todo família e, no carnaval, só alegria.

         Em nosso calendário, ainda cabem milhares de comemorações, como o dia do Orgulho LGBT, da Consciência Negra, do Trabalhador, da Mentira, e assim vamos, com a agenda sempre lotada. Quem mais sofre são os colunistas, quase forçados a comentar a comemoração da semana.

         É difícil escrever a respeito do carnaval, sem ser folião, e sem ao menos tomar uma ou outra dose de animador alcoólico. Sem o mínimo espírito carnavalesco, resta achar alguma graça na folia das crianças, muitas ainda jogando água em transeuntes.

         É triste ver o marido jazer sonolento e inerte, enquanto a esposa cai na folia, confinada aos arredores da mesa. É arrepiante ver meninas e moças caírem na folia descalças, em plena multidão, e terminarem a noite com os dedos dos pés intactos.

         Escolas de samba desfilam maravilhosas, exaltando temas da ocasião, prestando imperceptível agradecimento aos contraventores que auxiliam a festa. Alegorias revelam artistas, e sambas-enredo grandes compositores.

         Fantasias animam o comércio, com destaques para imagens de corruptos famosos e governantes exóticos. Abadás permitem integrar blocos.

         Cervejas e destilados disputam espaços publicitários, e regam o país, de sul a norte. Reaparecem, com pouco brilho, no noticiário de acidentes de trânsito, alguns fatais.

         Homens assumem vestes e feições femininas, alguns recatados, outros verdadeiras sirigaitas.  Mulheres economizam tecidos, só mantendo ocultas porções sabidamente de pouco brilho.    

         Maternidades lotam mais que cartórios, em novembro. A festa tem reflexos e preparos durante todo o ano.

         Para a maioria, o brilho dos agendamentos recai no fato de serem, muitos, feriados, modalidade em que somos campeões mundiais. Os dias úteis acabam sendo exceções, nos quase raros intervalos entre feriados.

         Milhões de brasileiros aproveitam a festa para pescarias, churrascos, praias, retiros, consertos domésticos ou o inigualável ócio, esquecendo boletos. Sambas e marchinhas ambientam até os que não cultuam Momo.

         A crise aproveita o período de festas para demonstrar sua grandeza, com furtos, assaltos, tráfico e outras manifestações de carência civilizatória, onde rareiam empregos, saúde, segurança e educação. A folia induz a sensação de que, por alguns dias, nossas mazelas ficam suspensas.

         Idosos, sempre precavidos, evitam o burburinho, temendo, literalmente, cair na folia. Relembram, saudosos, os carnavais de outrora.

         Não convém, os que foliões não somos, escrever sobre o carnaval.

                                                               pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.   

Povo porco | Pedro Israel Novaes de Almeida
01 de fevereiro, 2018

O aumento da produção de lixo é o ponto comum a todos os povos.

         Embalagens facilitam a venda e valorizam os produtos, gerando toneladas de materiais descartáveis. A partir dos anos 80, o volume dos invólucros passou a ser semelhante ao dos alimentos e materiais ingeridos.

         Sacolas plásticas, disponíveis em supermercados, já figuraram como heróis e bandidos da comodidade humana, com períodos inconstantes de proibição. Hoje, aparecem dispersos por todas as áreas, enroscados em cercas, adornando rabos de vira-latas ou emporcalhando praças e praias.

         A humanidade ainda acredita que o problema do lixo acaba quando de sua colocação fora do domicílio. A poluição ainda é popularmente menosprezada, quando ocorre fora dos limites territoriais das residências.

         Aos poucos, e a duras penas, constatamos que pilhas, cascas de banana, restos hospitalares, plásticos e isopor não mais podiam conviver em harmonia, após descartados. Aos poucos, os amontoados de lixo começaram a contaminar o solo, ar e recursos hídricos, servindo ainda de fonte inesgotável de insetos, bactérias e fungos que atentam contra a saúde, inclusive humana.

         Nos rios e oceanos, espécies são ameaçadas pela ingestão de plásticos.

         A primeira providência humana foi a tentativa de separar restos orgânicos de inorgânicos, diminuindo o volume dos lixões e permitindo a reciclagem de diversos materiais, com significativa economia de água e energia, para o fabrico de novos produtos. Ainda engatinhamos nessa primeira etapa.

         A maioria dos municípios sequer conta com aterros sanitários, e não promove muitos esforços para a reciclagem. Sequer a separação de orgânicos e inorgânicos é praticada, pela maioria da população.

         Lixeiros, social e financeiramente desvalorizados, ainda recolhem o lixo descartado em dezenas de sacolinhas, em uma única residência. Não raro, sofrem acidentes com cacos de vidro e metais ponteagudos, misturados nas embalagens.

         Os lixões geraram ocupações que sustentam milhares de famílias, garimpando, de maneira insalubre, materiais recicláveis. Catadores de reciclados, muitos membros de cooperativas e associações, guerreiam pela coleta dos materiais, ainda uma pequena parcela do lixo, disponibilizada por uma ou outra família.

         Catadores ainda recebem poucas atenções dos poderes públicos, embora em algumas cidades já recebam algum dinheiro, quando apresentam notas fiscais de vendas dos produtos coletados. Geralmente, são auxiliados por caminhões de transporte e espaço para trabalhar.

         São raras as lixeiras dispersas pelas cidades, e muitos os atos de vandalismo, quando disponíveis. Pequenos lixões surgem diariamente, com restos de construção, sofás, animais mortos e toda a espécie de descartados.

         Cresce dia-a-dia a indústria de reciclados, e são grandes os investimentos em pesquisa, no setor. A indústria de materiais mais poluentes, como eletrônicos e defensivos, começa a ser obrigada a recolher os resíduos que gera.    

           Na questão do lixo, ainda vivemos a idade da pedra lascada.

                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

Depressão e autocomiseração | João Antonio Pagliosa
30 de janeiro, 2018

No livro de Provérbios 17:17. lemos: 'O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade.'

Só aquele que passou por terríveis sofrimentos, pode compreender a dor de outras pessoas.

No livro de Provérbios 17:17. lemos: "O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade."

O que escrevo aqui, destina-se àqueles que sofrem por perdas preciosas, também para aqueles que não compreendem as vicissitudes da vida, ainda para aqueles que se deprimem frente as adversidades e lamentavelmente nutrem perversa autocomiseração.

Em primeiro lugar é preciso entender que o Espírito Santo habita em você. Se consentir nesta verdade a sua vida mudará de forma radical e você se transformará no homem mais poderoso desta terra. Creia nisso!

Tenho reiteradamente escrito que o Espírito Santo precisa ser seu melhor amigo, seu conselheiro de todas as horas e seu fiel escudeiro.

Ao abrir seus olhos a cada manhã, cumprimente-o com grande alegria e júbilo.

"Bom dia, querido Espírito Santo. Que bom que você está aqui comigo!"

Gente querida, nós precisamos ter intimidade com DEUS e o Espírito Santo é o nosso intercessor. Recorra a Ele e nunca deposite sua fé no dinheiro ou nas crendices populares. Eu menciono isso porque vejo o sofrimento de milhares de pessoas que agonizam subjugadas pelas dificuldades, por temores e angústias. Não cultive deuses errados!

A alegria e a felicidade que você anseia, pode ser simplesmente vislumbrar a riqueza que é ser útil ao seu próximo. Exercite o seu amor ao próximo com ações concretas... Basta olhar para o lado e encontrará pessoas que precisam sua ajuda, e as vezes apenas um sorriso é providencial.

Creio que todos concordamos que é muito mais prazeroso dar do que receber, e isso me recorda Marcos 11:20, onde Jesus secara a figueira até a raiz porque ela não dera fruto.

Entenda que somos inúteis se não dermos frutos, e como a figueira seremos descartados dos planos de DEUS. Precisamos ser frutíferos em todas as ocasiões, mesmo quando nossas palavras ou ações não encontram eco. Semeie o bem... Semeie sempre, mesmo em terrenos áridos.

Eu me constranjo com o sofrimento dos outros e procuro demonstrar, alicerçado em minha fé, que somos todos dependentes de DEUS e somente Ele pode nos livrar das desgraças deste mundo. Não há outra opção que mereça a sua consideração.

Ao ler Marcos 11 versículos 21 a 26, você verá que tirar o monte (doenças, dores, angústias, sofrimento,secas, miséria) de sua vida, a depressão e a autocomiseração o abandonarão definitivamente. Glória a DEUS por isso.

Mas o perdão é questão inegociável. Se não liberar perdão o Pai não o perdoará. Libere pois perdão a todos!

E entenda que DEUS é onisciente e onipotente ao ler Salmos 139:13 a 16.

Aliás, este último versículo mostra que todos os nossos dias já estão contados mas somos nós que escrevemos nossa historia. DEUS só a coloca no papel. Que maravilha entender isto! É o livre árbitrio em nós...

Transforme suas derrotas em vitórias. Transforme sua vida nos dias que ainda lhe restam, pois isso só depende de você.

Talvez haja muitos ao seu redor auxiliando e intercedendo, mas libertar-se depende de você.

