Diretor da P1 estaria se beneficiando com escoltas da PM

Diretor da P1 estaria se beneficiando com escoltas da PM Fonte da Foto: Divulgação

Viaturas da Polícia Militar, que poderiam estar sendo usadas para atender a população, estariam sendo “desviadas” de sua função para realizar escoltas pessoais do diretor geral da penitenciária “Dr. Paulo Luciano de Campos”, a P1 de Avaré, Gilson Gomes Jardim. A denúncia foi recebida pelo jornal A Voz do Vale nas últimas semanas e apurada juntamente a policiais militares, que preferiram não se identificar. A denúncia foi apurada e publicada com exclusividade pelo jornal A Voz do Vale, na edição de hoje, 10 de março.

A realização de escoltas pessoais ao diretor geral da P1 é confirmada, até mesmo, pelo comandante da PM em Avaré, Tenente Coronel Luiz Cézar.

Segundo informações levantadas pelo A Voz do Vale, a situação acontece há mais de 9 anos e era mais freqüente quando o agora vereador Coronel Cesar Augusto Morelli era um dos comandantes da policia militar no Estado de São Paulo, e morava em uma das casas destinadas a diretores da P1.

Jardim e Morelli, aliás, são alvos de uma ação movida pela Procuradoria Geral do Estado por causa do período em que o vereador morou em uma das casas, com consentimento do diretor, sem estar trabalhando diretamente em Avaré.

A ação, de improbidade administrativa, afirma que Jardim e Cesar Morelli tiveram uma conduta irregular entre janeiro de 2010 e agosto de 2015. Entre janeiro e agosto de 2015, o vereador, inclusive, chegou a morar na residência mesmo tendo se aposentado da PM.

A PGE pede o ressarcimento aos cofres públicos no valor de pouco mais de R$ 100 mil, referente a chamada per capita (alimentos) que Morelli recebeu no período e o aluguel do imóvel, localizado praticamente no centro de Avaré.

Segundo informações repassadas ao A Voz do Vale, neste período as escoltas pessoais a Jardim eram ainda mais frequentes, chegando a haver uma viatura 24 horas por dia a serviço do diretor geral da P1.

Policiais Militares narram que, neste período, teria existido escolta para o diretor até mesmo em compromissos pessoais, como viagens a sua cidade natal, compras em lojas de departamento de Avaré, festas religiosas, almoços em família no Costa Azul e restaurantes.

Estas escoltas teriam diminuído quando Morelli saiu da casa, porém, continuam até hoje e, de acordo com o Tenente Coronel Luiz Cezar, enfrentam resistência até mesmo da sua parte. “Em alguns momentos, estas ações são sim necessárias, já que o Jardim é diretor da segunda penitenciária mais perigosa do Estado, porém, acontecem situações como ele pedir que policiais o acompanhem a igreja e, neste caso, já deixei claro, não é escolta VIP. Atualmente a P1 é o que chamamos de área de interesse de segurança pública e existe um ponto de estacionamento de viatura no local”, afirma.

De acordo com policiais ouvidos pelo jornal A Vozo do Vale , Avaré conta com apenas 2 viaturas para atender a população (chamadas Ocorrências) e, por vezes, uma delas é obrigada a ficar “a disposição” do diretor geral da P1. A informação de que a cidade conta com apenas 2 veículos para este fim é negada pelo comandante da PM.

Com relação aos períodos de escolta a Gilson Jardim, Cezar afirma em que elas acontecem em épocas consideradas críticas pela polícia. “Existem sim ameaças contra ele e, depois da descoberta de um túnel no ano de 2009, há sempre um fantasma com relação a P1, já que esta penitenciária abriga o 1° e o 2° escalão de uma facção criminosa. Então, quando o Serviço de Inteligência detecta períodos de instabilidade, a penitenciária se torna um ponto de estacionamento, mas não existe ordem para o que eu chamo de escolta VIP”, diz.

De acordo com o Tenente Coronel, muitas vezes estas ordens vem de seus superiores e a PM de Avaré é obrigada a acatar. “Às vezes até nós ficamos indignados com isso, porém, há informações que muitas vezes não podem ser repassadas por questões de segurança não só do Jardim, mas da própria PM”, ressalta.

Luiz Cezar afirma que, desde que ele assumiu o comando do Batalhão de Avaré, em junho de 2016, não houve mais longos períodos de escolta ao diretor da P1. E para evitar mais problemas com relação a este assunto, o comandante da PM de Avaré afirma que nunca aceitou morar nas casas da penitenciária.

Por lei, o comandante da polícia de Avaré tem direito a morar gratuitamente no local.

“Eu nunca concordei com isso, quando assumi me ofereceram uma casa no local, mas recusei. Sei que posso, mas acho que não devo”, revela o Tenente Coronel. Para ele, morar em uma das residências pode criar um vínculo maior para que haja escoltas nas redondezas 24 horas por dia.

Durante conversa com a reportagem do jornal A Voz do Vale, por várias vezes, Luiz Cezar afirma que estas escoltas acontecem por ordens superiores a ele, ou seja, do comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Segundo Cezar, no período do carnaval, após o assassinato de 2 lideres da facção criminosa que domina a P1, houve a necessidade de ser fazer da penitenciária “um ponto de estacionamento”. “Nesta mesma época, o Jardim pediu para alguns policiais o acompanharem até uma missa, porém, isso não deve ser feito. A escolta não é VIP e nem para compromissos pessoais dele, mas profissionais”, destacou Cezar deixando claro que os policiais não deveriam ter atendido a solicitação do diretor.

Luiz Cezar garante que em momento nenhum a população de Avaré deixou de ser atendida por causa destas escoltas ao diretor geral da P1, no entanto, policiais ouvidos pelo jornal afirmam que, quando isso acontece, a cidade fica “descoberta”, já que apenas uma viatura fica a serviço das ocorrências.

O estranho que é que Avaré é cercada por penitenciárias e vários diretores, mas, somente Jardim vive em vias de ameaças.

A reportagem tentou falar com Jardim, porém, funcionários da Secretaria de Administração Penitenciária só podem se manifestar através da assessoria de imprensa da SAP, e até o fechamento desta edição a pasta não havia respondido os questionamentos do jornal.

O vereador Coronel Cesar Morelli também não foi encontrado para comentar o assunto. O Tenente Coronel Luiz Cézar diz que “recebe ordens superiores” para que escoltas aconteçam.

Veja Também