Estudo indica que distanciamento social pode durar mais dois anos

Estudo indica que distanciamento social pode durar mais dois anos Fonte da Foto: ilustrativa

Um novo estudo liderado por especialistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, indica que as estratégias de distanciamento social podem precisar ser adotadas globalmente até 2022 para conter a disseminação do novo coronavírus, que ainda não tem tratamento clínico ou vacina comprovadamente eficazes para combatê-lo. A matéria é assinada por Lucas Agrela na revista Exame.

Publicada na revista científica Science, a pesquisa simulou uma série de cenários em relação à evolução do contágio do novo coronavírus.

Considerando que a imunidade desenvolvida por humanos contra o vírus seja permanente, ele pode sumir dentro de cinco anos, em 2025. Com isso, a quarentena em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, precisaria durar até meados de 2021. Após esse período, a abertura gradual deve ocorrer até o meio de 2022.

No cenário em que a imunidade para o novo coronavírus seja de um ano, como acontece com outros vírus do mesmo grupo, todos os anos pode haver aumento de casos. Vale notar que a Organização Mundial da Saúde investiga casos de contágio de pessoas previamente infectadas pelo vírus. O estudo considera países de clima temperado, o que não abrange o Brasil. No entanto, o clima mais quente pode ter um impacto na redução da disseminação do vírus, mas ele ainda não é o suficiente para ser significativo no número de casos de contágio e internações.

O estudo estima que cada pessoa infectada pelo novo coronavírus pode contagiar outras três pessoas. Essa taxa de transmissão é mais alta do que a de outros coronavírus, que tinha potencial de infecção de duas pessoas a cada caso.

Em relação às medidas de distanciamento social, o estudo estima que a redução de novos contágios a cada pessoa infectada seja de até 60%. O cenário abrange fechamento de comércio e escolas e aglomerações em geral.

“Intervenções adicionais, incluindo capacidade ampliada de cuidados críticos e uma terapêutica eficaz, melhorariam o sucesso do distanciamento intermitente e acelerariam a aquisição da imunidade do rebanho”, escrevem os pesquisadores.

Com fim abrupto da quarentena, os pesquisadores estimam que o pico de casos pode ser ainda maior do que se não tivessem sido tomadas medidas de distanciamento. O motivo é que isso levaria à exposição de um grande número de pessoas ainda vulneráveis à infecção pelo novo coronavírus.

O cenário em que a quarentena dura 20 semanas é o mais efetivo. Considerando uma efetividade moderada de isolamento, que reduz a multiplicação em casos a cada novo contágio de 20 a 40%, seria possível controlar os picos da covid-19.

Com mais dados sobre o comportamento do vírus em países como o Brasil, com clima tropical, e sobre a imunidade que o corpo humano pode desenvolver a ele, poderão ser adotadas medidas de distanciamento social intermitente, com aberturas e fechamentos do comércio e outros estabelecimentos.

“O distanciamento altamente eficaz poderia reduzir a incidência de SarS-CoV-2 o suficiente para tornar factível uma estratégia baseada em rastreamento de contatos e quarentena, como na Coreia do Sul e Cingapura”, dizem os pesquisadores.

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