Leia Salmos 131, espere no Senhor e situe-se bem acima da dor, do medo e da aflição. DEUS nos quer livres de todas as amarras. Ele nos que libertos!

Liberte-se de sua depressão, pare de morrer de pena de você mesmo e acorde para a vida, este dom extraordinário que ainda está em você. SEJA FELIZ!

E se está muito difícil, por favor, permita que as pessoas o ajudem. Vença a sua raiva, o seu orgulho e o seu egoísmo. Não se feche em si mesmo!

Seja sábio e entenda que nós nunca nos recuperamos de algumas coisas que acontecem conosco. Saiba que a vida é assim mesmo. Porém, ao ler Jeremias 30:17 há conforto: "Farei cicatrizar o seu ferimento e curarei as suas feridas", declara o Senhor, porque a você fulano de tal, chamam de rejeitado, aquele porque ninguém se importa".

Ora, DEUS se importa. Ele é fiel em todas as suas promessas.

 

João Antonio Pagliosa (de Curitiba/PR) , Escritor , palestrante e Engenheiro Agrônomo.

Contato: joaoantoniopagliosa@gmail.com

www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

Curitiba, 29 de janeiro de 2018

 

 

Novos e velhos | Pedro Israel Novaes de Almeida
25 de janeiro, 2018

O diálogo entre gerações sempre foi conturbado.

         As diferenças, gritantes, principiam pela inovação tecnológica. Enquanto poucos conseguem entender e manejar algo além do radinho de pilhas e TV com tubo, as novas gerações, ainda na infância, transitam com desenvoltura por entre computadores e outros aparelhos eletrônicos.

         Mecânicos, vindo de um tempo em que um araminho, bem manejado, restituía a funcionalidade do veículo, estranham a breve vida dos componentes, agora simplesmente substituídos. Até a força do aperto de peças, outrora intuitivo, passou a ser monitorada por equipamentos modernos.

         Topógrafos e engenheiros, que outrora arrastavam cordas e suavam o cérebro para elucidar metragens e ângulos, agora contam com medidores eletrônicos, quase infalíveis. Lixeiros, antigamente vertedores do conteúdo de fétidas latas, hoje recolhem sacos plásticos, na maioria dos domicílios.

         Médicos generalistas diagnosticavam sem o apoio de sofisticados exames, e salvavam vidas. Agora, os exames são relatados com sugestão de diagnóstico, permitindo a completa visão e entendimento das mínimas ocorrências no corpo humano.

         As diferenças tecnológicas podem causar algum estranhamento, mas não opõem gerações. As desavenças, cada vez maiores, decorrem do constante atrito entre costumes, valores e tradições.

         As novas gerações aceitam com naturalidade as posturas LGBTs, mas não possuem o direito de exigir, de pais e avós, semelhante complacência. Podem, no máximo, exigirem respeito humano e não agressão.

         É normal que uma avó fique contrariada, ao ver a neta, de 12 anos, colocar um piercing na língua e outro no olho, ou o neto, de igual idade, tatuar no peito a imagem de algum criminoso histórico. O respeito deve ser recíproco, mas a avó tem o direito de ser eternamente indignada.

         As antigas gerações aprenderam a julgar naturais o tabagismo e a ingestão rotineira de álcool, mas, com algum cinismo e acerto científico, condenam o uso de drogas. Reside nas drogas o ponto de maior discordância entre as gerações.

         Gerações anteriores, em que pesem episódios naturais de selvageria humana, era mais respeitosa, especialmente no trato com servidores da educação. Em regra, bastava ter idade superior para merecer um acréscimo de respeito.

         No campo das artes, alegam os antigos que as músicas de outrora possuíam belas letras, e ritmos que embalavam. Para a maioria dos antigos, as obras atuais, muitas, não vão além de estridências e cultos à libertinagem.

         As novas gerações cultivam o maior respeito à natureza e às diferenças entre humanos, levando as antigas gerações a novas e saudáveis posturas. Contudo, falta-lhes o maior respeito a crenças, posturas e valores dos mais idosos.

         As gerações podem conviver em paz, se pautadas por um mínimo de civilidade e respeito humano.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br 

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.     

          

         

Não engane a si mesmo! Nunca! | João Antonio Pagliosa
25 de janeiro, 2018

Em Deuteronômio 11:26, Deus põe diante de nós a benção e a maldição. Há livre arbítrio em nós.

Em 1 Coríntios 3:18, somos admoestados a não nos enganarmos, e que é vã a sabedoria humana se o Senhor não for o nosso senhorio primordial. A sabedoria humana é loucura diante de DEUS, e precisamos tomar cuidado ao afirmar determinadas coisas à nossa alma porque quando descobrimos que estamos nos enganando, somos destroçados emocionalmente e a Bíblia nos alerta: Guarde seu coração para que não se engane a si mesmo. É fácil considerar-se senhor de situações (e inflar seu ego), é fácil cair em erros que atrapalham a nossa vida.

Vejo muitas pessoas a minha volta que manifestam estar em comunhão com DEUS, porém estas pessoas não abandonam seus pecados. Ora, é certo que se enganam porque não existe comunhão entre luz e trevas. Não existe penumbra no reino de DEUS e também não existe o morno.

Em 1 João 1:6 a 8, isto está detalhadamente explicado e comunhão com DEUS implica necessariamente em segui-lo e obedecê-lo.

Jesus virá sem avisos, (como ladrão à noite)e nos surpreenderá razão porque precisamos estar atentos e vigilantes. Não sabemos nem o dia e nem a hora. Leve, pois, uma vida ilibada e correta diante dos olhos de DEUS.

Em 1 João 1:9 e 10 somos alertados que pecamos e devemos reconhecer e confessar com profundo arrependimento o nosso pecado para termos perdão do Senhor. Isto me impulsiona à reflexão de meus comportamentos, de minhas atitudes, pois precisamos refletir sobre nossas ações e questionar: “É correto diante os olhos do Senhor? Jesus agiria como agi se estivesse em meu lugar?” Pense, reflita, e não se engane!

Ainda em 1 João 2:4 e 5, lemos que aquele que declara amar a DEUS mas não guarda a sua palavra é mentiroso e engana a si próprio.

Um pouco a frente, em 1 João 2: 9 a 11 lemos: “Aquele que diz estar na luz e odeia seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai porque as trevas cegaram seus olhos.”

Ora, sei que não é fácil amar algumas pessoas, mas, sei que é preciso!  Observe que o problema que temos em relação a uma pessoa, na verdade revela o nosso problema. Impaciência (você fala alho e seu interlocutor entende bugalhos), intolerância (às vezes você não suporta determinadas condutas de alguém, e daí é preciso muito amor para tolerar), incompreensão (as pessoas são únicas e devemos compreendê-las, pois possuem qualidades e defeitos diferentes dos meus).

Em situações difíceis devemos nos colocar no papel do outro. Entendo que há muitas pessoas soberbas à nossa volta, mas Jesus quer que nós as amemos. Ame sempre o pecador e abomine sempre o pecado.

Tenho amor por aqueles que sofrem de “incontinência fecal reversa”, mas admoesto que amor entre pessoas de mesmo sexo é ignomínia aos olhos de DEUS. E no que depender de nós, tenhamos paz com todos. Nunca alimente mágoas e nem ressentimentos. Isto é muito danoso à você.

Oh, Senhor! Guarde o meu coração para que não se engane. Para que eu saiba discernir se estou em luz ou em trevas.

E, prezado leitor, quando DEUS está no controle, tudo aquilo que vem contra nós, perde a direção e não nos atinge e não nos causa dano algum. Estamos sempre protegidos. E ai daqueles que oprimem e sufocam pessoas de DEUS.

Com carinho

João Antonio Pagliosa

Curitiba, 23 de janeiro de 2018.

Pouco aprendemos | Pedro Israel Novaes de Almeida
18 de janeiro, 2018

Mais aos trancos que barrancos, a humanidade segue sua sina de percorrer os rumos traçados pela história.

         Na verdade, a história não só escreve o passado, como delimita o futuro. A história não determina o futuro, mas ensina atributos humanos que atravessam milênios, ensejando a antevisão de comportamentos e consequências.

         Povos que já passaram por graves crises, e sobreviveram, atingiram graus de civilidade superiores aos que, como nós, insistimos em repetir erros do passado. Japoneses figuram como exemplos de soerguimento e progresso, como resultado natural de tantos desastres, naturais ou humanos.

         Os brasileiros sofremos, há séculos, os desvarios de administrações calamitosas, em todos os níveis. O berço sempre foi esplêndido, mas o sono conturbado.

         Temos o comportamento de hienas, sempre sorrindo, em plena lama. Sempre consideramos que ainda falta um pouco para chegarmos ao fundo do poço.

         Já passamos por ditaduras e gestões profícuas, mas pouco aprendemos. Ainda esperamos por um herói honesto, que virá montado em cavalo branco, fulminando corrupções e descaminhos.

