Energia hidrelétrica: como o clima interfere na geração de energia elétrica?

Energia hidrelétrica: como o clima interfere na geração de energia elétrica? Fonte da Foto: Somar

Nos últimos anos, os brasileiros se depararam com os termos bandeira tarifária amarela e bandeira tarifária vermelha na conta de luz, que são taxas relacionadas à geração de energia hidrelétrica e afetam o preço do serviço.

A razão desses valores tem a ver com as chuvas nos reservatórios que abastecem as usinas brasileiras. Para compreender porque são necessárias, é importante entender como funcionam essas usinas e como o clima interfere na geração de energia no Brasil.

Neste artigo, explicaremos melhor por que o Brasil tem tantas usinas hidrelétricas e a importância do clima na geração de energia no país. Confira!

Por que o Brasil tem tantas Hidrelétricas? Responsáveis por quase 80% de toda a eletricidade gerada no país, as usinas hidrelétricas dominam a matriz energética brasileira. É um modelo de geração de energia limpa e segura, que demanda investimentos modestos em relação aos sistemas que predominam em outras nações.

O potencial dos recursos hídricos brasileiros para geração de energia é o terceiro maior do mundo, atrás apenas de China e Rússia, que são países com territórios maiores. Para se ter uma ideia, mesmo com tantos investimentos no setor, apenas aproximadamente 25% desse potencial é explorado.

A primeira hidrelétrica brasileira foi fundada há mais de 120 anos, no Rio Paraibuna, em Minas Gerais. Com turbinas importadas dos Estados Unidos, o empresário do setor têxtil Bernardo Mascarenhas abraçou a tecnologia depois de conhecê-la em 1878, na Exposição Universal de Paris.

O objetivo principal era gerar energia para os teares de sua fábrica com mais eficiência e custos reduzidos em relação à geração a partir da queima de combustíveis. 

O sucesso do empreendimento foi o pontapé inicial para a criação de diversas outras usinas hidrelétricas no Brasil ao longo dos anos. A mais famosa delas é Itaipu Binacional, a maior geradora de energia limpa e renovável do mundo e construída na fronteira do Paraguai, em parceria com o governo desse vizinho.

Como funciona uma Usina Hidrelétrica: De uma forma simples, é possível explicar que a energia é gerada em uma hidrelétrica em turbinas, que são movimentadas pela água que passa por elas, transformando essa energia mecânica em eletricidade.

Por isso, quando esse tipo de usina é instalado, exige o represamento de um rio, que causa um impacto ambiental significativo em uma região que é inundada. Esse impacto é muito menor que, por exemplo, os danos de uma termelétrica, que queima combustível para movimentar suas turbinas.

Hoje, além de grandes geradoras como Itaipu, o Brasil conta com investimentos nas chamadas pequenas centrais hidrelétricas (PCH), que causam um impacto bem menor. Diversos fatores influenciam o poder de geração de uma usina, como a quantidade de água, a altura da queda, a qualidade das turbinas e outros. E um dos mais importantes é o clima.

Como o clima interfere na geração de energia no Brasil? Para gerar energia, uma hidrelétrica precisa de água — armazenada nos reservatórios da usina. Se o nível deles fica muito baixo, a geração de energia é comprometida e as turbinas podem até parar. A chuva é essencial para abastecer esses reservatórios. Por essa razão, na hora de planejar uma hidrelétrica, o clima é um fator tão importante quanto outras questões geográficas, como o potencial da represa e a altura da queda.

No Brasil, o clima é privilegiado para a geração de energia hidrelétrica. Mas, se chove pouco, usinas termelétricas emergenciais instaladas para prevenir apagões são acionadas, encarecendo o custo da conta de luz pelo período de seca. Esse custo maior é repassado para os consumidores na forma das chamadas bandeiras vermelha e amarela, que são cobranças temporárias, até que o nível dos reservatórios seja restabelecido. 

Exemplos da interferência do clima na energia hidrelétrica: De forma mais pontual, vamos analisar agora algumas formas pelas quais o clima é um fator decisório na geração de energia em países de matriz hidrelétrica, como é o caso do Brasil.

Vazão dos rios: A geração de energia hidrelétrica depende da energia mecânica promovida pela movimentação das turbinas. Essa movimentação é causada pela passagem da água dos rios pelas turbinas. Quando a vazão dos rios está grande, as águas estão abundantes e geram muita energia mecânica (e, consequentemente, da elétrica). Já se a vazão dos rios está baixa, a produção de energia hidrelétrica fica prejudicada.

Incidência de chuvas: O volume de chuvas está intimamente relacionado ao ponto anterior. A incidência de chuvas é o que faz subir o nível dos rios, interferindo na vazão. Quando o regime de chuvas está dentro do normal para a época e a região, as usinas chegam ao nível previsto de produção de energia, suprindo a necessidade do país.

Se o regime de chuvas é afetado por alguma massa de ar seco ou por algum fenômeno como El Niño e La Niña, a produção de energia pode ficar comprometida. Isso afeta também a distribuição do serviço, havendo o risco de apagões.

Aumento das temperaturas: As mudanças de temperaturas que têm ocorrido no planeta nos últimos anos são um fator que tem influência em diversos pontos do ecossistema terrestre. Da interferência nas cadeias alimentares até a geração de energia, tudo tem sido afetado por ela.

Uma das consequências do aumento das temperaturas em todo o globo é a diminuição do regime de chuvas em algumas regiões. A Amazônia, responsável pela formação dos chamados “rios voadores” (massas de vapor de água que viajam pelos ares, levando chuvas para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul), é uma das zonas afetadas. Com menos chuvas, os rios ficam com seu nível comprometido. (Parte de texto da Somar Meteorologia).

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