Nem sempre tudo que reluz é ouro

Nem sempre tudo que reluz é ouro Fonte da Foto: ilustrativa

A máxima acima é uma metáfora milenar utilizada para demonstrar que nem tudo o que parece ser realmente é. Ou, pode-se popularizar ainda mais, plagiando um antigo comercial de televisão em que anunciava o shampoo “Denorex”, que aparecia no mesmo com o slogan: PARECE, MAS NÃO É (querendo dizer que parece remédio, mas não é). E tornou-se febre o tal slogan nos anos 80 para situações em que queríamos nos referir que nem sempre aquilo que aparentava ser,  realmente era.

Pois bem, após a alegórica defesa do prefeito Jô Silvestre no plenário da Câmara Municipal no último dia 08, muito tem se falado em repartições públicas e diversos outros lugares, que o alcaide teria contratado um advogado imbatível, o Mike Tyson do Direito, ante a eufórica explanação do mesmo.

Diante de tanto barulho e comentários e, pelo fato de o Jornal do Ogunhê ter sido citado pelo nobre causídico (o que muito nos honrou), fomos em busca de seus feitos advocatícios para entendermos de onde viria tanto talento para a nobilíssima profissão de advogado.

E encontramos, em meio às não menos alegóricas postagens nas redes sociais, o processo nº 2246639-34.2018.8.26.0000 da Comarca de Valparaíso, o qual tramitou na 1ª Vara, só que neste caso o jovem advogado não obteve o mesmo êxito que na câmara avareense. Nesse processo que tratou da cassação do prefeito daquela cidade, a reversão e manutenção do mesmo no cargo, não deu certo.

E mesmo impetrando Agravo de Instrumento na esperança de reverter a decisão, para infortúnio do nobre doutor, que mesmo sendo detentor de indiscutível conhecimento e extrema intimidade com o direito público e eleitoral, não logrou a vitória desejada, permanecendo o ex-prefeito Roni Cláudio Bernardi Ferrareze, cassado.

Talvez em Valparaíso o advogado de Jô não tenha ido para o jogo com o resultado definido, porque, aqui, todos os avareenses já haviam sido alertados por certo radialista da cidade que o processo certamente seria arquivado, pois havia a necessidade de 09 votos, e a oposição é composta de 07 vereadores.

E quem acompanhou a sessão de terça-feira, pôde verificar a postura um tanto quanto “confortável” do nobre causídico que em determinado momento empolgou-se, exagerou e ofendeu o vereador Cabo Sérgio chamando-o e comparando-o ao ex-deputado cassado Eduardo Cunha, que se encontra preso por diversos crimes praticados, bem como afirmou que a vereadora Marialva está inelegível, chamando-a de “ficha suja” diante de todos os presentes e espectadores remotos. Fora a fala deselegante que dirigiu ao vereador Dr. Ernesto, ao presidente do sindicato, Leonardo do Espírito Santo, sem falar como se referiu à denunciante, Priscila Canovas, chamando-a de “laranja”.

Esse é o outro lado da defesa do advogado do prefeito Jô e que não vem sendo comentado, pois, por mais liberdade que tenha um advogado no exercício da profissão, isso não lhe dá a licença 007, ou seja, não o torna livre para falar o que bem entender, nem comparar um vereador de reputação ilibada, policial militar aposentado, como o vereador Cabo Sérgio a um condenado da justiça e que está preso. Nem tampouco está a vereadora Marialva com qualquer situação de inelegibilidade, pois, se assim o fosse, não teria sequer disputado as eleições de 2016, quanto mais teria sido eleita e empossada.

Diante de tal acontecimento, o Jornal do Ogunhê foi conversar com alguns operadores do Direito de nossa cidade, advogados conceituados que não concordaram com a postura um tanto quanto agressiva e desrespeitosa que o defensor de Silvestre teve em relação aos vereadores avareenses, e mais, a maioria desses advogados que analisaram a fundo a defesa, foi unânime em dizer que o causídico entrou em uma demanda ganha, ou seja, o resultado já havia se desenhado. Na linguagem jurídica, seria o mesmo que entrar em um processo cuja sentença já estivesse pronta, ou ir a um tribunal do júri com o veredicto dos jurados já definido.

Ouvindo cidadãos comuns, encontramos, ainda, uma definição interessante de um leitor: “é o mesmo que um time brasileiro na Libertadores ir jogar na Argentina e lá fazer 8x0 no adversário, e no jogo de volta, ir para o estádio com torcida única. Pode jogar com o time reserva, que mesmo que levar de 7, a partida está ganha”.

Portanto, sem demérito da competência do advogado, no jargão popular, até um poste ganharia, pois, restam, de toda essa história duas importantes lições: o conhecimento não traduz a elegância e a humildade é a mãe da sabedoria.

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