         Já penamos administrações anunciadas como redentoras dos pobres e oprimidos, e mandatários justiceiros, pelo simples fato de darem enganoso combate a marajás. Redentores de pobres aumentaram a pobreza e faliram o Estado, e caçadores de marajás nada conseguiram, a não ser gestões desastradas e corruptas.

         Em meio a tantos desconcertos, a administração menos calamitosa surgiu justamente com um mineiro, presidente quase por acaso, que assumiu posturas efetivamente republicanas. As más línguas tentam empanar o currículo de Itamar Franco, apontando o estranho topete e a atração por mulheres vistosas.

         Os novos tempos, com fartas informações e publicidade, têm a contraindicação de direcionar as mídias, fazendo bandidos parecer heróis, e ladrões simples perseguidos. Por aqui, quando São Pedro faz chover na melhor época, os louros vão para o ministro.

         Pequenos favores costumam calar dissidências, e grande pecados podem parecer esforço em prol dos desvalidos. Delegando mandatos, acabamos por criar reinados.

         Somos, na verdade, eleitores compulsórios, movidos a máquinas publicitárias e midiáticas tão enganosas quanto ladinas. Ainda vamos repetir os erros do passado, que pouco ou nada ensinaram.

         Na ânsia por buscarmos as pessoas certas, acabamos por não amadurecer instituições, que hoje sucumbem, uma a uma, desacreditadas. Não estamos distantes do caos institucional, com reflexos no dia a dia de cada cidadão.

         A esperança é que sobrevivamos até o próximo pleito, e dele surja algum herói que não voe nem faça milagres, mas seja simplesmente honesto. Mais uma vez, a história ronda o ambiente, ensinando que nada aprendemos.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.     

Festa ou gastança | Pedro Israel Novaes de Almeida
10 de janeiro, 2018

Houve um tempo em que a realização de feiras e exposições agropecuárias envolviam, até de maneira irresponsável, prefeituras de todo o Brasil.

         Artistas famosos, pagos a peso de ouro, interrompiam os shows, para citarem o nome do prefeito e outras autoridades, em completo e absurdo descumprimento do princípio da impessoalidade. Algumas prefeituras assumiam o risco decorrente de eventual prejuízo de tais shows.

         Com o advento da crise, e obrigadas pela pobreza dos cofres públicos, as autoridades iniciaram um processo de distanciamento de tais festas, limitando a participação ao estritamente necessário. Na verdade, os eventos, de há muito, desviaram-se de seus objetivos iniciais.

         As festas passaram a buscar a frequência de multidões, sequiosas por parques, shows e rodeios. A parcela efetivamente destinada aos agricultores e pecuaristas foi crescentemente reduzida.

         Produtores buscam bons reprodutores, ensinamentos técnicos, oportunidades de negócio, tratores, máquinas e implementos, material genético e, sobretudo, integração e troca de informações, dentre outros benefícios. A eles, pouco importa o artista, o parque e o rodeio.

         Comerciantes sempre reclamaram da ressaca pós- feiras, com a inevitável queda das vendas, nas semanas e meses seguintes. As festas, de fato, exportavam economias locais e regionais.

         Na busca de multidões, as feiras, muitas, menosprezavam artistas locais, por não figurarem dentre os campeões de popularidade. Saberes rurais, do dia-a-dia dos produtores, também costumam ser menosprezados.

         Exposições, feiras e festas, voltadas exclusivamente aos produtores, envolvem poucos recursos, e ainda podem propiciar a integração entre urbanos e rurais. A culinária local pode ser valorizada, e produtos os mais diversos podem ser ofertados.

         As prefeituras, em respeito às prioridades ainda insatisfeitas, como conservação de estradas e ruas, saúde, trânsito, segurança e saneamento, dentre outras, devem colaborar no estritamente necessário, sem qualquer gasto, risco ou esforço com rodeios, shows, parques e beberagem.

         Sindicatos rurais, associações de produtores, cooperativas e até produtores isolados podem organizar e patrocinar tais festas, sem verter recursos das tetas públicas. Se os envolvidos na atividade não forem capazes de tal iniciativa, é preferível não realizar tais eventos.

         Alguns municípios, como Barretos e Ribeirão Preto, fazem das festas fonte de atração turística e financeira, em nada parecendo as muitas festas interior afora, que trocam poucos dias de euforia por meses seguidos de penúria, que atinge pesadamente os moradores locais e suas necessidades.

         É hora de rever antigos hábitos, tão perdulários quanto extravagantes, e, agora, também irresponsáveis.

                                                                    pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. 

                 

A excelência da sabedoria | João Antonio Pagliosa
10 de janeiro, 2018

Um pouco de estultícia (esperteza), para a sabedoria e para a honra é como uma mosca morta que o perfumista utiliza para fabricar o unguento que exala mau cheiro.

A estultícia deteriora a honra e macula a sabedoria. Ela é antagônica a sabedoria pois o coração do homem sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o lado esquerdo.

Prezado leitor, não se ausentes quando se levantar contra ti a indignação de pessoas poderosas. Isso já aconteceu comigo, e lembro que o ânimo sereno sempre acalma os grandes opressores.

É comum observarmos pessoas poderosas reservarem altos cargos a tolos e néscios, enquanto sábios são designados a posições inferiores. Situações assim sempre fazem o povo perecer. E sofrem mais, aqueles que menos tem.

Se o ferro possui alguma ferrugem, e não se lhe afia o corte, é preciso multiplicar a força; mas a sabedoria resolve a questão com bom êxito.

Numa conversa informal é fácil observar que as primeiras palavras na boca de um tolo são estultícia, porém as últimas são loucura perversa.

O estulto fala muito, e por muito falar, enreda-se em suas próprias palavras.

A preguiça fará desabar o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa. Porém, ditosa é a casa onde seus membros sentam-se à mesa a seu tempo, para refazerem suas forças, e não para a bebedice.

Nunca amaldiçoes aquele que detém o poder e nem tampouco o rico. Não faça isso nem mesmo no interior de teus aposentos porque as aves do céu poderiam levar a tua voz, e o que tem asas daria notícias de tuas palavras.

Seja sempre pacífico... Aprenda a viver em paz com todos.

 

Praia de Fora, 09 de janeiro de 2018.

João Antonio Pagliosa

Engenheiro Agrônomo

Rouba, mas faz | J. Barreto
10 de janeiro, 2018

ROUBA, MAS FAZ.

Assim, os ademaristas respondiam as críticas ao seu líder, o governador Ademar de Barros:  “róba mais faiz.”  Temos que reconhecer que ele foi um grande progressista, com uma visão superior aos políticos de sua época e deixou um legado em obras que foram o embrião de muitos feitos atuais. 

Naquela época não tínhamos um Joaquim Barbosa e nem um Sérgio Moro e sua equipe da Lava Jato, e tudo ficava nas evidencias e nas conjunturas, sem que houvesse uma prova cabal.  Se ele roubou, como acredito que sim, hoje ele seria um ladrão pé de chinelo ou um corrupto amador, em comparação aos nossos atuais políticos, que não tem um mínimo de senso moral, e nem limite as suas ganâncias, mas que roubam e nada fazem. 

Temos também um ditado bastante antigo, e que hoje é atualíssimo; que diz: “Diga-me com quem andas e direi quem sois.” Em maio de 2016 em um de meus artigos afirmei que não acreditava no Temer, mas que torcia para que o mesmo desse certo, pois minha torcida era e é o Brasil.  Infelizmente minhas dúvidas se confirmaram, e ele desde o início, e até hoje, tornou-se em uma ilha rodeada de corruptos, ladrões e indiciados judicialmente, por todos os lados. Os poucos políticos e as poucas lideranças moralmente ilibadas não encontram espaços neste serpentário, e têm até medo de qualquer aproximação, pois podem ser indevidamente confundidos com os mesmos. 

Não sei quem é pior, o Temer que compra ou esta canalha que se vende em benefício próprio, não importando o que possa acontecer ao Brasil e aos brasileiros, desde que eles levem vantagem.  Hoje temos múltiplas escolhas em quem não votar, e mínimas escolhas em quem votar. Tenhamos muito cuidado ao votar, para não cairmos nas ciladas e votar nas crias daqueles que rejeitamos.

 

JBARRETO  

 P.S.¹: Assisti no Jornal Nacional que o palácio do planalto, contrariando um mandato judicial, irá dar posse no ministério do trabalho, a cristiane brasil, mui digna representante da canalhada, filha do ex presidiário, roberto  jeferson, presidente do ptb.    Isto é um afronta ao povo brasileiro, uma desmoralização a nossa frágil democracia e uma vergonha perante as demais nações.  

 P.S.²: As grafias em minúsculo são propositais, representando o descaso que  merecem.

    

Avenida do Zé | Pedro Israel Novaes de Almeida
04 de janeiro, 2018

A humanidade, velada ou abertamente, sempre buscou o reconhecimento social, e a própria imortalidade.

         O reconhecimento social tem ocorrência quase espontânea, nascida do reconhecimento coletivo de atos ou pensares beneméritos. É um ato de justiça, eterno sobrevivente na memória popular, escritos, quadros, estátuas e transmissão rotineira de cultura.

         A imortalidade não existe. É normalmente confundida com popularidade, sempre circunscrita a lapsos temporais, limites geográficos e grupamentos humanos.

         Eis que a humanidade, repleta de caprichos e quereres, sempre tentou tornar imortais algumas pessoas, pelos mais diversos motivos. Vez ou outra, mas raramente, tenta imortalizar indivíduos beneméritos.

         Dar nomes de pessoas a ruas, avenidas e outros logradouros públicos é um rematado absurdo. A atitude tem o condão de escravizar gerações, obrigando-as a utilizar como referência, no dia a dia, nomes com os quais, ao longo do tempo, foi perdendo o liame histórico.

         Nominar logradouros públicos também é expediente rasteiro para agradar famílias com elevado número de eleitores, ou dar publicidade a partidos, com homenageados de memória vinculada à agremiação.

         Nomes de pessoas conturbam a localização do logradouro, dificultando-a. É comum, ao pedir informações, o cidadão ser informado de que a rua Emengardo Corrupto fica logo após a avenida Cidinha Namoradeira, antes da praça Lindolfo Emanuel Azevedo de Souza Impichado.

         Poderosos de hoje ou ontem podem, no futuro, serem reconhecidos como péssimos cidadãos e políticos desonestos, e não será fácil retirar de placas públicas seus nomes e “boas” referências. Nossos legislativos não costumam ser tão isentos e precavidos.

         Cidades melhor planejadas nominam ruas e avenidas com letras, números e até nomes de pedras, animais, pássaros, plantas, países, estados, cidades, etc. Tal postura elimina o risco de homenagens equivocadas e individualistas, facilitando a orientação geográfica popular.

         É tradição, em populações menos bárbaras, o respeito aos nomes nascidos no seio dos munícipes. Tais nomes possuem significado histórico e já foram assimilados pela população.

         O Largo dos Amores, a rua da Biquinha, a avenida da Boiada e tantas outras  denominações deveriam ser mais respeitadas, e jamais substituídas por nomes de pessoas. É um desrespeito que já vitimou a maioria de nossas cidades e populações.

         A humanidade conseguiu imortalizar o descaso com a impessoalidade. Ainda chegaremos ao tempo em que as escolas, os pátios, as salas de aula e cada porta terão nomes próprios.

         As sanhas e caprichos humanos persistem insaciáveis.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

        

                 

Desumanos |
13 de dezembro, 2017

Não cremos que Deus tenha feito o homem à sua imagem.

         Deus não tem tantos defeitos. Logo no início, bastou uma linda maçã e uma cobra esperta para acabar com o paraíso.

         A humanidade tem seus méritos, mas é sobretudo encrenqueira. Sempre descobre, e exercita, alguma maneira de conturbar o ambiente e gerar infelicidades.

         Os homens divergem, e guerreiam, até pela visão que possuem de seus deuses e céus. A briga entre religiões é surda e muda, mas contínua.

         A humanidade chegou a criar deuses que adoravam o sacrifício de ovelhas e pessoas, e distribuíam graças ao simples verter do sangue de inocentes. Embora repleta de gênios e filósofos, a humanidade fez sua história na supremacia da força, bem mais convincente que argumentos e ideais.

         Nosso passado revela muitas guerras de conquistas, com direito a escravizar vencidos, saquear patrimônios e demolir culturas e tradições. Quando não guerreiam por poder e posses, guerreiam pelo simples prazer de guerrear.

         A humanidade ficou ereta, caminhou, progrediu e tornou-se mandatária, e malversadora, da natureza. Contudo, ainda não conseguiu livrar-se de sua selvagem animalidade.

         Sabemos, a contragosto, que a felicidade é uma sensação passageira, e que os objetivos perdem seus encantos, tão logo alcançados. Vivemos, desde os primórdios, em ambiente infeliz, entremeado por uma ou outra felicidade.

         O dilema atual da humanidade reside na incapacidade de tornar perpétuos os avanços, e passageiros os retrocessos. A escolha de mandatários, nos países onde tal prática ainda é permitida, revela que o espírito público tem, na agigantada maioria das nações, o comportamento de uma torcida de futebol.

         Bons mandatários possuem breves reinados, até pelo fato de sequer cogitarem a perpetuidade no poder. Déspotas e ditadores, honestos e desonestos, fazem de um mandato o passaporte para o mandato seguinte.

         A humanidade é tão selvagem que sequer consegue estar representada nos meandros do próprio poder. Se algum dia dividiu-se em ideais, hoje divide-se em turbas e hordas, entoando hinos a líderes apequenados, com passado e futuro pouco virtuosos.

         Surgem, aqui e acolá, a todo instante, estranhas ideologias e pensares, todos com grande número de adeptos, convergentes no objetivo de escravizar seus semelhantes. Existem até aqueles, ditos terroristas, que explodem cenas públicas pelo prazer de distribuir infelicidades e sobressaltos, mesmo sem conhecer suas vítimas.

         Quando de alguma ocorrência violenta e atroz, ensina a história que não mais devemos proclamar que é desumana. Na verdade, nossas infelicidades são muito humanas.

                                                                    pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.       

Crise amarga | Pedro Israel Novaes de Almeida
07 de dezembro, 2017

Estamos chegando ao fundo do poço.

         A crise chegou às unidades de saúde, a cada dia mais necessárias, em um país onde metade da população sequer conta com satisfatório saneamento básico.

         Nas poucas cidades onde hospital e pronto-socorro funcionam, ainda que precariamente, é possível verificar a firme atuação de voluntários e abnegados, minimizando a falta de estruturas, pessoal e até medicamentos.

         No crônico desencontro entre orçamento e gestão, brasileiros, aos milhões, não conseguem atendimento médico, e cirurgias eletivas viraram um luxo, à disposição de poucos.  Mortes e sofrimentos alimentam as manchetes dos noticiários, e as estatísticas demonstram que vivemos uma situação de guerra, no mais silencioso dos combates.

         O lado cruel da crise reside no fato de serem, as vítimas, cidadãos com menos recursos e pequeno relacionamento social com pessoas influentes. Gestores públicos, dos pequenos aos grandes municípios, experimentam o desafio de eleger prioridades, em ambiente de orçamentos declinantes e necessidades públicas crescentes.

         A disputa pelo agravamento da crise segue célere, alternando omissões e erros dos governos federal, estadual e municipal. Muitos prefeitos, cujas cidades não contam com hospitais e unidades de socorro, despejam pacientes em municípios vizinhos, sem a proporcional colaboração financeira para a manutenção dos serviços.

         Na maioria dos municípios brasileiros, as unidades de saúde andam sobre rodas, com pacientes perambulando em ambulâncias, mundo afora. A crise na saúde é o mais cruel e desumano reflexo dos erros e crimes que marcaram, historicamente, nossas administrações públicas, desde que aqui aportou a primeira caravela.

         O difícil é explicar, a algum cidadão desassistido, que nosso problema nunca foi de incompetência administrativa, mas de desonestidade explícita e crescente.   Em meio ao descalabro, caminhamos ainda sem rumo, ouvindo aplausos e saudações aos aventureiros de sempre, tanto dos que juram amor aos pobres e pernoitam com milionários, quanto dos justiceiros da ordem, nos mais autêntico estilo bedel.

         Em outros países, as crises geraram aperfeiçoamentos e enobreceram a história. Por aqui, por enquanto, apenas vítimas.

         Vivemos um momento em que um grupo de servidores públicos assalariados, encastelados na operação Lava Jato, faz hercúleo e heroico esforço para ao menos punir e desestimular os assaltos ao erário, muitas vezes enfrentando dificuldades no Executivo, Legislativo e Judiciário. Mesmo assim, enfrentam campanhas, tão sórdidas quanto radicais, de achincalhe e descrédito.

         Somos um país soberano, e talvez a crise nos conduza a nação com valores e cultura civilizados, onde a esperteza desonesta não seja saudada como natural e até engraçada. Depende de nós !

                                                                     pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

Teje preso | Pedro Israel Novaes de Almeida
30 de novembro, 2017

A prisão, ao contrário do senso comum, não é um castigo.

         Na verdade, a prisão é uma salvaguarda, para onde são levados, e mantidos, os que representam risco à sociedade. Representa uma medida extrema, para impedir a repetição e continuidade de malfeitos.

         Tão importante quanto a perda da liberdade, é a sua duração, entre nós arbitrada em até 30 anos. Perder a liberdade, para a maioria das pessoas, é como suspender temporariamente a própria vida.

         Cresce, dia a dia, a ilusão de que a prisão destina-se à ressocialização. Na verdade, a ressocialização é uma consequência desejada e até perseguida, mas o objetivo maior do cárcere é a retirada do convívio social.

         Tratando-se de corruptos, a ressocialização é impossível, e voltam sempre a delinquir, tão logo presentes as condições necessárias ao crime. São ineficientes, irrealistas e até cômicas as vedações meramente temporárias ao exercício de cargos públicos e mandatos, consagradas em nossas leis.

         A sociedade ainda entende a justiça como vingança, e se pudesse aplicaria ao matador o dobro das facadas que este aplicou à vítima. É natural e até humano tal entendimento, ainda mais atualmente, quando os linchamentos ocorrem com frequência cada vez maior.

         Não temos pena de morte, prisão perpétua ou trabalhos forçados, e sequer tratamentos cruéis são permitidos. Perdimento da liberdade e patrimônio figuram como penas severas, no âmbito penal.

         Nossa realidade prisional nada tem em comum com os ditames legais que regem a matéria, e na prática ocorre uma estrutura medieval de mandos e desmandos, que vão da pena de morte à escravidão, sempre tendendo ao aumento da reincidência e aliciamento criminal.

         Nossas prisões cultivam o ócio, e são raras as que oferecem chances de trabalho e aprendizado profissional, estes sim, ressocializantes. Algumas religiões e organizações de voluntários têm operado milagres, na contramão do horror dos presídios.

         Se, em alguns cárceres, há desrespeitos, em outros sobejam privilégios, igualmente ilegais, a presos outrora poderosos, principalmente mandatários públicos. O Estado do Rio de Janeiro é o exemplo maior de odiosos privilégios, que persistem apesar das escandalosas manchetes que vez em sempre ensejam.

         Existem prisioneiros comuns em excesso, e ainda poucos os corruptos engaiolados. Existem prisioneiros já aptos ao convívio social, e outros que persistirão perigosos, mesmo após o cumprimento da pena.

         Para discernir a aptidão à liberdade precisamos de um sistema penitenciário que consiga, a um só tempo, ser rígido, tecnificado e sobretudo humano, ainda distante. Saidinhas que geram fugas e vítimas pouco ou nada adiantam.

         Nossas prisões, pelo visto, continuarão sendo um amontoado de presos, caras, ineficazes e geratrizes de mais problemas que soluções.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado. 

          

Como mudar mentes | João Antonio Pagliosa
06 de novembro, 2017

Eis aí uma tarefa assaz difícil, e de extrema complexidade, e que requer habilidade se ambicionamos êxito na empreitada. Mudar mentes depende exclusivamente de quem assume e se conscientiza que pensa e, portanto, age de maneira incorreta.

O primeiro entrave: Ninguém gosta de admitir erros. Vergonha, autoestima ferida, decepção consigo próprio, mágoas, fazem a pessoa procrastinar mudanças, e por isso, sofrem coisas que não precisariam sofrer.

Houve tempos em que eu considerava mudar mentes uma batalha perdida, e dezenove anos atrás escrevi um artigo comentando sobre a imutabilidade da cabeça do homem.

Raciocinava, outrora, que pau que nasce torto morre torto, as mudanças eram superficiais e no cerne, nas suas essências, o homem não mudava.

Embora esteja cercado de provas de que pessoas não mudam suas cabeças, atualmente não penso mais assim. Hoje compreendo que as pessoas podem mudar radicalmente as suas vidas, mas elas precisam se convencer disso, e precisam, principalmente, querer isso. Por quê? No livro de Atos 6 : 6, conhecemos a figura de Estevão, um homem cheio de fé e cheio de Espírito Santo, que fazia prodígios e grandes sinais,  milagres), entre o povo judeu.

Você, leitor, sempre levantará a ira de seus adversários quando mostrar habilidades, sabedoria e sucesso. E estes adversários vão aprontar armadilhas para derrubá-lo. Isso aconteceu também com Estevão.

Os sumo sacerdotes do Sinédrio, (o S.T.F. da época), não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito pelo qual Estevão falava, e então, subornaram pessoas, as quais testemunharam assim: “Temos ouvido este homem blasfemar contra Moisés e contra Deus.”

Pronto, estava armada a armadilha. Estevão foi julgado e todos que estavam no Sinédrio, fitando os olhos naquele apóstolo de Jesus, viram o rosto de Estevão, como se fosse rosto de anjo. Era, prezado leitor, a presença de Deus, naquele fiel servidor.

Sempre menciono que Deus nunca abandona aliados. Ele atravessa os desertos conosco, Ele permanece ao nosso lado quando adoecemos, quando estamos carentes e famintos de tudo e de todos. Ele é fiel, não muda e não quebra os princípios que Ele próprio instituiu.

No transcorrer do julgamento, Estevão demonstra toda a sua sabedoria e confronta os sacerdotes e o povo judeu. Isso está em Atos 7 : 51 e 52, e Estevão diz : “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram os vossos pais, assim também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardaste.”

Ouvindo estas palavras, enfureceram-se os judeus e rilhavam-se seus dentes e arremeteram-se contra Estevão, que pleno do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e viu Jesus, que estava a direita do Pai, e disse; “Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, em pé a destra de Deus.”

Queridos, Deus não abandona seus aliados, e por isso Jesus está de pé e não sentado. E o povo enfurecido, lança Estevão fora da cidade e o apedrejam. As testemunhas deste massacre insano deixam as vestes de Estevão aos pés de Saulo, o cirineu. (o qual se tornaria o apóstolo Paulo).

Enquanto o apedrejavam, Estevão invocava e dizia: “ Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” E ajoelhando-se, enquanto as pedras o matavam, ele clamou em alta voz: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” E com estas palavras, Estevão, adormeceu. Morreu, e cumpriu brilhantemente a sua tarefa. Tornou-se o primeiro mártir da Igreja de Jesus Cristo, após a descida do Espírito Santo.

Prezado, deixe-me dizer-lhe algo: Quando aceitamos Jesus de verdade, nós somos completamente transformados, nós não nos importamos mais com nós mesmos. O nosso próximo é nossa prioridade. O nosso desejo carnal, nós o sufocamos, a nossa alma que é a origem de nossos pecados, nós a dominamos, e alinhamos o nosso querer com o querer de Jesus.

As angústias, as depressões, os pânicos, e todas as confusões psíquicas que atormentam pessoas deste mundo, mundo que lamentavelmente jaz no maligno, são resultados de preocupações com nosso próprio umbigo, com o nosso próprio eu. Cristão que sofre as agruras de mente fragilizada, necessita urgentemente se ajoelhar perante Jesus e clamar pelo seu socorro. Esta é a terapia que funciona! Mudança de mente somente acontecerá quando nos voltarmos para Deus, quando entendermos a nossa pequenez sem a sua presença. E, concomitantemente, a nossa real soberania e extrema competência em tudo que é bom, útil e agradável acontecerá com a presença de Deus.

Aliança com Deus, eis aí, a chave para mudar mentes.

 

Curitiba, 04 de novembro de 2017

 

João Antonio Pagliosa

Engenheiro Agrônomo

www.palestrantejoaopagliosa.blogspot.com.br

Eu, Deus | Pedro Israel Novaes de Almeida
31 de outubro, 2017

Acordei sorrindo, pois havia sonhado que era Deus.

         Ficava acomodado em uma nuvem, trajando branco. Não sentia as agruras da idade, embora contasse com milhões de anos.

         Observava a terra e seus habitantes, e a confusão é tão grande que exige dedicação exclusiva. De uma só costela, fiz milhões de seres, produzidos aos pares.

         Os ímpares foram surgindo naturalmente, obedecendo à estatística de ocorrência que não prejudicasse a reprodução da espécie.

         Muitos humanos duvidavam de minha existência, alegando que, se de    fato existisse, não haveria tantas injustiças e sofrimentos. Acontece que não era o único a ter poderes, e lutava constantemente contra aquela entidade nefasta, que adora o inferno e vive tentando, com algum sucesso, atrair adeptos.

         A terra andava repleta de templos, nenhum oficial, em minha homenagem, e cidadãos que diziam ter procuração para falar em meu nome. Alguns pediam colaborações as mais diversas, mas jamais havia recebido uma só das tantas ofertas que arrecadavam.

         Recebia milhões de pedidos, diariamente. Muitos queriam ganhar na loteria, alguns pediam para o Corinthians ser campeão, e muitos carecas imploravam por cabelos, mas até os milagres têm limites.

         Um importante presidiário agradeceu por haver impedido que fosse a um presídio federal, mas isso não foi obra minha, e com certeza foi mais um malfeito daquele outro poderoso.

         Recebi uma montanha de pedidos, para que Lula e Bolsonaro não fossem eleitos. Algumas cartas pediam que providenciasse algum raio poderoso, para cair sobre o Congresso Nacional. Resolvi não intervir, mas pretendia dar uma ajudazinha, na hora certa.

         Nunca tive preferência por credos, e estranhei a maneira como complicavam minha figura e doutrina. Minhas leis estavam claramente escritas na tábua, e fáceis de serem seguidas, à exceção daquela que impede a cobiça à mulher do próximo, principalmente quando o próximo estiver distante.

         Havia feito um mundo perfeito, com animais, plantas e paisagens maravilhosas. Para quebrar a monotonia, algumas tempestades e terremotos refaziam a cena, quando se tornava muito humana.

         Deve ter faltado algum ingrediente, pois uma só costela não foi suficiente para gerar populações que soubessem aproveitar tudo o que havia criado. Por obra do outro poderoso, começaram as guerras, as mortes, as afrontas à natureza e o desrespeito a outros animais e aves.

         Começaram a eleger os mais desonestos, e a intolerância imperou. Agora que a confusão foi armada, resta esperar que saiam da crise pelos próprios meios.

         Suspendi o recebimento de pedidos e a feitura de milagres. Quando acordei, estava cansado. Ser Deus, ainda que em sonho, não é fácil.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

Eu, morto | Pedro Israel Novaes de Almeida
25 de outubro, 2017

Foi, de fato, um pesadelo.

         Sonhei que havia morrido. Ao contrário de tantos, o velório contou com apenas uma viúva, que chorava copiosamente.

         O idiota da funerária não retirou os espinhos, antes de lotar o caixão com ramos de roseira, e só não xinguei por estar morto. Os filhos sequer demonstraram qualquer interesse em herdar a botina, a piteira e o golzinho 2002.

Compareceram os abutres de sempre, dizendo à família que eram meus credores. Foram rechaçados pelo simples fato de que um finado tão pão-duro jamais contrairia tantas dívidas.

Faísca, em crise nervosa, acabou internada em uma clínica veterinária, até que a justiça resolva quem será seu novo tutor. Por testamento, tem direito a uma pensão, que mais parece hotel.

Notei a quase absoluta ausência de políticos, no velório. A família é pouco numerosa, e não estávamos em período eleitoral, indicativo de que jamais seria nome de rua.

Executivos sequer mandaram representantes. Temer, por estar ocupado tentando ficar, e Alckmin ocupado tentando ir.

Enquanto o velório seguia, com farta distribuição de café e água, fechamento de negócios e muitas fofocas, fui abduzido a uma nuvem, onde um velhinho barbudo olhava e sorria, sem fazer qualquer pergunta.  Tentei o diálogo, e disse que era oriundo do Brasil, tentando inspirar alguma comiseração ou até mesmo algum perdão.

O velhinho era, antes de tudo, um chato, e apenas sorria. Como sabia de tudo, nada tinha a perguntar ou a responder.

Surgiu, por entre nuvens, um sujeito de branco, com cara de comissionado, dizendo que eu deveria agradecer por não estar na terra, na campanha eleitoral de 2018. Avisou que não mais precisaria trabalhar, buscar inspiração para o sexo, discutir com o chefe, reclamar do salário, fumar, comer, beber, ir ao banheiro, e que não sentiria frio nem calor.

Jamais imaginei que o céu fosse tão monótono e entediante. Soubesse, teria aprontado poucas e boas.

Tentei, por entre nuvens, bisbilhotar a vida da viúva, ou sondar a intimidade da filha do vizinho, mas não permitiram. Tentei saber se os filhos haviam descoberto a caixinha onde guardava moedas, mas tudo era proibido.

O comissionado voava de nuvem a nuvem, aparentando estar trabalhando, mas era pouco convincente. Tentei perguntar da Lava Jato, da Coréia do Norte e da Venezuela, mas disseram que eu devia esquecer as coisas da terra, e ficar tranquilo, só vendo a paisagem.

Estava inconformado, já estudando alguma forma de ressuscitar, quando fui acordado pela ação certeira do diurético, obrigando a mais uma caminhada.  Feliz, voltei a dormir, e resolvi aproveitar a falta de assunto, na semana, para relatar o sonho, para infelicidade dos leitores.

                                                        pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.   

Amor à cidade natal | João Baptista Herkenhoff
24 de outubro, 2017

Não pretendo com este texto exaltar minha terra natal, em detrimento de outras cidades do Brasil. Apenas a terra que eu amo é a terra onde nasci, como outros amam o respectivo torrão de nascimento.

Talvez o sentido maior da iniciativa de publicar este texto fora das fronteiras do Meu Pequeno Cachoeiro, seja estimular, principalmente nos jovens, o bairrismo. Ninguém ama a Grande Pátria se não amar primeiro a Pequena Pátria, aquele pedacinho de chão que recebeu nossos primeiros passos.

Cachoeiro de Itapemirim realiza, desde 1939, uma celebração que se chama Dia de Cachoeiro, sempre no Dia de São Pedro, vinte e nove de junho.

Cachoeiro foi a primeira cidade brasileira a ter um dia dedicado ao acolhimento dos filhos que se afastaram, em busca de trabalho e pão, essa busca que alimenta nossas lutas, como escreveu o Padre Antônio Vieira num dos seus sermões.

O autor da ideia de criação do Dia de Cachoeiro foi o poeta Newton Braga, cujo centenário de nascimento foi celebrado em 2011.

Por ocasião do Dia de Cachoeiro é escolhido, democraticamenrte, com amplo debate público, o Cachoeirense Ausente Número Um.

O “Cachoeirense Ausente Número Um” deve ser o espelho do que há de mais nobre na alma cachoeirense.

Quem não é iniciado nas coisas de minha terra pode não entender muito bem o que estou dizendo. Perguntará com razão: Existe mesmo uma alma cachoeirense?

Para alcançar o sentido do que seja a alma cachoeirense é necessária uma incursão pelos caminhos da Antropologia, da História e da Poesia.

Antropologia, etimologicamente, deriva do grego e significa "estudo do homem".

A Antropologia Cultural ou Etnologia estuda as criações do espírito humano, que resultam da interação social, como notou Emídio Willens. Essas criações desdobram-se em conhecimentos, ideias, técnicas, habilidades, normas de comportamento, hábitos adquiridos na vida social e por força da vida social.

Como observa Naylor Salles Gontijo, a Antropologia, por encerrar um sentido de totalidade, pode revelar informações completas das caraterísticas biológicas, culturais e sociais do homem.

É com a lente do antropólogo que podemos entender o que é a alma cachoeirense.

Essa alma cachoeirense é tão intensa e profunda que Rubem Braga escreveu: “modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.”

O grande Rubem não disse: modéstia à parte eu sou o curió da crônica; modéstia à parte eu sou considerado o maior cronista deste país; modéstia à parte eu elevei a crônica de seu modesto espaço marginal para a condição de gênero literário de primeira grandeza. Rubem Braga compreendeu que mais importante do que tudo isto era mesmo afirmar: modéstia à parte eu sou de Cachoeiro de Itapemirim.

A alma cachoeirense tem várias características que a singularizam:

a) é marcada pela auto-consciência, ou seja, ninguém precisa demonstrar ao cachoeirense que ele tem uma alma própria; só é necessário argumentar neste sentido para provar aos não cachoeirenses a existência de uma alma cachoeirense;

b) é solidária, ou seja, cachoeirense quando encontra outro cachoeirense, em qualquer Estado da Federação, em qualquer país do mundo, reconhece no conterrâneo um irmão; milhares de cachoeirenses podem dar este testemunho;

c) a alma cachoeirense é totalizante, ou seja, coloca a condição de ser cachoeirense acima de diferenças religiosas, políticas ou ideológicas, o que ficou provado quando, em tempos de ditadura no Brasil, cachoeirense politicamente proscrito compareceu, em segredo, a sepultamento de ente querido, em Cachoeiro, protegido pela fraternidade dos conterrâneos, de modo a não ser preso.

Venha agora em socorro de nossa tese o testemunho da  História.

A alma cachoeirense foi talhada através do tempo. Figuras ilustres e figuras modestas do passado construíram esta alma.

Na política, Jerônimo Monteiro, talvez o maior Governador do Estado do Espírito Santo, nasceu em Cachoeiro.

Nas artes são cachoeirenses astros como Rubem Braga, cronista, e Newton Braga, poeta, já citados, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Carlos Imperial, Levino Fânzeres, Luz Del Fuego, Raul Sampaio Coco, Jece Valadão.

Também cachoeirenses anônimos, que não são nome de rua, colocaram seu tijolo na edificação da alma cachoeirense.

Cachoeiro de Itapemirim esteve presente em todos os grandes momentos da vida nacional: Independência do Brasil; Abolição da Escravatura; Proclamação da República; Revolução de 30 (albores do movimento, não o desdobramento que desembocou no Estado Novo); exploração nacional do petróleo; anistia ampla, geral e irrestrita; convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

Também a Poesia ajudou a plasmar a alma cachoeirense, exaltando nossas belezas, interpretando nossos sentimentos, através de poetas como Benjamin Silva, Narciso Araujo, Frederico Augusto Codeceira, Solimar de Oliveira, Evandro Moreira, João Mota, Marly de Oliveira, Nordestino Filho, Paulo de Freitas, Athayr Cagnin e muitos outros.

O Cachorense Ausente Número Um deve ser alguém que seja titular de todas as características da alma cachoeirense. Tem de ser alguém que não esqueceu sua cidade natal, conserva na retina a imagem do Itabira (a pedra-símbolo da cidade). Se, por acaso, veio a ser famoso e nacionalmente reconhecido, o vozerio da notoriedade não pode calar no seu tímpano o doce murmúrio das águas do Rio Itapemirim.

 

João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), professor, escritor, palestrante e, acima de todos os títulos, cachoeirense. Tem proferido palestras e ministrado seminários em faculdades, seccionais da OAB, igrejas etc.

Site: www.palestrantededireito.com.br

E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com

 

É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

Eu, presidente | Pedro Israel Novaes de Almeida
18 de outubro, 2017

Ainda não sei se foi sonho ou pesadelo.

      Em plena madrugada, desceu um helicóptero em meu quintal, e um grupo de senhores, sisudos, anunciou que me levaria a Brasília, pois havia sido escolhido Chefe Supremo da Intervenção.

      Tentei explicar que nem terno eu tinha, e meu único sapato social estava com a sola furada. Disse, ainda, que jamais estaria separado de Faísca, ainda menina e recém castrada.

      Argumentos nada resolveram, e horas depois aterrissamos na capital Federal. Faísca, já com ar de autoridade, escolheu a melhor poltrona do gabinete, e rosnava a cada visita que parecesse oposicionista.

      Fui ao terraço, julgando que era proibido fumar no palácio, e lá encontrei Temer, que gritava “traidor”. Na calçada, Dilma estava indignada:-“Você é pior que o golpista”.  Ambos foram recolhidos a um centro de ressocialização.

      Mantive intacta a equipe econômica, e baixei um decreto declarando inelegíveis, por 20 anos, todos os que ocuparam cargos eletivos, entre 2003 e 2017, incluindo presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores. Extingui metade dos cargos comissionados, e só mantive os que eram ocupados por pessoas de Avaré, Piraju ou Itapetininga.

      Na manhã seguinte, as manchetes anunciavam, com estardalhaço, o primeiro escândalo do novo governo: Faísca havia aceitado um osso, presente de um político veterano, em sociedade com um grande empreiteiro de obras públicas. Soube, no mesmo dia, que ela havia enterrado o osso nos jardins do palácio, e conclui que não houve crime, pois o osso estava incorporado ao patrimônio público.

      Acabei com o instituto da reeleição, e baixei outro decreto, possibilitando a cassação do mandato do prefeito cujo município não prestasse integral atendimento à saúde da população. Em caso de culpa do governador, seria ele o cassado, e não o prefeito.

      Emendei a legislação do Foro Privilegiado, mudando para Foro Apressado, com urgência na tramitação de denúncias. Dei prazo de 60 dias para que ministros do judiciário devolvam processos a que tenham vistas.

      Mudei o horário de cumprimentos de mandados, pela polícia, das 6:00 para as 9:00 horas, proibi a raspagem compulsória de cabelos dos prisioneiros e instituí o banho quente e todos os estabelecimentos prisionais. Em contrapartida, acabei com as saidinhas e encontros íntimos.

      Em uma semana de governo, manifestações já pediam “Fora Pedro”, e “Fora Faísca”, mas recebi emocionadas manifestações de apoio de todos os comissionados que não havia demitido.

      As refeições, no palácio, eram horríveis, pois não tinham bolinho de arroz, língua de vaca, banana frita, moela de frango, palmito, torresmo e costela gorda. Não entendia uma linha sequer dos rótulos dos vinhos que eram servidos.

      Levaram, ao gabinete, a nova constituição, para que assinasse. Pedi um ano para ler, mas o Alto Conselho negou. Pensei em renunciar, mas acordei, com vontade de ir ao banheiro.  

                                         pedroinovaes@uol.com.br

      O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

         

Mentiras que incomodam bastante | João Antonio Pagliosa
08 de outubro, 2017

Nossos políticos populistas fabricam muitas mentiras. Destaco as mais

nefastas e posiciono meu entendimento sobre cada uma delas:

Dizem que pessoas ricas odeiam ver pobres viajando de avião... Bom, eu

não sou rico porém, não conheço nenhum rico que pensa dessa maneira.

Apenas insanos não apreciam ver pessoas pobres viajarem de avião.

Dizem que o grande problema do Brasil é a desigualdade na distribuição

das riquezas... Bom, o grande problema do Brasil, na verdade, é a

pobreza. Um PIB de R$6,23 trilhões é muito baixo para uma população de

207 milhões de pessoas e nós precisamos aumentar nosso volume de

riquezas. Isso só é possível trabalhando mais e melhor, pois discursos

não geram riquezas.

Dizem que para alguns enriquecer, outros precisam empobrecer... Bom,

isso é uma das mais perniciosas mentiras, e um mito dos populistas que

gostam de jogar ricos contra pobres e vice-versa. Bill Gates como

tantos outros inovadores, enriqueceram, tornaram pessoas ricas e

melhoraram a vida de bilhões de pessoas sem empobrecer ninguém. Uma

boa ideia com determinação e tenacidade, gera riquezas sempre.

Dizem que o aumento de impostos gera aumento na arrecadação do

governo... Bom, isto é correto até um determinado ponto, depois a

arrecadação tende a cair porque o excesso de tributos é ruim para os

empresários, para os consumidores, para a economia em geral, e para o

próprio governo. A "curva de Laffer" explica isso muito bem.

Dizem que a política do nós contra ele precisa agigantar-se e

prevalecer sempre... Bom, essa ideologia é de uma burrice atroz e

afianço que não há nenhum progresso decente e digno nessa linha de

raciocínio.

Pare para pensar: É o uso harmônico de diferentes competências que

torna a vida próspera, saudável e feliz para todos. As pessoas se

complementam e devem dar o melhor de si em prol do bem comum. Pensar

fora disso é egoísmo puro!

Estamos vivendo um tempo de resgatar princípios e valores, e creio que

o exemplo dos super ladrões Joesley e Wesley Batista seja suficiente

para demonstrar que honestidade nos negócios e na vida, é primordial.

É condição "sine qua non"!

Dizem que bilhões de reais precisam ser direcionados ao Fundo

Partidário porque isso salvará nossa democracia... Bom, os partidos

políticos queriam R$3,5 bilhões de verba pública para financiar suas

campanhas para as próximas eleições, e acabaram levando R$ 900

milhões. Ainda assim é um escárnio e um tapa na face daqueles que

pagam impostos... Com milhões de desempregados e a violência crescendo

a níveis inimagináveis, gastar dinheiro assim, é prova inconteste que

político no Brasil, não tem mesmo vergonha na cara!

Curitiba, 07 de outubro de 2017

João Antonio Pagliosa

Engenheiro Agrônomo

 

 

Uma fala óbvia | Pedro Israel Novaes de Almeida
06 de outubro, 2017

As palavras de um General, aventando a possibilidade de uma intervenção militar, tumultuaram as redes sociais e o ambiente político.

         São milhões os brasileiros que clamam por uma intervenção, cansados da crise ética, econômica e social que atravessamos, e já sem esperanças de que o mundo político, contaminado, consiga encontrar soluções de curto e médio prazos.

         É grave a situação nacional, e ouvimos, diariamente, notícias de escândalos envolvendo altas figuras da república, alternando Executivo e Legislativo, e contando também, aqui e acolá com membros do Judiciário.

         Os escandalosos persistem poderosos, e usam tal poder para tentar impedir que a Lava Jato continue desvendando ilícitos e proporcionando oportunidades de punição. Tentam, sempre, a edição de leis que atenuem investigações e punições, e não perdem uma única chance de atrapalhar o bom funcionamento das instituições.

         A Justiça, morosa, não consegue afastar do poder corruptos, na rapidez desejada, enquanto expedientes protelatórios seguem sendo interpostos. Na cena, surgem juízes da primeira instância já saudados como heróis, pela celeridade processual e objetividade de sentenças.

         A delação premiada, de abrangência e praticidade tardiamente percebida pelos vendilhões da pátria, segue instrumentando investigadores e acusadores. A iminência de um longo período recluso, a absoluta incapacidade de socorro pelos amigos ladrões, ainda soltos, e a insistência da família, são fortes indutores da delação.

         Existe, sempre, o risco de tentativas de sabotar o instituto da delação, por modificações em textos legais ou na exploração espetaculosa de um ou outro caso isolado que possa desacreditá-lo.

         Desemprego, crescente insegurança, falência dos sistemas de saúde e educação e até o não pagamento de salários são algumas das consequências que a rapinagem dos recursos públicos acarreta à população.

         No contexto, a intervenção militar surge como solução emergente, rápida e moralizadora, aos olhos da população. Todos sonhamos com um herói justiceiro, montado em cavalo branco, esgrimindo justiça e açoitando a desonestidade e falta de compostura.

         O General, disse que, se a situação for agravada, e as instituições sucumbirem, o caos somente poderá ser solucionado por uma intervenção militar. Foi dito o que, em coletivo e ruidoso coro, entoamos.

         Confessou, o General, a dificuldade de tal ação, extremamente complexa e geradora de consequências as mais diversas, sempre acautelando a preservação da hierarquia militar, na eventual tomada de tal decisão.

         O General, neto, filho, pai e marido, não foi insubordinado, e apenas respondeu, com  sinceridade, uma pergunta feita em ambiente amistoso. Não incentivou qualquer desrespeito à hierarquia, nem conclamou seus pares a um eventual levante.

         Desconheço os meandros normativos da carreira militar, mas não tenho qualquer reparo ou condenação à fala que tanta celeuma provocou.

                                                                  pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.    

Diversidade e respeito | Pedro Israel Novaes de Almeida
12 de setembro, 2017

Uma mostra de arte, promovida por um banco, em Porto Alegre, foi fulminada pela reação indignada de internautas, nas redes sociais.

         Obras que insinuavam cenas de pedofilia, zoofilia e desrespeito a símbolos religiosos provocaram reações indignadas. Os defensores da mostra denunciaram a ocorrência de censura, conservadorismo e intolerância com a diversidade.

         Faltou, à mostra, prévia informação quanto ao conteúdo de algumas obras, vistas até por crianças. Sobrou, à mostra, o absurdo de haver sido objeto de incentivo fiscal, oficialmente chancelada.

         As manifestações artísticas são ricas em diversidade, e respeitadas, mas não gozam de plena liberdade. Naturalistas e nudistas não são bandidos, mas não podem desfilar pelados interior afora.

         Praias de nudismo e eventos localizados permitem a prática de nudismo, vedada em locais de uso do cidadão comum. Ocorre, na verdade, uma censura, muitas vezes consequência de tipificação penal.

         A sociedade é, predominantemente, conservadora e religiosa, e tal realidade não pode passar despercebida aos olhos dos que, pelas mais diversas vias, tentam afrontá-la, conscientes ou não. O respeito à diversidade envolve também o respeito e o reconhecimento de valores secularmente incrustados na população.

         Existem cenas que chocam, deseducam e causam indignação, motivo da instituição de faixas etárias, para acesso a tais manifestações, sejam teatrais ou não. A censura, não política, exercida com civilidade e transparência, é uma defesa da sociedade, na preservação de seus valores.

         Qualquer de nós pode fazer o que bem entender, desde que em locais e horários convenientes. No Brasil, a intolerância frequenta todos os espectros do pensamento e manifestação humanas.

         Existem pessoas que, absurdamente, declararam guerra a Nossa Senhora, mas não se atrevem a macular a imagem, em público. Embora diversificadas, as religiões operam em ambientes e horários próprios.

         Muitos artistas e radicais inovadores manifestam, em público, o que omitem no cenário familiar. Quadros que retratam cenas de pedofilia, zoofilia e ofensas à fé alheia, frequentam, festejados, salões e mostras de arte, mas raramente são vistos na sala da casa do autor.

         Amantes de sons ensurdecedores não costumam reproduzi-los no ambiente familiar, preferindo incomodar ouvidos e sonos alheios. Existe algum cinismo na aparente irresignação, frente a alguma repreensão social.

         A arte é livre, tão livre quanto as opiniões discordantes. Ninguém pode ser obrigado a concordar e presenciar manifestações com as quais não concorda.

         A diversidade requer tolerância e respeito, de ambos os lados. Nossa sociedade continuará, por séculos, conservadora e religiosa, e tem sido, até estranhamente, tolerante e respeitosa.

                                                                      pedroinovaes@uol.com.br

         O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.       

Intimidade | João Antonio Pagliosa
11 de setembro, 2017

Apenas pessoas muito íntimas nos conhecem, e mesmo assim, elas sabem só um pouquinho de nosso eu interior.  Pessoas julgam outras pessoas com muita facilidade, e julgam sem conhecer quase nada sobre suas vidas. Julgam de forma muito
irresponsável, e não aquilatam as mazelas que causam.

Entretanto, mesmo conhecendo com intimidade, sempre é assaz difícil fazer julgamentos porque aquilo que sabemos sobre algo ou sobre alguém, é apenas parte da verdade. É preciso pois, prudência. Além do que, poucas vezes, nos compete julgar.Salmos 25:14 nos diz que a intimidade com Deus é para os que o temem, isto é, para os que o levam a sério, ouvem a sua palavra, e cumprem-na à risca.

O nosso senso de justiça não passa de  trapos de imundície, e não podemos julgar aqueles que não tem a nossa fé. Conhecer a Deus é busca constante. E lamentavelmente muitos que o conhecem o abandonam na primeira dificuldade. Isso é resultado de um
fé inconsistente. Isso é resultado de nenhuma intimidade com Deus.

Deus nos corrige quando erramos. A consciência nos acusa quando fazemos coisas erradas, não é assim? Nós precisamos corrigir nossos filhos e as pessoas que nos são íntimas, da mesma forma que Deus nos corrige. Mas, é preciso respeitar posicionamentos, e nossas admoestações precisam ser feitas em amor, de forma suave, e principalmente, sem ferir sentimentos.

Uma frase martela minha cabeça há alguns anos: "Nada e nem ninguém me fará perder o céu." Eu a aprendi com meu pastor, e quando sou tentado a pecar, eu me lembro dela... E a tentação vai embora. Depois de entender o sacrifício da cruz, jamais poderemos abandonar Jesus! Porque Jesus jamais o abandonará! E, carne e sangue não entrarão no reino de Deus, mas nosso eu interior precisa ser bem alimentado e isso tem um preço. Exige oração, joelho
dobrado, oração, meditação, jejum, sacrifício, amor ao próximo. Exige a busca do Senhor, porque é ele que nos adestra, e é ele que é luz para nossos pés.

E nos precisamos viver de obras porque são as ações que movem e modificam o mundo. As ações em prol do próximo dignificam o cristão e a fé sem obras, é morta. Muitos temem o amanhã, principalmente nesta crise econômica onde as pessoas não se dão conta que entramos neste mundo sem nada, e que deixaremos tudo quando sairmos desta vida terrena. Preocupar-se por que, se eu tenho Jesus? Eu preciso me preocupar em acumular tesouros no céu, e eu só poderei acumular estes tesouros se eu amar a Deus sobre todas as coisas, e se eu amar a meu próximo como amo a mim mesmo. Porque a única coisa que poderemos levar aqui da terra, serão vidas. Nada além de vidas chegarão ao céu... Ou ao inferno... Porque não há um terceiro endereço. É pesado, mas é real! Porque os mortos não morrem...

Haverá uma eternidade com Deus, ou uma eternidade com Satanás. Esteja preparado, pois ninguém sabe nem o dia e nem a hora! Não se apegue a seus bens... Doe tudo aquilo que você possui e não utiliza e nem lhe fará nenhuma falta.

Deus perscruta o seu coração e TODAS as suas boas ações acumularão riquezas no céu. Isso é bíblico. E ao alcançar intimidade com Deus, sua vida será uma delícia... Uma paz deveras difícil de descrever. Com amor cristão.

João Antonio Pagliosa

Toledo, 06 de setembro de 2017


 

Más notícias | Pedro Israel Novaes de Almeida
07 de setembro, 2017

O país está, literalmente, podre.

         Grandes empresários e políticos da pior espécie uniram-se para roubar, descaradamente, nosso futuro, tornando piores as carências do presente. Já não acreditamos que seremos, em algum futuro, o país do futuro.

         As instituições ainda confiáveis lutam, desesperadamente, para impedir que membros pouco éticos consigam conduzi-las à inoperância e leniência. Os descalabros e absurdos deixaram de justificar manchetes e causar apreensões, para integrarem nosso dia-a-dia.

         A onda de violência somou-se à falência da saúde pública e crescente esgotamento de nosso sistema educacional. Milhões seguem desempregados, e já não apresentam qualquer ânimo, mesmo com as eventuais e esporádicas notícias de algum respiro em nossa moribunda economia.

         Autoridades executivas e políticas, mais preocupadas com o pleito de 2018 que com os 200 milhões de espectadores, seguem anunciando comedidas economias, ao tempo em que persistem agigantando despesas e gastos nababescos.

         A política deixou de ser solução, e enquanto perdurar a insensibilidade e desfaçatez, resta-nos a humilde e pouco acreditada esperança de mantermo-nos como aparente civilização, até que um sopro de consciência coletiva, vindo do além, resulte na eleição de pessoas com o mínimo de ética e vergonha, nas próximas eleições.

         Desesperados, ainda nutrimos, agora revigorada, a esperança de que surja um ditador honesto, castigando sem piedade nossos vendilhões. A honestidade dos ditadores costuma ser passageira.

As únicas notícias animadoras surgem logo pela manhã, quando os jornais televisados anunciam que a Polícia Federal está, de novo, nas ruas. É reconfortante ver celebridades serem aprisionadas, por funcionários públicos que nada recebem, além do salário e desencantos.

Somos, hoje, um povo enraivecido, e só conseguimos sobreviver graças ao que restou de nossa histórica insistência e capacidade de convivência. Ainda conseguimos sorrir, e fazer dos infortúnios piada.

Nossas polícias, que matam e morrem, persistem intimidadas, cada vez mais acuadas por legislações que privilegiam pessoas, não sociedades. Nossos cárceres lembram o tempo das cavernas, sob a tutela de prisioneiros.

Estamos, a cada dia, mais intolerantes. Parece piada, mas passamos séculos dizendo que Deus é brasileiro.

                                                        pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.